
Professora da PUC-Campinas debate os impactos da desinformação em minicurso da SBPC
Pesquisadores de diferentes universidades discutem a desinformação no jornalismo, na infância e na Amazônia durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
A Profa. Dra. Juliana Doretto, pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação e docente da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas, integra a programação da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A professora ministra o minicurso Os efeitos da desinformação: Amazônia, infância e jornalismo, desenvolvido em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade de Brasília (UnB). A atividade, disponível online, promove uma reflexão sobre os impactos da circulação de informações falsas em diferentes contextos sociais e reforçou a contribuição da Universidade para um dos principais encontros científicos do país.
Pesquisadora da Recria – Rede de Pesquisa em Comunicação, Infâncias e Adolescências -, Juliana foi convidada pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Socicom) em razão de sua trajetória de pesquisa sobre infância, mídia e educação midiática.
Para a pesquisadora, o convite amplia a presença da PUC-Campinas em um dos principais espaços de produção científica do país, integrando ao debate as contribuições da Universidade para temas contemporâneos.
“Estar ali, representando a PUC-Campinas, é levar a nossa Universidade para esse espaço de discussão e colocá-la como uma instituição relevante na produção do conhecimento científico nacional, mostrando nossos modos de fazer ciência. Falar do conhecimento produzido na PUC é colocar a Universidade nesse espaço a partir das suas especificidades, como uma universidade católica, humanista e comprometida com a justiça social.”
Segundo Juliana, essa identidade institucional também orienta a forma como a pesquisa é desenvolvida na Universidade.
“A nossa Universidade, por ser uma universidade católica, tem uma ética cristã que coloca no centro a importância do humano, da solidariedade, do coletivo e da busca pela justiça social. Tudo isso faz parte do modo como desenvolvemos a pesquisa.”
Desinformação sob diferentes perspectivas

Minicurso ‘Os efeitos da desinformação: Amazônia, infância e jornalismo’ está disponível em formato remoto até o dia 31 de agosto
Ao reunir pesquisadores de diferentes áreas, o minicurso mostrou que a desinformação é um fenômeno complexo, cujos impactos se estendem do jornalismo às infâncias e à forma como temas estratégicos para o país, como a Amazônia, são compreendidos pela sociedade.
No primeiro eixo, o debate abordou os desafios enfrentados pelo jornalismo diante da circulação acelerada de conteúdos desinformativos e reforçou a importância da informação qualificada para o fortalecimento do debate público.
Já ao tratar das infâncias e adolescências, a discussão destacou a necessidade de reconhecer crianças e adolescentes como sujeitos de direitos também no ambiente informacional e de compreender o papel do jornalismo na promoção da cidadania.
O terceiro eixo voltou-se para a Amazônia, discutindo como a desinformação contribui para a construção de visões estereotipadas sobre a região e dificulta a compreensão de sua diversidade social, cultural e ambiental.
“As infâncias da região Amazônica têm suas particularidades, suas riquezas culturais e seus modos de vida, mas também são muito afetadas pelas desigualdades sociais, pelos conflitos agrários e pela poluição, que atingem especialmente as populações ribeirinhas, mas não apenas elas”, afirma Juliana.
Pesquisa e colaboração entre universidades
Além da professora Juliana Doretto, o minicurso foi ministrado por Gabriel Ferreira Fragata, da Universidade Federal do Pará (UFPA), e Dione Oliveira Moura, da Universidade de Brasília (UnB). A iniciativa evidencia a articulação entre pesquisadores de diferentes instituições para discutir um tema que exige abordagens interdisciplinares e colaboração científica.
As discussões apresentadas no minicurso também refletem pesquisas desenvolvidas pela docente na Rede Recria, iniciativa que reúne pesquisadores dedicados aos estudos sobre comunicação, infâncias e adolescências.
“A Rede Recria foi criada para valorizar os estudos sobre as infâncias e as adolescências em articulação com os processos comunicacionais, mostrando que o Brasil produz conhecimento relevante nessa área e que esse conhecimento tem incidência social”, explica a docente.
Ciência em diálogo com a sociedade
Realizada até 1º de agosto, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ), a 78ª Reunião Anual da SBPC reúne pesquisadores, estudantes e instituições de todo o país para promover o intercâmbio de conhecimentos e aproximar a produção científica da sociedade, com uma série de minicursos disponíveis remotamente, mediante inscrição prévia. Clique aqui para acessar a programação.
Como destaca Juliana, esse diálogo entre ciência e sociedade é uma das principais características do encontro. “Os congressos da SBPC reúnem não só pesquisadores e membros das entidades científicas, mas também outros agentes sociais, porque a ideia é pensar na ciência como parte integrante desse desenho de país.”
O minicurso Os efeitos da desinformação: Amazônia, infância e jornalismo permanecerá disponível em formato remoto até o dia 31 de agosto de 2026, ampliando o acesso às discussões e contribuindo para a disseminação de conhecimentos sobre os desafios impostos pela desinformação e o papel da ciência na construção de uma sociedade mais bem informada.
A capacitação é aberta ao público e pode interessar a comunicadores, professores, estudantes e demais pessoas que desejam compreender os impactos da desinformação em diferentes contextos. As inscrições estão disponíveis nesse link.


