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Projeto de Extensão Cidadania e Juventude

Conscientização sobre direitos para a  comunidade jovem

Por Wagner Geribello

2014… A partir de Projetos de Extensão, a Pontifícia Universidade Católica de Campinas estabelece uma parceria com a Reciclamp, entidade que o reúne cooperativas de coleta de material reciclável de Campinas e Valinhos.

Objetivando transferir conhecimentos para ajudar a consolidar e potencializar o desempenho das cooperativas associadas, refletindo diretamente nos ganhos e nas condições de vida e trabalho dos cooperados, os Projetos cobrem, inicialmente, a área econômica e administrativa, reservando-se às Faculdades do Centro de Economia e Administração da Universidade. Todavia, a interação com os cooperados revela espaços e demandas para outras áreas de conhecimento acadêmico.

Foi nessa maré de ampliação da Extensão universitária àquele nicho específico de atuação que o professor Dr. José Henrique Specie, encontrou oportunidade para o seu voluntarismo, apresentando um Projeto de conscientização sobre direitos e cidadania aos cooperados da Reciclamp.

Mais de cinco anos após aquela primeira experiência, Specie continua envolvido com a conscientização sobre os direitos do cidadão, focando parcelas sociais mais vulneráveis, que desconhecem muito e nem sempre se beneficiam de direitos assegurados por diplomas legais ou definidos nos códigos sociais vigentes.

Specie, como advogado e como professor, aprendeu muito ao longo dessa caminhada e, atualmente, seu Projeto Cidadania e Juventude, pode ser tomado como exemplo e referência de Extensão Universitária.

 

Ideias, parceiros e dedicação

Os projetos de Extensão na PUC-Campinas

A PUC-Campinas começou o ano de 2019 com 33 Projetos de Extensão em andamento, todos enfeixados em diretrizes comuns, centradas no relacionamento proativo e recíproco com a comunidade, na vocação difusora de conhecimento da Universidade e na obrigatoriedade de agir com entidades parceiras, representativas da comunidade. Priorizar nichos populacionais mais carentes e socialmente vulneráveis, focar a capacidade criativa e a autonomia das comunidades nos temas e questões pertinentes a cada Projeto e, no sentido mais amplo, contribuir efetivamente para o desenvolvimento social também caracterizam a Extensão na PUC-Campinas, conduzida por uma Pró-Reitoria específica, envolvendo professores e alunos dos cinco centros de concentração da Universidade: Linguagem e Comunicação, Ciências da Vida, Ciências Exatas, Tecnológicas e Ambientais, Ciências Econômicas e Administrativas e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Este último Centro integra a faculdade de Direito, na qual Specie ministra aulas de Direito Constitucional e a partir da qual desenvolve o seu Projeto de Extensão, contando com a colaboração de alunos voluntários e uma Bolsista de Iniciação à Extensão.

 

A população periférica, de baixa renda, desconhece os próprios Direitos e a Universidade pode ajudar muito a reverter essa situação.

 

O jovem como público mais adequado

À frente do lap top, sobre a mesa que domina o mobiliário da sala de professores do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, no Campus I da PUC-Campinas, Specie recebeu o serviço de imprensa e divulgação da Universidade, para explicar seu projeto: “trabalhamos exclusivamente com jovens, majoritariamente entre 16 e 18 anos, de ambos os sexos” apontando, na tela do computador, a lista de chamada das oficinas que integram o Projeto, com nome, gênero e idade dos participantes. “Trata-se do público mais ajustado aos nossos objetivos” ele continua “o que aprendi com a experiência de aplicações anteriores do Projeto, primeiro com os cooperados da Reciclamp e depois na periferia de Campinas, entre 2016 e 2017, também para adultos”.

Após a ação junto a Reciclamp, Specie apresentou novo Projeto de Extensão, com o mesmo tema e objetivos – direitos e cidadania – mas para ser conduzido no bairro Vida Nova, na região do Distrito Ouro Verde, a mais populosa de Campinas, formada, sobretudo por migrantes mineiros e paranaenses, marcada, também, por índices reduzidos de desenvolvimento social.

“No Vida Nova” o professor mostra fotografias no computador “fizemos parceria com o Centro de Integração da Cidadania, CIC, entidade da Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo que concentra diversas atividades assistenciais e de apoio à população daquela área.” E prossegue “tivemos bons resultados e conduzimos 24 Oficinas ao longo de dois anos (2016/2017), mas, mesmo assim, a participação ficou aquém da expectativa, sobretudo em função do perfil do público, que nem sempre tinha conhecimento da realização das oficinas, nem tempo ou mesmo motivação para participar.”

