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Novo episódio do podcast “Sentidos da Ciência” debate a requalificação do Centro de Campinas

Com apoio da FAPESP, pesquisa do PPG de Arquitetura e Urbanismo analisa o potencial histórico e estrutural da região central da metrópole

Já está no ar o mais novo episódio do podcast “Sentidos da Ciência”, uma iniciativa de divulgação científica que tem como missão traduzir o impacto das pesquisas Stricto Sensu da PUC-Campinas para a sociedade. Nesta edição, o foco é uma investigação desenvolvida na Universidade que visa encontrar caminhos reais para a requalificação do centro de Campinas, região que vem sofrendo — assim como outras metrópoles — com o esvaziamento e a ociosidade das construções.

O episódio reúne um time de especialistas para discutir os desdobramentos práticos do projeto, financiado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e inserido no Programa de Pesquisa em Políticas Públicas. O estudo analisa diretamente a efetividade da Lei Complementar nº 395/2022, conhecida como a “Lei do Retrofit”, que propõe incentivos fiscais e urbanísticos para fomentar a renovação de imóveis antigos na área central.

A mesa redonda do podcast contou com a presença da Profa. Dra. Renata Baesso Pereira, Coordenadora do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas e pesquisadora responsável pelo projeto. Ao seu lado, participaram a Profa. Dra. Paula Gorenstein Dedecca, docente do mesmo programa e líder da pesquisa de campo, e Eliza Augusta Berto Gimenez, arquiteta, urbanista e chefe do Setor de Documentação da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano de Campinas.

Durante o bate-papo, as convidadas detalharam o desafio enfrentado pelo chamado “polígono prioritário” do centro, uma área que abrange 95 hectares e engloba 1.829 imóveis. A urgência do projeto acadêmico se justifica, pois, apesar da legislação de incentivo, apenas seis pedidos de análise para haviam sido protocolados até o final de dezembro de 2024. Essa baixa adesão ocorre, em grande parte, devido a uma enorme lacuna de informações cadastrais, já que a área central foi constituída ao longo de décadas com registros feitos exclusivamente em papel.

Para preencher essa lacuna, o projeto atua em parceria direta com o Arquivo Municipal de Campinas (AMC) para resgatar e digitalizar a série histórica de Licenças de Obras Particulares, datadas de 1893 a 1988. O esforço de trazer essa imensa massa documental para o meio digital, de maneira georreferenciada, representa um salto tecnológico para a gestão pública.

Um dos pontos altos do episódio é a diferenciação essencial entre revitalização, termo muitas vezes associado à gentrificação e à substituição de populações, e a requalificação. O objetivo do estudo não é apagar a história ou a retirada de quem já habita a região, mas repensar as qualidades e os usos do espaço urbano existente. O foco é garantir a permanência de moradores e a sobreposição de antigas e novas dinâmicas sociais.

Para viabilizar esse panorama de forma objetiva, a Universidade desenvolverá um Sistema de Informações Geográficas e Históricas (SIG Histórico) e um Cadastro Físico de Imóveis aprimorado. A partir do cruzamento de dados arquitetônicos, estatísticos e documentais, a pesquisa irá gerar um Índice de Potencial de Requalificação.

Essa estruturação visa fornecer evidências científicas para fundamentar decisões assertivas da Prefeitura, incentivando a pluralidade de ocupação para que grandes edificações retomem funções habitacionais, educacionais, culturais e de serviços. A expectativa, segundo as pesquisadoras, é atrair vida, segurança e dinamismo econômico de volta à região, garantindo a circulação de pessoas tanto de dia quanto à noite, além de formular um relatório técnico-científico que subsidie melhorias contínuas na própria legislação municipal.

O episódio completo do “Sentidos da Ciência” sobre o futuro do centro de Campinas já pode ser conferido:

Spotify

Youtube



Gabriela Ferraz
14 de agosto de 2026

/* CONTEUDO PROGRAMATICO*/