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Professor da Engenharia Ambiental dá dicas para cuidar de recicláveis durante quarentena

Campinas suspende coleta seletiva por conta da interrupção de atividades das cooperativas de reciclagem

A Prefeitura de Campinas interrompeu a coleta seletiva nas residências da cidade. O motivo é a suspensão das atividades das cooperativas de reciclagem da cidade em razão do coronavírus. Os moradores ainda podem depositar entulhos nos ecopontos distribuídos em diversas regiões. Os outros produtos de reciclagem, entretanto, não podem ser descartados nesses locais.
O professor Rodrigo Urban, da Faculdade de Engenharia Ambiental e Sanitária da PUC-Campinas, dá algumas orientações de como enfrentar o problema. Ele diz que, como os resíduos recicláveis são secos, quem tem espaço para armazenar pode seguir as seguintes orientações: fazer a lavagem das embalagens (resíduos de alimentos que atraem vetores, como baratas e ratos);  não misturar com o resíduo úmido (restos de alimentos e outros rejeitos) para não ter contaminação; guardar em sacos plásticos ou caixas, para que não sejam levados pelo vento; organizar os materiais mais leves (embalagens e papeis picados) para que não sejam perdidos.
Se não tiver espaço para armazenar, ou os resíduos recicláveis estiverem muito contaminados, pode ser feito o descarte adequado para a coleta comum. Isso, entretanto, só em casos extremos.
“Descartar os resíduos recicláveis para a coleta de resíduos comuns é como jogar dinheiro no lixo. Além disso, com o crescimento populacional, o descarte de resíduos é cada vez maior. Campinas está com um problema grande, pois o Aterro Sanitário Delta A não tem mais capacidade de recebimento de resíduos, e o Aterro Sanitário Particular da ESTRE Ambiental também está atingindo sua capacidade limite. Os recicláveis têm baixa densidade (exceto os metais), e por isso ocupam bastante espaço nos aterros”, afirma.
Urban aconselha que as pessoas guardem esse material, se possível, até a retomada da coleta seletiva. E lembra da importância de evitar doar para coletores clandestinos, que não estão nas cooperativas.
“Quando os resíduos vão para a coleta ‘paralela’ não temos certeza de onde serão descartados os materiais que não interessam, além de que as cooperativas oficiais perdem receita para seu sustento”, diz.
Segundo o professor da Faculdade de Ciências Econômicas da PUC-Campinas Ernesto Paulella, que também é Secretário Municipal de Serviços Públicos, Campinas tem 12 cooperativas de catadores de recicláveis, que garantem o sustento de 230 pessoas. Elas coletam, em média, 500 toneladas de material por mês.



Gabriel Souza
30 de março de 2020