Acessibilidade  
Central de Atendimento ao Aluno Área do aluno
Vestibular 2021

Aluna de Engenharia Civil idealiza sistema para geração de energia elétrica para o Campus I da Universidade

Proposta de implantação de sistema energético mais sustentável fez parte do TCC da estudante 

Por Patricia Mariuzzo

Uma proposta de minigeração distribuída solar fotovoltaica no Campus I da PUC-Campinas. Esse foi o tema da pesquisa desenvolvida pela aluna Deborah Valverde Gabriel em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Engenharia Civil da Universidade. Sob orientação do professor Philipe Viana Ruiz, ela avaliou ainda a capacidade de geração energética e se a instalação da usina resultaria em redução de custos com energia elétrica pela Instituição.

Um dos desafios do mundo moderno é a geração de energia de modo sustentável, com emissão mínima ou zero de gases do efeito estufa, que contribuem para o efeito estufa e com o aquecimento global. Buscar sistemas energéticos mais sustentáveis é uma das formas de lidar com esse desafio especialmente complexo se levarmos em conta que o desenvolvimento econômico e social tende a criar mais demanda por energia. Conforme explica Deborah Valverde, a energia solar é 80% menos poluente e o investimento tem retorno relativamente rápido.

Tecnologias solares fotovoltaicas usam semicondutores para converter fótons de luz em eletricidade. Essa modalidade de geração de energia elétrica tem crescido nos últimos anos no Brasil, especialmente em áreas sem acesso à rede elétrica. Nos grandes centros urbanos seu uso ainda esbarra nos custos elevados de instalação em comparação com o custo da geração da energia convencional.

Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, 83% da matriz elétrica brasileira é baseada em fontes renováveis com predominância da energia hidrelétrica (63,8%), seguida da eólica (9,3%) e biomassa e biogás (8,9%). A energia solar, apesar do crescimento registrado nos últimos anos, ainda é pouco significativa na matriz energética brasileira (1,4%). De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar (ABENS), para aumentar essa participação seriam necessários incentivos governamentais na forma de programas de pesquisa e desenvolvimento específicos para o setor para baratear os custos de implantação.

No caso da PUC-Campinas, com uma economia de cerca de 12% na conta de luz, o custo de instalação do sistema fotovoltaico seria pago em dois anos. Outra vantagem é que os painéis absorvem o calor da radiação, aumentando o conforto térmico nos ambientes, já que o telhado não aquece tanto. Há ainda o aspecto da valorização dos imóveis que adotam o sistema que pode chegar a 30% do valor do imóvel. “A instalação de um sistema de energia solar fotovoltaica no Campus faria com que a Universidade gerasse parte da energia elétrica que consome, o que resultaria em redução de seus custos com as tarifas de energia. Estes custos poderiam ser revertidos em outros investimentos para a própria Universidade”, acredita Deborah.

Em seu estudo, a estudante analisou diversos prédios do Campus I da PUC-Campinas, como o da Reitoria, o da Secretaria do CEATEC (Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologia), o da biblioteca e alguns laboratórios, buscando identificar os fatores que poderiam interferir no funcionamento do sistema solar fotovoltaico. A partir dessa análise, ela selecionou os edifícios para realizar a simulação fotovoltaica. “Utilizei projetos dos telhados e imagens de satélite, analisei cuidadosamente a posição geográfica dos prédios, inclinações dos telhados e fatores que pudessem afetar o sistema como a presença de árvores, postes e elementos altos que pudessem gerar alto índice de sombras”, contou. O sistema de minigeração distribuída solar fotovoltaica idealizado pela aluna de Engenharia incluiria seis prédios do Campus da PUC-Campinas, gerando uma potência total de 1184 kWp.

Como referência, a aluna utilizou o projeto Campus Sustentável, uma parceria entre a Unicamp e a CPFL Energia, que se iniciou em agosto de 2017, com investimento no âmbito dos programas de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e PEE (Programa de Eficiência Energética) da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). No âmbito do projeto foi implantada no Campus da Unicamp, em Barão Geraldo, uma usina com capacidade de geração fotovoltaica 534 kWp de energia, por meio de placas fotovoltaicas instaladas em seis prédios. “O Campus Sustentável é um dos projetos mais importantes da Unicamp na área de desenvolvimento sustentável, ele me motivou a fazer o estudo para a PUC-Campinas. Acredito que com toda a infraestrutura que a Universidade possui, alunos e docentes engajados, ao menos parte do conteúdo deste projeto pode ser absorvido e replicado no Campus”, finaliza.



Vinícius Purgato
23 de julho de 2020