Ao longo de quatro anos, entre o início de 2014 e o final de 2017, José Henrique levou muita informação e outro tanto de formação em cidadania para os públicos atendidos por seus Projetos, mas ele também reuniu muito conhecimento sobre a pedagogia mais adequada àqueles objetivos, começando pelo público alvo… “dessas observações e reavaliações do que fizéramos até ali, veio a ideia de trabalhar com jovens, em ambientes e cotidianos favoráveis à aplicação das Oficinas, ampliando as oportunidades de conhecer e refletir sobre direitos humanos, sociais, políticos, trabalhistas e todo o universo consequente ao tema.”

 

Depois de quatro anos trabalhando com adultos, Specie descobriu nos jovens o público ideal para promover a cidadania e o conhecimento sobre direitos.

 

A parceria com a AEDHA

A busca do público alvo específico, representado por jovens, mais a obrigatoriedade de atuar com uma instituição parceira definida nos projetos de Extensão da Universidade levaram Specie a fazer contato com a Associação de Educação do Homem de Amanhã, voltada especificamente para a formação de jovens e sua inserção na atividade profissional.

“O interesse e o acolhimento da AEDHA à nossa proposta de ação conjunta foram imediatos e entusiasmados” o professor explica, enfatizando, em seguida “os objetivos da entidade e do Projeto se encaixaram perfeitamente, além de verificarem-se condições adequadas e muito favoráveis para realizar as oficinas, que representam o cerne da nossa atividade extensionista.”

No início de 2018 José Henrique agilizou os passos necessários para implementar o Projeto, que incluíam a preparação de conteúdos e material para as oficinas, a seleção de uma aluna bolsista de Extensão, mais o convite e a seleção de alunos voluntários.

Em abril de 2018 foi realizada a primeira Oficina do Projeto Juventude e Cidadania, na sede da AEDHA, reunindo cerca de 15 jovens, que receberam informações e foram convidados a refletir criticamente sobre os principais Direitos para o exercício da cidadania. Muitos dos participantes jamais haviam interpretado ou relacionado esse tema a direitos que lhes eram garantidos e dos quais eles mesmos eram beneficiários. Para Specie, esse fato veio confirmar que, depois dos exercícios anteriores, muita análise, considerações e reformulações, o Projeto encontrava nos jovens o público alvo ideal para seu desenvolvimento e consolidação.

Ao comentar esses aspectos, o professor de Direito manifesta, nas palavras e no semblante, confiança na contribuição desse exercício de Extensão universitária para formar cidadãos conscientes e partícipes da sociedade, no que respeita a direitos que garantem e estimulam essa participação social, tanto quanto consolidam elementos fundamentais da convivência humana como liberdade, segurança, isonomia, alteridade e outros tantos aglutinados nas noções de civilidade e civilização.

 

Além do público, a entidade parceira garantiu ambiente adequado e convergência de objetivos para o desenvolvimento do Projeto de Extensão.

 

O Projeto

Batizado oficialmente Cidadania e Juventude, o projeto do Professor Specie tem duração bianual (padrão na Universidade para esse gênero de atividade), definindo-se como “proposta que tem por finalidade principal desenvolver a conscientização e o interesse dos jovens por conhecimentos básicos de seus direitos, realçando a importância e o papel da cidadania na formação de uma sociedade mais justa e solidária, permitindo a aproximação de jovens de uma comunidade específica, a, Associação de Educação do Homem de Amanhã (AEDHA), com a Universidade, identificando sua relação com os direitos fundamentais, realizando ainda o esclarecimento e a transmissão de informações, buscando a emancipação social por meio da conscientização e orientação para a efetivação dos direitos humanos e exercício da cidadania”.

São objetivos amplos, complexos e difíceis de serem atingidos, sobretudo em um País com vasta folha corrida de violação de direitos, no passado e no presente. Mas, são, também, objetivos fundamentais para pleno exercício da cidadania, como especificado no próprio texto-resumo, o que legitima e justifica a dedicação do professor extensionista e o acolhimento da Universidade em relação ao Projeto.

