
PUC-Campinas fortalece inclusão de colaboradores PCD com projeto de desenvolvimento e letramento inclusivo
Iniciativa reúne diferentes áreas da Universidade para estimular pertencimento, autonomia, comunicação e desenvolvimento de potencialidades no ambiente de trabalho
A PUC-Campinas está ampliando as ações de inclusão de pessoas com deficiência (PCD) no ambiente de trabalho por meio do projeto Vozes e Vida, que busca promover não apenas o desenvolvimento dos colaboradores, mas também o letramento inclusivo da comunidade interna. A iniciativa reúne a Coordenadoria de Apoio à Comunidade Interna (CACI), a área de Gestão de Pessoas, professores e estudantes de diferentes cursos da Universidade.
O projeto considera que os colaboradores PCD possuem diferentes níveis de autonomia, aprendizagem e desenvolvimento e, por isso, demandam uma abordagem individualizada. A primeira etapa, realizada no primeiro semestre de 2026, envolveu o trabalho com os responsáveis pelos colaboradores e a formação dos estudantes que atuam como monitores. Agora, a iniciativa avança para uma nova fase, com oficinas presenciais nos dois campi.

Professora Eliete conduz atividade no Tamurá, com ajuda de alunos voluntários
De acordo com a Profa. Dra. Eliete Aparecida de Godoy, da Faculdade de Educação, uma das responsáveis pelo projeto, entre os principais desafios identificados estão a sociabilidade, a interação com as equipes, a aprendizagem das atividades profissionais e o desenvolvimento da autonomia.
“O ambiente de trabalho também é um ambiente educativo”, destaca a professora. Segundo ela, a inclusão deve estar associada à possibilidade de aprendizagem e desenvolvimento, sem deixar de considerar as regras e responsabilidades próprias do ambiente profissional.
“Qualificar a vida no trabalho dele é auxiliar na interação com os demais, auxiliar na responsabilização pela sua própria atividade”, explica Eliete. A proposta, portanto, é oferecer os apoios necessários para que cada colaborador possa desenvolver suas atividades, assumir responsabilidades e ampliar gradualmente sua autonomia.
Segundo o coordenador da CACI, Prof. Me. José Donizeti de Souza, a iniciativa nasceu de um desejo antigo de criar novas oportunidades de aprendizagem para os colaboradores com deficiência. Ele lembra que, durante o Projeto Alfabetização, era comum que alguns colaboradores PCD procurassem as atividades espontaneamente, demonstrando interesse em estudar.
“Há muito tempo, sonhávamos com um projeto voltado para os colaboradores com deficiência em nossa Universidade. Isso porque, além de os entendermos como sujeitos de direitos, muitos colaboradores PCDs apareciam na porta da sala de aula com um caderno entre os braços, desejosos de estudar com seus colegas”, afirma.
Para Donizeti, o projeto representa também uma oportunidade de ampliar a compreensão sobre inclusão dentro da própria comunidade universitária. “O Projeto ‘Vozes e Vida’ se mostra como uma das respostas da Instituição, onde a educação mede seu valor na dignidade, na justiça, na capacidade de servir a todos, ao bem comum”, destaca.
Pertencimento e desenvolvimento

Funcionários participam de atividade durante o encontro
As atividades foram organizadas a partir de uma trilha que contempla diferentes dimensões do desenvolvimento dos participantes. O trabalho começa pelo pertencimento e pela identidade, passando por autonomia e desenvolvimento pessoal. Na sequência, são trabalhadas comunicação, relações interpessoais, trabalho em equipe e colaboração.
A trilha também contempla a expressão dos sentimentos e a compreensão do mundo e do trabalho por meio da arte, além do desenvolvimento das potencialidades individuais. Ao final, estão previstos momentos de reconhecimento, avaliação e celebração, envolvendo também a comunidade interna da Universidade.
“Na medida em que a gente reforça as potencialidades, eles também se abrem para novas possibilidades”, afirma Eliete.
A valorização das capacidades individuais é um dos pontos centrais da proposta. Segundo a professora, parte dos colaboradores pode carregar uma trajetória marcada por dificuldades e exclusões no processo educacional, o que pode influenciar a percepção que possuem sobre suas próprias capacidades. “Uma das propostas é a gente trabalhar nesse sentido: que ele se sinta capaz de fazer”, ressalta.

