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Pesquisadoras do PPG em Arquitetura e Urbanismo participam de evento com foco em educação ambiental em Paranapiacaba

O objetivo foi tratar da necessidade de protagonismo dos moradores nas discussões e ações voltadas para a preservação e gestão do patrimônio cultural e natural da vila

Na foto, a Profa. Dra. Maria Cristina da Silva Schicchi (ao centro, com óculos), entrega certificado a morador da vila de Paranapiacaba entrevistado para o projeto “Trilhas e Trilhos de Paranapiacaba: Memórias que Conectam”.

As pesquisadoras Profa. Dra. Maria Cristina da Silva Schicchi, Profa. Dra. Ana Paula Farah e Dra. Renata Rendelucci Allucci, do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (POSURB-ARQ) da PUC-Campinas, estão participando do “Junho Verde”, evento que acontece durante todo o mês de junho no distrito de Paranapiacaba e Parque Andreense, em Santo André, e cujo tema deste ano é “Agenda 2030 e Mudança do Clima: Territórios Educativos e Ações que Transformam a Cidade”.

A iniciativa é da Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Santo André e pelo Serviço Municipal de Saneamento Ambiental (Semasa), da mesma cidade, por meio da Gerência de Unidades de Conservação e a participação do trio acontece a convite do gerente de Unidades de Conservação de Santo André, Leandro Wada Simone, e do Secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do mesmo município, Edinilson Ferreira dos Santos.

As ações nas quais o trio esteve ou está implicado (uma delas ainda acontecerá) tiveram ou terão como objetivo sensibilizar os atores-chave envolvidos com o patrimônio cultural de Paranapiacaba a respeito da importância da participação e a necessidade de protagonismo dos moradores do local nas discussões e ações voltadas para a preservação e gestão do patrimônio cultural e natural da vila fundada em 1867 como alojamento para os trabalhadores britânicos da empresa São Paulo Railway, responsável por construir a primeira ferrovia do Estado, que ligava o interior ao Porto de Santos.

Uma das atividades da qual as pesquisadoras da PUC-Campinas participaram foi uma visita gratuita ao chamado “Núcleo Olho d’Água”, uma trilha de nível fácil, com um percurso de, aproximadamente, 850 metros, localizada no Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba.

Núcleo Olho d’Água
A primeira das atividades, ocorrida no último dia 9 de junho, foi uma visita gratuita ao chamado “Núcleo Olho d’Água”, uma trilha de nível fácil, com um percurso de, aproximadamente, 850 metros, localizada no Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba.

Durante o trajeto, alunos e alunas do ensino médio da Escola Estadual Senador Lacerda Franco, localizada no distrito, realizou alguns registros audiovisuais com os organizadores do Festival de Cinema Paranapiacaba 2026, que aconteceu nos últimos dias 19, 20 e 21 de junho, e com as próprias pesquisadoras da PUC-Campinas.

“A visita ao Núcleo Olho d’ Água, contou com a interação de vários atores locais e propiciou conversas com moradores de várias faixas etárias, numa atividade de reconhecimento dos lugares importantes dentro do Parque Nascentes de Paranapiacaba. O parque foi criado em 2003, mas a reserva natural sempre fez parte da vida dos moradores da vila. Há muitas memórias ligadas aos momentos de lazer das famílias, pois, no entorno do casario, há várias trilhas, muitas delas ligando o local às nascentes da região, aos reservatórios de água construídos pelos ingleses ou a caminhos relacionados à ferrovia, como a Trilha de Conserva (também conhecida como Trilha da Água Fria – um percurso circular, de nível moderado, com cerca de 8,4 quilômetros de extensão, que passa por sistemas históricos de captação de água da antiga ferrovia), ou mesmo para acesso à área urbana, como o Caminho do Sal (rota ecoturística em meio à Mata Atlântica, com cerca de cinquenta quilômetros, que conecta São Bernardo do Campo, Santo André e Mogi das Cruzes)”, explica Maria Cristina.

O lançamento do projeto “Trilhas e Trilhos de Paranapiacaba: Memórias que Conectam” aconteceu no Cine Lyra de Paranapiacaba, o primeiro cinema do Estado de São Paulo e o segundo mais antigo do Brasil, construído em 1903 e que hoje funciona como um importante polo cultural.

Aniversário e lançamento de projeto
Na semana seguinte, no dia 15 de junho, o trio participou da celebração do aniversário de 23 anos do Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba, acontecido no último dia 5 de junho, e do lançamento do projeto “Trilhas e Trilhos de Paranapiacaba: Memórias que Conectam”, no Cine Lyra de Paranapiacaba, o primeiro cinema do Estado de São Paulo e o segundo mais antigo do Brasil, construído em 1903 e que hoje funciona como um importante polo cultural.

Durante o evento, foi lançada uma coletânea de entrevistas com moradores da vila de Paranapiacaba, que contaram, a partir de suas memórias, histórias sobre o lugar, bem como, sobre as áreas de mata que a circundam. Ao final, os entrevistados receberam certificados.

Segundo a professora Maria Cristina, a iniciativa teve o objetivo de registrar, de maneira permanente e periódica, informações baseadas na memória de moradores sobre as suas relações com a paisagem natural do entorno da vila por meio de registros audiovisuais editados e exibidos no Centro de Visitantes do Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba e em outras plataformas digitais na internet.