Além das justificativas sociais, tomadas em si mesmas, o exercício de Extensão conduzido por Specie está totalmente alinhado com o Curso de Direito da PUC-Campinas, um dos mais antigos e importantes de todo o País, cujo Projeto Pedagógico assim propõe: “Nosso objetivo é formar profissionais que se integrem vivamente à sociedade contemporânea, não apenas no sentido de construírem carreiras sólidas, mas também para contribuírem efetivamente para as reflexões e ações necessárias para a construção da sociedade mais justa que todos almejamos (…).”

O alinhamento com o Projeto Pedagógico do Curso de Direito se consolida nos objetivos comuns e também com o envolvimento de alunos, diretamente, como extensionistas bolsistas ou voluntários, e indiretamente, com a carga de informação e experiência que a atividade de Extensão canaliza para a sala de aula. Para Specie, essa característica é muito evidente: “o volume maior da clientela da Faculdade de Direito é formado por alunos que vêm de estratos acima da mediana social” ele explica e prossegue “portanto, como futuros profissionais do Direito, envolvidos com a aplicação e o exercício da justiça, é fundamental que tenham, antecipadamente, conhecimento e mesmo o contato direto com realidades sociais sobre as quais eles pouco sabem.”

A aluna bolsista, Emanuely Mendonça e o aluno voluntário, Rodrigo Buriti, que participam do Projeto, são unânimes e enfáticos quando se manifestam sobre a oportunidade de conhecer uma realidade social até então difusa e distante daquela em que estão inseridos.

Na exposição de motivos, Specie indica uma lista de disciplinas do currículo de Direito, cujos conteúdos se relacionam, em diferentes graus de intensidade, com os conhecimentos e objetivos do Projeto, mostrando sua capilaridade por entre quase todas as instâncias do Curso, uma vez que é difícil ou mesmo impossível falar em Direito sem considerar os direitos fundamentais dos cidadãos.

 

O aspecto social do Projeto Cidadania e Juventude reflete, diretamente, o objetivo de formar profissionais envolvidos com a aplicação e o exercício da justiça, da Faculdade de Direito da PUC-Campinas.

 

 

 

Oficinas, cartilhas e muito debate

O modo de conduzir o Projeto e efetivar resultados adotados por Specie misturam simplicidade, objetividade e eficiência. “Chamamos metodologia, no jargão universitário, o jeito de fazer, o modo como vamos da teoria para a prática” completando “e a experiência ensina que se a teoria, por definição, é complexa, a prática deve primar pela exequibilidade e pela eficiência.”

Esse raciocínio levou o professor a dividir o conteúdo do Projeto em seis temas, integrar cada tema a duas Oficinas e distribuir as Oficinas ao longo do ano, prevendo o máximo de interação, debate e participação em cada Oficina, envolvendo o professor extensionista, os alunos de Direito, bolsistas e voluntários e os jovens da AEDHA. “Produzimos, também, cartilhas com textos e ilustrações” ele assinala “mas é a conversa e o debate que levam os jovens a incorporar conhecimento sobre direitos, junto com segurança e vontade para exercer a cidadania.”

Para conseguir esses resultados é preciso percorrer um caminho intenso de preparação, que inclui a busca e a seleção dos alunos participantes, como bolsistas ou voluntários e depois, junto com eles, a preparação dos conteúdos de cartilhas e Oficinas, terminando com a definição das dinâmicas mais indicadas para potencializar resultados.

Mostrando cronogramas e tabelas do Projeto alinhadas na tela do lap top, José Henrique enfatiza que “traçar o plano de voo consome cerca de um mês e meio de trabalho, entre final de fevereiro e começo de abril e só depois disso o cronograma das Oficinas começa a se concretizar” e chama a atenção para esse ponto: “vamos para Oficina com tudo preparado, tendo sempre em vista que a participação da clientela é fundamental e muitas vezes inesperada e que isso faz parte do Projeto e dos princípios da Extensão na PUC-Campinas” arrematando “ninguém é passivo no processo, porque ninguém ensina exclusivamente, sem aprender um pouco, nem somente aprende, sem ter algo para ensinar.”

Por isso mesmo, a Extensão na PUC-Campinas não é fluxo de mão única, mas uma troca de saberes com as comunidades envolvidas. “Trata-se de uma troca dinâmica e enriquecedora” arremata Specie.