Colaboradoras de várias áreas ajudam na organização dos trabalhos
Para a gerente de Pessoas da Universidade, Cíntia Correia Rossi, a iniciativa está alinhada a outras ações desenvolvidas pela PUC-Campinas para ampliar a autonomia e a participação dos colaboradores. Ela cita, além do Vozes e Vida, o projeto Inclusão Digital, que busca ampliar o letramento tecnológico e contribuir tanto para o desenvolvimento profissional quanto para situações do cotidiano.
“Apesar de terem propostas diferentes, os dois partem de uma mesma ideia: criar oportunidades para que as pessoas se sintam mais autônomas, pertencentes e capazes de participar ativamente do ambiente em que estão inseridas”, afirma Cíntia.
Sobre o Vozes e Vida, a gerente destaca que a proposta também contempla as lideranças. “Mais do que desenvolver habilidades, acreditamos que iniciativas como essas nos fazem refletir sobre o papel da Universidade na construção de um ambiente em que as pessoas tenham acesso às mesmas oportunidades, possam desenvolver seus potenciais e, principalmente, sintam que fazem parte da comunidade PUC-Campinas”, ressalta.
Formação para uma comunidade mais inclusiva
Além dos colaboradores PCD, o projeto também envolve estudantes da PUC-Campinas. Participam da iniciativa alunos de Pedagogia, Letras, Psicologia e Fisioterapia, que passam por uma preparação para compreender conceitos, diretrizes e práticas relacionadas à inclusão.
A participação dos estudantes tem uma dupla função: contribuir para o desenvolvimento das oficinas e proporcionar aos próprios universitários uma experiência formativa relacionada à inclusão no ambiente profissional.
O projeto também prevê o envolvimento das famílias, especialmente nos casos em que os colaboradores ainda necessitam de maior apoio para desenvolver sua autonomia. A intenção é construir, gradualmente, uma rede de colaboração entre Universidade, colaboradores, famílias, gestores e colegas de trabalho.
De acordo com Donizeti, essa atuação em diferentes frentes é fundamental para que o projeto alcance toda a comunidade. “Na comunidade educativa, busca contribuir com a ampliação da cultura de inclusão; para os colaboradores com deficiência, objetiva ampliar habilidades de comunicação, socialização, interação e sentimento de pertencimento”, explica.
Habilidades que ganham espaço
As oficinas também partem das habilidades e interesses dos próprios participantes. Entre as atividades previstas está uma oficina de kokedama, relacionada ao cuidado com plantas, uma habilidade identificada em parte do grupo.
A proposta é que os produtos desenvolvidos pelos colaboradores possam ser utilizados em momentos de integração da comunidade universitária, como a confraternização de final de ano. A iniciativa cria, assim, uma oportunidade para que as habilidades dos participantes sejam reconhecidas e compartilhadas com outros funcionários.
Para Eliete, esse reconhecimento é parte importante do processo de inclusão. “O nosso objetivo é que a comunidade interna da PUC também celebre essa possibilidade deles se qualificarem”, afirma.
Mais do que promover atividades específicas para pessoas com deficiência, o projeto busca transformar a própria forma como a comunidade universitária compreende a inclusão. A proposta é criar um ambiente em que o apoio às necessidades individuais caminhe junto com autonomia, responsabilidade, desenvolvimento e reconhecimento das capacidades de cada colaborador.
“É ambiente de trabalho. Se ele foi acolhido naquele ambiente de trabalho, é porque aquela atividade é uma atividade que, com certeza, ele consegue desenvolver”, resume a professora.
Para Cíntia, o processo de inclusão também produz efeitos que ultrapassam o desenvolvimento de habilidades específicas. “No fim, inclusão e desenvolvimento caminham juntos, porque, quando as pessoas têm a oportunidade de participar e se desenvolver, ampliam suas possibilidades e também transformam a forma como se relacionam com o mundo e com quem está ao seu redor”, conclui.
