
PET-Saúde Clima une PUC-Campinas e Prefeitura em ações para enfrentar impactos das mudanças climáticas na saúde
Iniciativa reúne diferentes áreas do conhecimento, estudantes, docentes e profissionais do SUS para desenvolver ações voltadas às necessidades dos territórios de Campinas
A PUC-Campinas e a Prefeitura de Campinas, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, unem esforços para desenvolver ações de formação, pesquisa e intervenção nos territórios a partir dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde da população. A parceria integra a 13ª edição do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), iniciativa dos Ministérios da Saúde e da Educação que, neste ano, tem como tema o enfrentamento das emergências climáticas e ambientais.
A proposta amplia uma parceria já existente entre a Universidade e o poder público municipal e reúne estudantes e professores de diferentes áreas da PUC-Campinas, além de profissionais e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto também envolve articulação com a Secretaria Municipal do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade, fortalecendo a atuação conjunta diante de um desafio que ultrapassa os limites de uma única área do conhecimento.
Para o Prof. Dr. Gustavo Henrique da Silva, Decano da Escola de Ciências da Vida, a participação de diferentes escolas e cursos representa um dos principais diferenciais da iniciativa. “Foi uma conquista da universidade. É uma proposta que partiu do grupo de professoras da Faculdade de Nutrição e foi ganhando corpo e hoje envolve não só a Escola de Ciências da Vida, mas também a Escola Politécnica. Então, isso tem um significado muito importante na questão multiprofissional, essa parceria entre cursos e entre escolas”, destaca.
Segundo o professor, a aproximação com o poder público também amplia o alcance do projeto. “Tem uma importância muito grande que é a interação com a Prefeitura, principalmente a Secretaria de Saúde e a Secretaria do Clima, hoje Clima e Meio Ambiente. Então, essa interação é bastante forte”, afirma.
Diferentes áreas do conhecimento para um desafio comum
A complexidade das mudanças climáticas exige respostas que articulem diferentes saberes. Na PUC-Campinas, o PET-Saúde Clima reúne cursos das Escolas de Ciências da Vida e Politécnica, aproximando conhecimentos das áreas de saúde, alimentação, meio ambiente e engenharia.
Para o Prof. Dr. Rodrigo Cuberos Vieira, Diretor da Faculdade de Engenharia Civil, que representou o Prof. Doutor Ricardo Pannain, Decano da Escola Politécnica da PUC-Campinas, a interdisciplinaridade permite ampliar a contribuição da Universidade para a sociedade.
“Acho que é um momento muito importante que a gente tem de ter esse PET, que também não fica restrito só a uma escola. Então acho que essa interação entre as escolas, a interdisciplinaridade é uma coisa que é muito importante para a gente também”, afirma.
O professor destaca ainda a contribuição das engenharias para o projeto. “É uma experiência muito importante para a gente, para os nossos alunos, e a gente está disposto a contribuir com tudo que for necessário”, completa.
A integração também é característica da própria estrutura do PET-Saúde. A Coordenadora geral do PET-Saúde Clima, Profa. Dra. Monize Cocetti, afirma que a proposta parte do entendimento de que a promoção da saúde depende da atuação conjunta de diferentes campos. “A estrutura do PET já prevê a interdisciplinaridade, então são diferentes faculdades trabalhando, mesmo as que estão fora da saúde, porque o cuidado integral da saúde da população demanda também outras áreas, como as sociais, humanas e, no nosso caso, as exatas”, explica.
Universidade e território na construção de respostas
Criado em 2007, o PET-Saúde promove a integração entre ensino, serviço e comunidade por meio da formação pelo trabalho. Na prática, estudantes e docentes atuam em conjunto com profissionais do SUS, vivenciando situações reais e contribuindo para a identificação de demandas e para a construção de soluções nos territórios.
Em Campinas, a edição reúne 24 estudantes bolsistas, seis docentes tutores, seis preceptores, além de vagas de coordenação e orientador de serviço, além de quatro voluntários. A equipe está organizada em três Grupos de Aprendizagem Tutorial, vinculados a diferentes unidades de saúde e áreas de atuação.
Um dos grupos reúne estudantes de Nutrição e Engenharia de Alimentos, com atuação na UBS Sirius; outro integra Medicina e Odontologia, na UBS Bassoli; e o terceiro reúne Terapia Ocupacional e Engenharia Ambiental e Sanitária, na UBS Valença.
A Secretaria Municipal de Saúde de Campinas participa diretamente dessa construção. De acordo com Marcelle Regina Silva Benetti, Diretora do Departamento de Ensino, Pesquisa e Saúde Digital da Secretaria de Saúde, o PET amplia a integração entre a Prefeitura e a Universidade ao aproximar profissionais dos serviços, estudantes e diferentes cursos em torno de uma atuação conjunta nos territórios.
“A gente já tem uma integração ensino-comunidade com a PUC, então pelo Departamento de Ensino temos muita aproximação dessa universidade e já construímos muitas parcerias na graduação. O momento do PET é um momento único porque é um projeto das unidades com os servidores junto com os estudantes da universidade, com vários cursos envolvidos”, afirma.
Para Marcelle, o principal diferencial está justamente na construção conjunta. “Não é um projeto da universidade, é um projeto da universidade junto com o território, junto com a população”, destaca.
Formação conectada aos desafios climáticos
A escolha do tema acompanha um cenário em que eventos climáticos extremos e alterações ambientais já produzem impactos sobre as condições de vida e saúde da população. Entre os desafios considerados pelo projeto estão enchentes, ilhas de calor, insegurança hídrica e alimentar, riscos sanitários e descarte irregular de resíduos.
As atividades previstas incluem mapeamento de populações e áreas de risco, integração de dados de saúde e vigilância, ações de educação alimentar e nutricional, identificação de pontos críticos de acesso à água potável, utilização da telessaúde e produção de materiais educativos sobre eventos climáticos extremos.
O trabalho também considera que os efeitos das emergências climáticas não são distribuídos de maneira uniforme. Populações em situação de maior vulnerabilidade social e territorial tendem a ser mais afetadas, o que torna a perspectiva da equidade um dos princípios orientadores do projeto.
Mônica Regina Prado de Toledo Macedo Nunes, diretora do Departamento de Saúde da Secretaria de Saúde de Campinas, destacou que o enfrentamento das mudanças climáticas precisa fazer parte do planejamento permanente das políticas públicas. “Nós temos que concretizar ações e projetos que deem sustentabilidade para a continuidade deste processo. A Universidade e a população civil são fundamentais para isso”, ressalta.
As ações do PET-Saúde Clima serão desenvolvidas a partir das necessidades identificadas nos territórios e incluem o mapeamento de populações e áreas de risco, a integração de dados de saúde e vigilância, ações de educação alimentar e nutricional, identificação de pontos críticos de acesso à água potável, uso da telessaúde e produção de materiais educativos sobre eventos climáticos extremos. A proposta é que os estudantes, junto aos profissionais do SUS, contribuam para identificar problemas e construir respostas que possam ser incorporadas às práticas dos serviços.