Nesse sentido, assim como a pesquisa, a reflexão e a experimentação agregam conhecimento ao universo acadêmico, a Extensão também faz aportar saberes, que a Universidade incorpora e difunde, nos processos de ensino.

 

 

 

Atuando com os jovens aprendizes, o professor e os alunos universitários encontram um amplo campo para ensinar, mas também muita oportunidade para aprender.

 

 

Resultados

Ao elaborar o Projeto Cidadania e Juventude, José Henrique Specie foi particularmente taxionômico e minucioso no segmento referente aos resultados, subdivididos entre itens passíveis de observação e mensuração e outros não mensuráveis.

Nessa última categoria, foi incluído o efeito multiplicador, considerando pessoas com quem os jovens aprendizes da AEDHA conversaram sobre o tema, na família, no trabalho, na escola e entre amigos e conhecidos. O Projeto também considera resultado possível, esperado e mesmo provável, mas não mensurável, as oportunidades futuras da clientela contemplada demandar e beneficiar-se concretamente do que aprendeu sobre direitos e cidadania. Por fim, reflexos positivos do Projeto também incidem sobre a Universidade, na medida em que a comunicação social de todos os níveis divulgue o compromisso com o ensino, a valorização e o exercício da cidadania.

Os resultados mensuráveis, por sua vez, foram avaliados quantitativa e qualitativamente, incluindo público alvo abrangido, numericamente considerado, relação entre Oficinas programadas e realizadas e a participação de todos os envolvidos.

Mais de 260 jovens atendidos pela AEDHA participaram das Oficinas realizadas em 2018, o significa que o total previsto de 500 jovens nos dois anos de duração do Projeto (2018/2019) muito provavelmente será superado.

Ainda mais importante que os números, a tabulação e a análise dos questionários aplicados ao longo do Projeto revelam índices estimulantes de compreensão e pré-disposição dos jovens para aplicar na vida aquilo que apreenderam nas Oficinas. Os questionários mostram que 86% dos participantes responderam afirmativamente a esse quesito, enquanto 77% consideraram a atividade muito útil para o exercício profissional.

A reprodução de alguns trechos do relatório de resultados, apresentando no final de 2018, portanto exatamente na metade da duração prevista do Projeto, demonstram seus efeitos positivos:

 

Atividades desenvolvidas no ano

Reuniões preparatórias com os alunos envolvidos e com as gestoras da entidade parceira, confecção e edição de material de apoio e apresentação de doze oficinas, previstas no planejamento, dividas em seis temas principais: (1) os principais direitos para o exercício da cidadania, (2) direitos individuais e coletivos, (3) direitos políticos, (4) direitos sociais e direito do trabalho, (5) direito previdenciário e (6) cidadania e justiça social.

 

Público-alvo atendido

Público-alvo direto (perfil e quantidade)

Jovens carentes de recursos sociais e econômicos que buscam na AEDHA encaminhamento para programas de aprendizagem profissional. Média de 22 alunos por oficina, totalizando 260 participantes no primeiro ano do biênio (2018), excedendo em mais de 50% a previsão de jovens a serem contemplados com o projeto durante o biênio. Perfil: 53,85% homens e 46,15% mulheres, o que mostrou relativo equilíbrio em relação ao sexo, idade entre 15 e 23 anos, a maior parte, na época da oficina, com 16, 17 ou 18 anos (respectivamente 32,69%; 40% e 10,76%).

 

Público-alvo indireto (perfil e quantidade)

Todo o contingente de pessoas que a partir da clientela atingida pelas atividades, vinculados à AEDHA, passarem a ter a consciência de seus direitos fundamentais (familiares, amigos e outros interlocutores da comunidade).    

 

