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Professora do PPG em Arquitetura e Urbanismo ministra aulas sobre a relação entre espaço público e paisagem na Universidad Jesuita de Guadalajara

A Profa. Dra. Patrícia Rodrigues Samora participou do evento “Verano Internacional 2026”, em que cursos de diversas áreas do conhecimento são realizados em um ambiente multicultural

No alto (da esq. para a dir.), a Profa. Dra. Maria Luisa Bestetti, da Universidade de São Paulo (USP); a Profa. Dra. Maria Sabina Uribarrén, da Universidade Paulista (UNIP); a Profa. Dra. Patrícia Samora, da PUC-Campinas; a Profa. Dra. Gloria Padilla, coordenadora do curso de Arquitetura do ITESO; e o Prof. Dr. Glauco Cocozza, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Abaixo (da esq. para a dir.), os professores doutores dos cursos de Arquitetura e Desenho Urbano e Paisagem do ITESO, Alejandra Fonseca, Claudia Villaça Diniz, João Teles Barbosa, Esteban Cervantes e Antonio Aceves Ascencio.

A Profa. Dra. Patrícia Rodrigues Samora, do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas (POSURB-ARQ), participou, entre os dias 25 de maio e 4 de junho, no Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores de Occidente (ITESO), Universidad Jesuita de Guadalajara, no México, do evento “Verano Internacional 2026”, em que cursos referentes a diversas áreas do conhecimento são realizados em um ambiente multicultural, tanto por docentes locais, quanto de diversos países de todo o mundo.

Durante a sua estada no país norte-americano, ela pôde participar de uma mesa-redonda e ministrar oito aulas referentes à disciplina “Espaço Público e Paisagem”, que aconteceram, tanto em sala de aula, quanto em ateliês, para cerca de quinze alunos e alunas de diferentes períodos do curso, trabalhando o projeto de um espaço público, no caso, o futuro Parque do Bixiga, em São Paulo, que contou com um concurso público para a escolha de seu projeto de instalação.

As aulas acontecerão ainda até o final de junho, mas os professores estrangeiros participaram somente das atividades desenvolvidas nas duas primeiras semanas.

Estratégia de internacionalização
De acordo com a professora Patrícia, a ideia deste componente curricular, que é eletivo, é que os alunos e alunas o façam de forma concentrada durante parte do verão no hemisfério norte, antecipando créditos necessários para a sua formação universitária.

“Os convites aos professores estrangeiros são uma estratégia de internacionalização da graduação do ITESO, uma vez que muitos estudantes não contam com condições financeiras de realizar um intercâmbio e, assim, podem ter a chance de terem contato com professores de instituições de ensino superior de outros países”, explica a docente.

Ela diz também que “é muito interessante para nós que participamos como convidados dessa atividade, porque, além de a gente poder fazer parte de um grupo de professores de diversos lugares do mundo e ter o prazer de conhecê-los, o ITESO nos levou para inúmeros lugares de Guadalajara e se esforçou bastante para nos integrar. Para mim, eles disponibilizaram as aulas de Paisagismo, uma vez que eu já sou docente da área”.

Convite do ITESO
Ainda de acordo com Patrícia, o convite surgiu da coordenação do curso de Arquitetura do ITESO, por intermédio do Prof. Dr. Alejandro Perez-Duarte Fernández, com quem, desde 2023, ela trabalha em parceria em uma pesquisa chamada “Laboratorio del Habitat para las Personas Maiores” (em tradução livre para o português, “Laboratório do Habitat da Pessoa Idosa”), que teve início em 2025 e é coordenada por Alejandro.

Dentro dessa pesquisa, teve início, neste ano, sob a coordenação de Patrícia, a pesquisa “Interação Social e Serviços de Cuidado como Requisitos Espaciais: Avaliação Qualitativa dos Programas Vida Longa (Brasil) e Condomínio de Viviendas Tuteladas (Chile)”, que foi aprovada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Segundo a professora, a primeira pesquisa conta com cinco eixos e um deles, “Inovação em Habitação Social”, é a que abriga a sua pesquisa.

“Agora, nós estamos comparando os dois tipos de programas habitacionais, que são voltados para pessoas idosas. O do governo paulista é o ‘Vida Longa’, e o do Chile, é o ‘Condomínio de Viviendas Tuteladas’ e são ambos programas de moradia assistida. Foi esta parceria que me abriu as portas para participar de diversas atividades promovidas pelo ITESO, incluindo essa última estada no México. Nessa edição atual do evento, quatro professores brasileiros tiveram a oportunidade de fazer parte dele e o curso de Arquitetura sempre opta por levar pessoas de um mesmo país e, nesse ano, foi a vez do Brasil. No ano passado, por exemplo, havia sido a Colômbia”, esclarece Patrícia.

O projeto vencedor do concurso público relativo ao Parque do Bixiga, em São Paulo, que foi o objeto de estudo da disciplina “Espaço Público e Paisagem” durante a estada da professora Patrícia, propõe revelar novamente o Córrego do Bixiga, hoje oculto sob a terra, trazendo-o de volta à paisagem urbana e ao cotidiano das pessoas.

