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Mulheres e jovens garantem alta do emprego formal na RMC em junho, aponta Observatório PUC-Campinas

Região criou 1.249 vagas e reverteu quedas dos anos anteriores, mas estudo alerta para estagnação estrutural e alta rotatividade

O mercado de trabalho formal na Região Metropolitana de Campinas (RMC) voltou a respirar em junho deste ano. A região registrou a criação líquida de 1.249 postos de trabalho, revertendo as quedas observadas no mesmo mês nos dois anos anteriores – 2023 e 2024. No entanto, o crescimento dependeu exclusivamente da contratação de mulheres e de jovens em início de carreira, enquanto a tendência estrutural da região aponta para a estagnação. Os dados fazem parte do “Boletim do Emprego na RMC”, elaborado pelo Observatório PUC-Campinas.

De acordo com o estudo, apesar do saldo positivo no mês, o volume de contratações ainda está muito distante do patamar observado entre 2021 e 2022. A análise da tendência de fundo, que desconta efeitos sazonais, mostra que a geração de empregos na região praticamente zerou, caindo de +1.073 postos (em julho de 2025) para apenas +47 (em junho de 2026). Segundo os autores, a trajetória estrutural do emprego na RMC encontra-se no “limiar entre expansão e estagnação, e não em uma recuperação consistente”.

O peso das mulheres e dos jovens

O grande destaque do boletim é a profunda disparidade de gênero e idade nas contratações. O resultado positivo de junho foi integralmente sustentado pelas mulheres, que registraram saldo de +1.408 vagas, compensando a perda de postos masculinos (-159).

No acumulado de 12 meses, essa diferença é ainda mais drástica: enquanto as mulheres conquistaram 12.462 novas vagas, os homens perderam 4.442. Apesar de impulsionarem o mercado, a desigualdade salarial persiste: a remuneração média de admissão feminina foi de R$ 2.335,47 frente aos R$ 2.619,55 pagos aos homens. A retração do emprego masculino está diretamente ligada ao encolhimento de setores que tradicionalmente empregam mais homens, como a Construção Civil e a Indústria de Transformação.

Em relação à idade, o mercado de trabalho na RMC fechou as portas para os mais velhos em junho. Todas as faixas etárias acima dos 24 anos fecharam o mês no vermelho. A faixa de 25 a 39 anos foi a mais atingida (-142 vagas). O saldo positivo da RMC dependeu inteiramente da entrada de jovens de até 17 anos e de 18 a 24 anos no mercado formal.

Outro dado que chama a atenção no estudo do Observatório PUC-Campinas é a perda de vagas para os trabalhadores mais escolarizados. O grupo com Ensino Superior e Pós-Graduação segue negativo no acumulado de 12 meses, com o fechamento de 1.104 postos. Essa retração afeta justamente a parcela de maior remuneração média da região – R$ 4.138,46, quase o dobro das demais faixas. No mês de junho, apenas quem possui Ensino Médio Completo teve saldo positivo.

Dinâmica dos setores e municípios

A Educação foi o setor que mais demitiu em junho (-790), mas o maior vilão da perda de empregos no acumulado de 12 meses continua sendo a Construção Civil.

Na outra ponta, o Comércio foi o setor que mais contratou em volume (mais de 11,8 mil admissões no mês), mas o estudo alerta para a alta rotatividade na área. O grande volume de admissões é acompanhado por um volume quase igual de demissões, fazendo com que o saldo líquido do Comércio nos últimos 12 meses (+3.072) fique atrás do setor de Saúde (+3.738), que admite muito menos, mas retém mais seus profissionais.

Entre os 20 municípios da RMC, Campinas segue como o grande motor regional, liderando a geração de empregos tanto em junho (+926) quanto em 12 meses (+3.677). O pior desempenho do mês ficou com Vinhedo (-433 vagas). Já na janela de 12 meses, a maior perda acumulada pertence a Paulínia, que fechou mais de 2 mil postos de trabalho no último ano, apesar de um leve respiro positivo neste mês de junho.

Confira o estudo completo aqui. 

 



Gabriela Ferraz
25 de agosto de 2026

/* CONTEUDO PROGRAMATICO*/