Resultados alcançados

O resultado essencial esperado, como previsto no projeto é disseminar a percepção e o caráter emancipatório aos atingidos pelas atividades de extensão, desenvolvendo o sentido inclusivo a partir da conscientização e da busca afirmativa e pelo exercício dos direitos fundamentais do cidadão. Nesse sentido, a realização de oficinas para essa conscientização cria uma atmosfera prática para a consecução dos objetivos individuais do interlocutor no plano do desenvolvimento de sua integralidade e da concepção de humano e destinatário de direitos, situação esperada como um dos resultados do projeto, sendo que, analisando aos questionários respondidos pelos 260 jovens os quais o projeto atingiu diretamente notou-se resultados positivos. Quando questionados se a atividade havia sido útil para a vida pessoal 85,77% responderam que sim; 13,08% sim, parcialmente; 0,77% não e 0,38% não souberam responder. Com relação a atividade, se a mesma havia sido útil para a atuação profissional 76,54% responderam que sim; 18,08%; sim, parcialmente; 3,08% não e 2,30% não souberam responder. Quando indagados se achavam que o conteúdo abordado fosse de alguma forma beneficiar coletivamente a sua atuação no cotidiano 86,16% responderam que sim; 10,38%; sim, parcialmente; 0,38% não e 3,08% não souberam responder. Vale ressaltar que o questionário era respondido sempre de forma anônima, fazendo com que os jovens se sentissem à vontade para expor o que realmente acharam das oficinas. Sendo assim, permitiu vislumbrar com mérito o alcance qualitativo do projeto. 7) REPERCUSSÕES EXTERNAS (RELATAR O IMPACTO DA INTERVENÇÃO JUNTO AO PÚBLICO-ALVO E AS DIVULGAÇÕES): O projeto encontra-se em dinâmico desenvolvimento, inserido em um processo de transformação, em que alunos, professores e funcionários em conjunto com a comunidade, buscam o desenvolvimento mútuo e melhora na qualidade de vida, o projeto vem ocorrendo satisfatoriamente atingindo a conscientização e o interesse da comunidade externa de usuários da entidade parceira, impactando significativamente em cada individuo atingido, como verificamos pela análise dos questionários aplicados. Ainda, buscando difundir o escopo do projeto, participamos nesse primeiro ano do biênio de importantes eventos vinculados à Extensão Universitária onde destacamos a apresentação de trabalho no maior evento da área que ocorre bienalmente, o 8º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária (28 a 30/06/18, na UFRN, Natal/RN) e ainda apresentando Artigo Científico e apresentando Poster no maior evento cientifica da área jurídica, o XXVII Congresso Nacional do CONPEDI (Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Direito), de 14 a 16/11/18 na UNISINOS, Porto Alegre/RS. De grande relevância ainda participamos do Encontro de Extensão Universitária – PUC-Campinas (2018). 8) PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS (RELATAR O ENGAJAMENTO E PROBLEMAS ADVINDOS COM OS ALUNOS EM 2018): A participação dos alunos, uma bolsista e três voluntários, foi de extrema importância para propiciar a aproximação da comunidade acadêmica da Universidade com os membros da sociedade, na realização das oficinas de conscientização, no envolvimento com os jovens os. Especialmente a aluna bolsista desempenhou papel na realização das oficinas, painéis de apresentação do plano de trabalho, bem como análise de dados colhidos junto aos órgãos já existentes. Ainda na pesquisa e edição de material informativo para entrega e divulgação aos membros dos grupos sociais atingidos pela intervenção, panfletos, cartazes e na elaboração das avaliações, tendo demonstrado pleno comprometimento com o projeto e suas dinâmicas.

 

Efeito multiplicador 

Ao final deste ano de 2019, o Projeto Cidadania e Juventude será tecnicamente encerrado, enquanto atividade de Extensão. O encerramento oficial, completando o ciclo de duração do Projeto, marca o momento de análise e avaliação de resultados, colocando na balança tudo o que pode ser transmitido, ensinado e incorporado à clientela atendida pelo Projeto, assim como conhecimento e aprendizagem acumulados pelos acadêmicos envolvidos, a partir de uma análise crítica detalhada das atividades elaboradas e aplicadas ao longo do biênio.

Formatado em relatórios, o resultado das análises vai integrar bancos de dados e informações da Universidade, bem como o acervo de conhecimentos adquiridos pelo Professor extensionistas e pelos acadêmicos que participantes.

Esse conhecimento encontrará caminhos para fluir capilarmente entre as atividades universitárias, incluindo a sala de aula, constituindo, também, diferencial positivo na vida profissional, social e pessoal dos alunos extensionistas, depois que deixarem a Universidade.

Por outro lado, mais de meio milhar de jovens, que constituíram a clientela do Projeto, levarão pela vida conhecimento maior para atuarem em favor da cidadania, própria e social.

Resultados diretamente verificados nos participantes, mais o efeito multiplicador, difundindo direitos em prol de uma sociedade mais justa e igualitária, justificam largamente o Projeto e expressam o compromisso social da Extensão Universitária na PUC-Campinas.

