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Formandos de Jornalismo fazem reportagem sobre Alzheimer em formato de quadrinhos

TCC foi apresentado na categoria Inovação e foi elogiado tanto pela qualidade jornalística quanto pela ousadia na linguagem

 

Formandos do Curso de Jornalismo da PUC-Campinas fizeram um trabalho jornalístico em forma de história em quadrinhos, intitulado Retratos: Histórias de Alzheimer, mostrando a luta de vítimas do Alzheimer e seus familiares contra a doença. Para desenvolver o projeto apresentado como TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), os estudantes Bruna Lopes, Diego Serni, Enrico Pereira, Letícia Justino e Maíra Torres percorreram 1.281 quilômetros para fazer dezenas de entrevistas com 35 horas de áudio, produziram 4.148 fotos, sendo 604 delas editadas, e trabalharam 120 horas na diagramação do livro.

O resultado, elogiado por todos os professores que formaram a banca examinadora, que teve como convidado o jornalista Wagner Geribello, especialista em quadrinhos, foi um livro de 99 páginas, dividido em quatro capítulos. O produto, apresentado na categoria Inovação, chamou a atenção pela qualidade e pela aplicação de variadas técnicas jornalísticas e visuais.

A apresentação, na manhã de 3 de dezembro, na Sala 800 do Campus I da PUC, reuniu professores, estudantes, familiares dos estudantes e dos personagens retratados na reportagem em formato de HQ. Também estiveram presentes representantes da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), cujo trabalho é abordado em um dos capítulos.

Com a ajuda da associação, os estudantes conheceram familiares e vítimas do Alzheimer retratados no livro e outros que não aparecem na história, mas cujas experiências serviram de base para a reportagem. Eles levantaram dados sobre a doença, ouviram especialistas e falaram com as vítimas da doença e seus parentes para ouvir suas histórias.

Cada entrevista foi feita ao menos por três dos integrantes do grupo, gravando em áudio e fazendo as fotos. Depois que todo o material foi produzido, os alunos começaram o trabalho de roteirizar todas as histórias, adaptando para a linguagem dos quadrinhos sem perder o rigor jornalístico com as informações obtidas.

Todos os áudios foram transcritos para que os diálogos e informações fossem fiéis ao coletado nas entrevistas. Depois disso, foram escolhidas as 604 imagens mais adequadas para cada um dos diálogos. Essas fotos foram tratadas com filtros e efeitos que deram a aparência de ilustrações.

O trabalho de diagramação começou sendo feito à mão, com 92 folhas de rascunhos desenhadas com uso de caneta e régua. Só depois ela foi feita diretamente no computador. Junto a isso, eles trabalharam com a escolha do tipo de letra adequado, formatos dos balões de diálogo, cores de fundo e técnicas visuais que ajudaram a dar o resultado final ao livro.

Os estudantes disseram que a escolha dos quadrinhos como forma de representar uma investigação jornalística foi inspirada nos trabalhos do jornalista Joe Sacco, que popularizou o formato cobrindo guerras.

Apesar de já ser difundido em outros países, principalmente na Europa, no Brasil é pouco comum trabalhos do gênero. “As universidades são ambientes para testar novas maneiras de fazer jornalismo e aproveitamos a criação (pela PUC) da categoria Inovação para essa experiência”, disse o aluno Enrico Pereira.

Os integrantes do grupo também disseram que esperam ter ampliado os horizontes para futuros projetos experimentais da PUC-Campinas e querem levar a experiência para o mundo do trabalho. Eles disseram que o livro não foi apenas um trabalho feito para concluir o curso, mas que é um projeto para toda a vida.



Marcelo Andriotti
5 de dezembro de 2019