Debate público sobre o espaço e a arquitetura
O tema do concurso público relativo ao Parque do Bixiga, por sua vez, é que foi o objeto de estudo da disciplina durante a estada da professora. Ela comenta que “para nós, arquitetos e urbanistas, os concursos públicos são momentos muito importantes para que possamos discutir conceitualmente questões relacionadas à arquitetura, ao urbanismo e ao paisagismo, e a gente valoriza muito esse tipo de atividade, porque são momentos em que há um debate público sobre temas referentes ao espaço e à arquitetura”.

“Além disso, eu participei de uma mesa-redonda que tratou de temas referentes à arquitetura e o urbanismo no Brasil e a relação de ambos com a sociedade. Todos os quatro professores participantes foram convidados e a mediação foi realizada por outra professora brasileira, a Dra. Cláudia Villaça Diniz, que é professora do ITESO”.

Apresentação em Zapopan
Além das aulas e da participação na mesa-redonda, Patrícia aproveitou para, junto ao professor Alejandro, desenvolver atividades da pesquisa que ambos coordenam, bem como do chamado “Laboratório do Habitat da Pessoa Idosa”, que é um braço dos estudos realizados, cujos resultados preliminares os dois foram apresentar na Prefeitura de Zapopan, na Região Metropolitana de Guadalajara.

Durante a sua estada no México, a professora Patrícia participou de uma reunião sobre moradias assistidas, com autoridades do Estado de Jalisco e do município de Zapopan, no prédio da prefeitura local (foto).

“A Região Metropolitana de Guadalajara conta com muitos municípios conurbados (quando duas ou mais cidades vizinhas crescem tanto horizontalmente que suas manchas urbanas se fundem, formando uma única malha contínua) e Zapopan é o maior em termos de população e um dos maiores quando o assunto é território, sendo também possuidor de um dos maiores percentuais de pessoas idosas em relação à sua população total em todo o México e, por conta disso, esse tema da habitação das pessoas idosas é tão importante, pois o país não possui nenhum programa de moradia para esse grupo populacional. O que há é prioridade de atendimento, como também existe no Brasil, de atendimento a pessoas idosas em programas habitacionais tradicionais”, explica a doutora.

Interesse em moradias assistidas
Mas, Patrícia lembra que a sua pesquisa trata, na verdade, de moradias assistidas, que são conjuntos habitacionais do tipo “vila”, em que pessoas idosas em condições de vulnerabilidade social e econômica, sem vínculos familiares, mas autônomas, podem ser selecionadas para serem residentes.

“Como o México não possui nada parecido com isso, nós fomos convidados para essa reunião na Prefeitura de Zapopan, pra tratar com uma vereadora local, com a secretária de Desenvolvimento Social do município, com um pessoal relacionado aos programas habitacionais e com membros do governo de Jalisco (estado cuja capital é Guadalajara e Zapopan é a maior cidade) e todos ficaram muito interessados nesse modelo de moradia assistida e isso já é um desdobramento da nossa pesquisa que só foi possível por conta da realização dessa visita”, elucida a pesquisadora.

A convite do professor Alejandro, Patrícia também se tornou coorientadora de um mestrado no ITESO e ambos estão trabalhando para a construção de um convênio amplo entre a PUC-Campinas e a universidade mexicana. O professor Alejandro também é coorientador do doutorado da estudante Isabela Bastos, do POSURB-ARQ, que apresenta uma pesquisa qualitativa intitulada “Envelhecer no Lugar em Grandes Cidades Brasileiras: O Habitat Urbano da Pessoa Idosa em Campinas-SP”. Ela trata de como vivem as pessoas idosas na cidade de Campinas, independentemente de renda, a fim de trabalhar as especificidades de moradia para esse grupo social.

A professora Patrícia (ao centro, de camisa preta) se despede de seus alunos e alunas do ITESO.

Mobilidade, sintonia e inserção institucional
Segundo ela, “esse tipo de acordo é muito importante, porque permite a mobilidade de estudantes, tanto de lá, como de cá, e eu penso que há muita sintonia entre as duas instituições por várias razões, dentre as quais, pela importância das cidades de Campinas e Guadalajara para seus países e pelas características de ambas as cidades e das duas universidades, com inserções institucionais bastante importantes. Por exemplo, a atividade na Prefeitura de Zapopan foi acompanhada por um funcionário do Escritório de Relações Institucionais do ITESO, porque eles entendem que as universidades têm um papel social, de ajudar o governo e a sociedade a melhorarem, a lidarem com os seus problemas e a ampliar as suas possibilidades de atuação e de causar impacto social e econômico, tal como faz também a PUC-Campinas”.

Criando vínculos cada vez mais fortes
A professora encerra dizendo que outra grande faceta dessa visita foi a de ampliar a internacionalização do POSURB-ARQ e que, caso saia esse acordo anteriormente mencionado, “a gente abre uma porta para os alunos e alunas da PUC-Campinas, tanto da graduação, como da pós-graduação, irem para o ITESO a fim de estudar em uma instituição de primeira linha do México. Enfim, é criar vínculos cada vez mais fortes entre a PUC-Campinas e o ITESO, que compartilham de muitos valores e de muito respeito mútuo entre seus pares nos seus respectivos países”.



Daniel Bertagnoli
11 de junho de 2026