 

Bolsistas e voluntários

Peças fundamentais do projeto

Na PUC-Campinas, a concepção e coordenação de Projetos de Extensão são atividades reservadas aos professores, enquanto os alunos participam como bolsistas de Iniciação à Extensão (IE) ou como voluntários, escolhidos e selecionados pelo professor responsável.

Para concorrer a uma bolsa de IE o aluno cumpre uma série de requisitos, incluindo o aproveitamento no Curso em que está matriculado, avaliado pelas notas do seu histórico e entrevista seletiva. Os voluntários também passam por um processo de seleção e entrevista.

De acordo com o professor Specie, um segmento importante em Cidadania e Juventude é a composição da equipe de bolsistas e voluntários, o que significa processos cuidadosos de escolha, convite e incorporação dos alunos participantes.

Emanuely Mendonça, bolsista de IE e Rodrigo Buriti, aluno voluntário, estudam na mesma classe, no período matutino do Curso de Direito da PUC-Campinas e cumprem as mesmas funções no Projeto Cidadania e Juventude, o que significa estudar o Projeto com atenção, para conhecer integralmente seus objetivos, formalizar os conteúdos a serem transmitidos à clientela, formatar e produzir o material didático, organizar e agendar as Oficinas, organizar meios e processos para recolher e administrar informações sobre a clientela, registrar e analisar o aproveitamento e relatar isso tudo, de acordo com as orientações da Extensão.

Emanuely reside na cidade de Rio Claro, Rodrigo é de Americana, mas mora em Campinas. No vestibular, optaram pelo Direito ainda com alguma incerteza, que desapareceu logo que iniciaram o Curso. Agora, afirmam com muita convicção que a escolha foi acertada, porque Direito é apaixonante.

O contato com o Projeto começou com a exposição do Extensionista responsável José Henrique Specie, Professor de Direito Constitucional. Depois vieram inscrição, seleção, análise de currículo, entrevista e análise de aproveitamento disciplinar.

Terminada a seleção, os escolhidos tiveram pouco tempo para respirar, mergulhando de cabeça nas atividades, que tomam tempo, consomem energia, exigem dedicação, mas compensam e recompensam o esforço.

O primeiro passo foi estabelecer contato direto com a clientela, para conhecer suas características e estabelecer a comunicação mais adequada, sobretudo a linguagem, muito específica à idade e posição social dos jovens que frequentam a Associação do Homem de Amanhã de Campinas. “Em seguida”, conta Emanuely, “fizemos a adaptação dos conteúdos definidos no Projeto à clientela, estabelecendo características do material complementar, nossa dinâmica de atuação e participação deles, bem como a periodicidade, o formato e a duração das Oficinas.

Rodrigo completa “são jovens de ambos os sexos, entre 16 e 19 anos, a maioria, com pouco conhecimento e, por isso mesmo, muitas perguntas e dúvidas sobre direitos sociais.

Ponderando as características do conteúdo previsto, mais as necessidades e comportamento da clientela, Manuely e Rodrigo, orientados pelo Professor Extensionista, estabeleceram uma dinâmica muito positiva de Oficinas… “os alunos gostam e a participação é muito grande” explica Emanuely “confirmando que nossa didática está bem ajustada”.

“A participação”, explica Rodrigo,” não se manifesta só com perguntas. Os jovens também expõem situações reais, vividas por eles, procurando identificar pontos em que direitos sociais foram quebrados, ou deveriam ser respeitados”.

Emanuely cita um exemplo: “o direito à moradia, rendeu muito discussão, inclusive com a intervenção de jovens moradores de ocupações e discussões sobre direitos de propriedade e de acesso à moradia, com posições distintas, às vezes antagônicas, gerando muito debate o que sempre abre caminho para a exposição das normas sociais, da legislação e dos seus princípios norteadores.

Assim, a cada Oficina, fica mais claro para os extensionistas o que os livros mencionam e os professores explicam em sala de aula, sobre a função básica do direito de resolver conflitos. Diz Rodrigo, “com isso, tomamos contato direto com os conflitos, com seus protagonistas, com as expectativas e com as demandas dos agentes sociais, elementos que ensinam muito e que nem sempre a aula formal consegue reproduzir”.

Além do aprendizado, Emanuely e Rodrigo afirmam que outra recompensa é a contribuição para o crescimento pessoal do nosso público alvo e para a formação de cidadãos, na qual, evidentemente, nos incluímos.