Mesa-redonda
Por fim, na próxima segunda-feira, dia 29 de junho, o trio participará da mesa-redonda “Protagonismo Comunitário na Organização da Visitação de Áreas Protegidas do Patrimônio Natural e Cultural”. A atividade também acontecerá no Cine Lyra, às 9h.

A mediação será feita pelas professoras Maria Cristina da Silva Schicchi e Ana Paula Farah e terá como intuito discutir sobre como o protagonismo comunitário pode contribuir com a preservação da paisagem cultural, construção do Plano de Gestão de Paranapiacaba e candidatura da vila a patrimônio mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), que se deu após a assinatura do Termo de Cooperação Técnica entre a PUC-Campinas e a Prefeitura de Santo André, em dezembro de 2024, e que foi coordenado por mim”, explica a professora.

Na próxima segunda-feira, dia 29 de junho, o trio participará da mesa-redonda “Protagonismo Comunitário na Organização da Visitação de Áreas Protegidas do Patrimônio Natural e Cultural”. A atividade acontecerá no Cine Lyra (na foto), às 9h.

A discussão se dará a partir do projeto de pesquisa “Preservação e Gestão de Paisagens da Produção em Territórios Metropolitanos: Paranapiacaba e Região (SP)” e contará com a participação de conselheiros do Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba, monitores ambientais e culturais, pesquisadores, servidores públicos de Santo André e interessados no assunto. A ideia é discutir estratégias para a organização da visitação em áreas protegidas do patrimônio natural e cultural.

“Durante a mesa-redonda, Ana Paula e eu faremos a mediação de um debate com caráter informativo sobre o papel das comunidades para a viabilização de uma cogestão das atividades de visitação às áreas naturais de Paranapiacaba, hoje concentrada na atuação de técnicos de setores da Prefeitura, de forma a criar oportunidades de trabalho envolvendo a população, e como essa mudança pode trazer benefícios para os moradores e para a própria candidatura da vila a patrimônio da humanidade”, comenta Maria Cristina.

Além das pesquisadoras da PUC-Campinas, fazem parte deste projeto, os pesquisadores associados Dr. Enrique Larive López, da Universidad de Sevilla, na Espanha, e as doutoras Milene Soto Suárez e Maria Teresa Muñoz Castilho, da Universidad de Oriente, em Cuba. Ambas as universidades contam com amplos acordos de cooperação acadêmica assinados com a PUC-Campinas e com atividades coordenadas pela professora Maria Cristina.

Além deles, fazem parte da equipe, a doutoranda do POSURB-ARQ, Heloisa Mina Padula, e as bolsistas de Treinamento Técnico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a historiadora Lara Cairo Ribeiro Godoy, a arquiteta Elisa Abreu de Freitas e a estudante de Arquitetura e Urbanismo da Universidade São Judas Tadeu (USJT), Mariana Kelly Oliveira Lebens.

Exposição
Ao longo do dia, haverá ainda uma rodada de apresentações sobre o protagonismo comunitário no turismo com exposições da Prefeitura de Santo André, da Associação de Monitores Ambientais e Culturais de Paranapiacaba, da Associação Caminhos do Cambuci e do Instituto Linha d’Água, apresentando o caso da Associação de Moradores das Comunidades do Itacuruçá e Pereirinha (AMOIP), uma entidade formada por caiçaras, fundada em 2010 e sediada em Cananeia, no litoral paulista, que realizou uma parceria com o poder público para a promoção da visitação do Núcleo Perequê, no Parque Estadual da Ilha do Cardoso.

O “Junho Verde” é um projeto com foco na educação ambiental e na valorização da Mata Atlântica e que dura todo o mês com a realização de uma série de atividades ecológicas e educativas para celebrar a natureza e a história da vila de Paranapiacaba.

Sobre o “Junho Verde”
O “Junho Verde” é um mês de eventos promovido pela Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Santo André e pelo Serviço Municipal de Saneamento Ambiental (Semasa), da mesma cidade, por meio da Gerência de Unidades de Conservação.

O foco é a educação ambiental e a valorização da Mata Atlântica, com a realização de uma série de atividades ecológicas e educativas para celebrar a natureza e a história da vila de Paranapiacaba. Além disso, o evento acontece durante o mês de aniversário do Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba.

Neste ano, o projeto, cujo tema é “Agenda 2030 e Mudança do Clima: Territórios Educativos e Ações que Transformam a Cidade”, busca reforçar o compromisso do município do ABC Paulista com o desenvolvimento sustentável ao integrar iniciativas globais voltadas à construção de cidades mais preparadas para o futuro.

Sobre Paranapiacaba
Paranapiacaba é uma vila que faz parte do distrito de Paranapiacaba e Parque Andreense, pertencente do município de Santo André, na Região Metropolitana de São Paulo. Primariamente, surgiu como centro de controle operacional e residência para os funcionários da companhia inglesa de trens São Paulo Railway, que operava as estradas de ferro que realizavam o transporte de cargas e pessoas do interior paulista para o porto de Santos e vice-versa. Na chamada “Parte Baixa”, é onde fica a famosa “Vila Inglesa”, com suas casas de madeira que remetem ao estilo vitoriano.

Devido à sua riqueza e importância histórica e arquitetônica é considerada não só um patrimônio arquitetônico, mas natural, cultural e industrial, sendo ainda conhecida como um importante destino turístico, principalmente em relação as atividades de ecoturismo e turismo histórico-cultural.



Daniel Bertagnoli
25 de junho de 2026

/* CONTEUDO PROGRAMATICO*/