Resultados positivos e contribuição para a formação que buscam na Universidade consolidam uma relação sólida e irrestrita, levando tanto a bolsista de IE como o aluno voluntário a afirmarem, uníssonos, o interesse na participação, por todo o tempo que o Projeto durar.

 

Associação de Educação do Homem de Amanhã – AEDHA

Originada na antiga Guarda de Automóveis de Campinas, fundada em 1939, e, por isso mesmo, até hoje conhecida como Guardinha, a Associação de Educação do Homem de Amanhã é uma entidade de caráter social, sem fins lucrativos, voltada à preparação básica de jovens com poucos recursos para inserção no mundo do trabalho, em modelo pioneiro que repercutiu em outros lugares, dando origem a instituições similares e, muitas delas, homônimas.

Assim, o termo Guardinha passou a ser referência afetiva para os jovens, referenciado a uma instituição que realiza toda programação da Aprendizagem Profissional formalizada, administrando o trabalho de menores de idade, nos termos da lei, sempre condicionado à formação escolar.

A AEDHA atua também em outras áreas de assistência social, sempre atenta à superação de vulnerabilidades do cidadão.

A parceria da PUC-Campinas e a AEDHA no Projeto de Extensão Cidadania e Juventude já registra efeitos opositivos junto aos jovens assistidos, constituindo claro exemplo de convergência de objetivos e articulação de ações sociais efetivas entre a Instituição e a Universidade.

 

Oficinas

Momento e lugar em que o projeto se concretiza

A Associação de Educação do Homem de Amanhã AEDHA, entidade parceira do Projeto Cidadania e Juventude da PUC-Campinas, está instalada no conjunto de construções da antiga Seção de Sericicultura de Campinas, posteriormente ocupado por diversas entidades públicas, até receber a Guardinha, como a entidade é conhecida.

As instalações são amplas, embora a manutenção das edificações deixe a desejar, aspecto altamente compensado pelo perfil da clientela que circula no local, composta por: jovens, expansivos, sorridentes na maior parte do tempo, alegres, muito preocupados com a aparência e, apesar da origem social menos favorecida, carregados da energia que caracteriza essa fase da vida. Por isso, ao visitante, o ambiente na AEDHA se mostra dinâmico e mesmo estimulante.

Em uma das salas do conjunto, Rodrigo e Emanuely, respectivamente voluntário e bolsista do Projeto, acompanhados do Professor Extensionista, José Henrique Specie, ministram a Oficina sobre Direitos Sociais e Trabalhistas para uma plateia atenta e participativa, formada por 13 jovens, entre 17 e 19 anos, cinco rapazes e oito moças.

Ocupada por carteiras escolares e armários, a sala é ampla, mas a plateia concentra-se em único canto, onde está instalado o projetor de imagens, que reforça as explanações dos universitários.

Depois de distribuir pequenos folhetos sobre o tema da Oficina, confeccionados pelo aluno voluntário e pela bolsista de extensão, eles iniciam a explanação, usando o máximo de informalidade, garantindo o mínimo distanciamento da plateia.

À medida que elementos de direito são apresentados, a plateia interrompe com questões e considerações, desenvolvendo uma dinâmica de participação muito superior ao que normalmente se encontra em uma aula “clássica” do ensino fundamental e médio.

Além das perguntas, os jovens expõem casos reais ou hipotéticos, que eles cruzam com as definições da lei, para tirar conclusões e confirmar que estão interessados e, por isso mesmo, aprendendo.

Férias remuneradas, licença maternidade/paternidade, jornada de trabalho legal, organização sindical… a lista de itens é extensa, mas a plateia não baixa a guarda, nem se dispersa, quer saber o que reza a estrutura legal e social e, como cidadãos, conhecer quais são “os direitos aos quais têm direito”.

Como integrantes da ADEHA, os jovens atuam como aprendizes em empresas e instituições da cidade e participam, na prática, do universo do trabalho. Além disso, pela origem social, conhecem com muita clareza a dificuldade de sobreviver socialmente, como conseguir e manter bons empregos e, consequentemente bons salários, assim como atravessar incólume a violência acentuada do ambiente em que vivem.

Frente a esses desafios, os participantes do Projeto Cidadania e Juventude descobrem muito rapidamente que o conhecimento e a disposição de praticar direitos sociais são importantes para eles, elementos que levam a um envolvimento sólido com o projeto e uma valorização positiva da sua importância.

Aline, 19 anos, aprendiz na KPGM, usa a palavra útil para classificar o que está aprendendo. Mais objetivo, Yure, 16 anos, explica que o conhecimento de direitos, na forma como estão sendo apresentados e debatidos, ajuda a evitar ser enganado por oportunistas, como um mau patrão, por exemplo. Isabella, 16 anos, entende que as vantagens desse aprendizado não se restringem a ela mesma: “podemos explicar para outras pessoas, para que elas também gozem dos próprios direitos”, lembrando, ainda, que o modo como o assunto é apresentado pelo Projeto é esclarecedor, pois “não só conhecemos direitos sociais, como aprendemos a interpretar e entender esses direitos”. Jonatahn, 18 anos, explica que “esse conhecimento ajuda muito na família e também as pessoas mais velhas que têm mais dificuldade em ter seus direitos reconhecidos”.

Além do assunto, em si mesmo, os aprendizes também reservam aprovação e elogios para o modo como ele é exposto e desenvolvido. Beatriz e Júlia, ambas com 17 anos, pontuam a linguagem e a comunicação dos extensionistas como elementos fundamentais do Projeto: “sabem falar a nossa linguagem, usam exemplos, envolvem todo mundo nos debates e nas discussões e a gente acaba aprendendo muito”, arremata Beatriz.

As Oficinas duram 40 minutos, são apresentadas uma vez por semana e, não raramente tocam pontos que afetam diretamente os participantes. Depois da explicação do conceito e das ordenações legais do direito de usucapião de propriedade, Caren, 19 anos, explica que o pai tem uma propriedade na Bahia, ocupada por um irmão dele, que pode configurar o usucapião… “assim que eu chegar em casa, vou explicar isso para o meu pai, para que ele saiba o que fazer” ela completa.

Observando os jovens participando das Oficinas, é quase impossível não associar a imagem ao cenário brasileiro. Classificada entre as mais desiguais e corruptas do planeta, a sociedade brasileira constitui um ambiente hostil, em que a dificuldade para sobreviver é inversamente proporcional a posição ocupada no estamento social, cabendo à população de baixo ingresso econômico as fatias menores de direitos, oportunidades e recompensas sociais. Agarrada a um sistema arcaico, dominado por oligarquias conservadoras que impedem mudanças e monopolizam o poder econômico e político, bem como instituições públicas, como a justiça, a sociedade brasileira ainda tem desvios graves, que comprometem a dignidade humana, como a exploração do trabalho infantil, moradia, educação, saúde e saneamento muito aquém da demanda, índices inaceitáveis de violência e um distanciamento sideral entre as condições materiais de existência e subsistência sociais das frações populacionais mais próximas do vértice da pirâmide social, face àquelas outras que que se amontoam na base.

Frente a esse cenário, de conhecimento geral, mas cuja transformação nem sempre integra as agendas de prioridades que efetivamente mobilizam a sociedade, ações pontuais que contribuem para estimular ou, pelo menos, alicerçar mudanças são, invariavelmente, meritórias. Informar e instruir jovens sobre direitos e dignidade humana é um caminho promissor para reverter expectativas e adiantar passos na direção de transformações que tornem a sociedade mais justa, em que a participação igualitária em direitos e deveres integre, dignamente, senão a totalidade, pelo menos a maior parte dos cidadãos.

Os jovens que frequentam a ADEHA representam um potencial para adiantar alguns passos no caminho dessa transformação, apesar de não terem muito tempo livre para conhecer, tomar consciência e agir nesse sentido. Cumprem a jornada de aprendizes e estudam, além de frequentarem cursos, módulos de orientação e instrução na Entidade, entre os quais se insere o Projeto sobre os direitos sociais. Além disso, dispendem um tempo grande se deslocando das regiões periféricas, onde moram, para a escola, a empresa e a entidade. Por isso, a dispersão acontece imediatamente após o fim de cada sessão, mas, saindo, aos pares ou em pequenos grupos, os participantes continuam conversando sobre temas tratados na Oficina, o que marca um ponto positivo para o Projeto de Extensão Cidadania e Juventude, da PUC-Campinas, evidenciando bons frutos que podem resultar desse plantio.



Marcelo Andriotti
6 de janeiro de 2020