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Centro de Estudos Africanos comemora 3 anos de atuação na Universidade

Evento realizado no Auditório do Campus I homenageou 50 personalidades que contribuíram com a formação do Centro e com ações de combate ao racismo

O Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Dra. Nicéa Quintino Amauro (CEAAB) comemorou, em 20 de agosto, três anos de atuação na PUC-Campinas. O evento, realizado no Auditório do Campus I, foi marcado por homenagens a 50 personalidades que contribuíram com atividades do Centro e marcaram de alguma forma seus nomes nas ações desenvolvidas nesse período.

Marcaram presença no evento o Reitor da Universidade, Prof. Dr. Victor de Barros Deantoni; o Vice-Reitor, Prof. Dr. Ricardo Luís de Freitas; a Secretária de Cultura e Turismo de Campinas, Alexandra Caprioli, representando o prefeito Dário Saadi; Marcela Regina Miguel Reis, Presidente do Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra de Campinas; e convidados dos homenageados.

Diálogo Permanente

Para o Reitor da PUC-Campinas, o CEAAB deu forma institucional ao compromisso de combater o racismo estrutural por meio do diálogo permanente, de parcerias efetivas e de ações consistentes. Segundo ele, como Instituição de ensino superior, cabe à PUC-Campinas não apenas reconhecer essas estruturas, mas atuar para transformá-las, formando profissionais e cidadãos capazes de identificar e de enfrentar essas desigualdades em suas respectivas áreas de atuação.

“Ao longo desses anos, o Centro tem cumprido esse papel com consistência, conectando a comunidade acadêmica às questões étnico-raciais por meio de ações concretas de Ensino, Pesquisa e Extensão, e valorizando a contribuição da cultura africana e afro-brasileira na construção do conhecimento e da sociedade brasileira. Nesse ano em que a PUC-Campinas celebra 85 anos de história, a trajetória do CEAAB nos lembra que a relevância de uma universidade se mede também pela sua disposição de dialogar e transformar a sociedade, contribuindo para um mundo de comunhão entre as culturas, de justiça, de paz e, acima de tudo, de respeito”, afirmou.

Balanço dos 3 anos

Ao fazer um balanço desses três anos, a Comendadora Edna Almeida Lourenço, Coordenadora do Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Dra. Nicéa Quintino Amauro, destacou como uma das principais conquistas a aproximação e a parceria construída com as seis Escolas da Universidade. Segundo ela, mais do que ampliar a presença do Centro nas Faculdades, essa atuação tem contribuído para fortalecer o debate sobre o racismo e promover ações concretas de enfrentamento e educação para as relações raciais.

“Hoje, desenvolvemos projetos com todas elas, seja na Curricularização da Extensão ou no letramento racial. As Faculdades entenderem que precisamos combater o racismo, reconhecer que o racismo existe e compreender que temos caminhos e ferramentas para enfrentá-lo. Fico muito feliz com essa conquista e, principalmente, com a ampliação do legado que estamos deixando aqui. É uma forma de ampliar esse debate, que é tão necessário e importante”, destacou a Comendadora Edna Lourenço.

A parceira mais recente foi desenvolvida com a Escola Politécnica, que reúne 18 Cursos de Graduação. De acordo com o Prof. Dr. Sérgio Roberto Pereira, docente da POLI, o trabalho consistiu na compreensão sobre as origens e o perfil dos alunos. “A convite da Comendadora Edna, começamos a entender a trajetória dos nossos estudantes. Como acadêmicos, decidimos documentar esse processo e criar uma pesquisa sobre diversidade e inclusão. Os recortes de representatividade na engenharia mostram que temos pouquíssimas mulheres e pouquíssimos negros. Só estudando essas razões podemos propor ações concretas. Levaremos essa discussão ao Congresso Brasileiro de Ensino de Engenharia para mostrar que, assim como já se debate a presença feminina, é fundamental pautarmos a inclusão dos negros nas engenharias”, explicou.

Momento Cultural

A programação do evento também contou com um momento cultural que celebrou a arte, a música e a valorização da cultura negra. As apresentações reuniram o Instituto Anelo: Música que transforma; o artista Leandro Marçal; o Coral Dandara e Zumbi: Vozes que ecoam, sob a regência da maestrina Fátima Viegas; e o rapper Fuluke.

A diversidade de linguagens e expressões artísticas trouxe ainda mais significado à celebração, reforçando a cultura como instrumento de identidade, memória, resistência e transformação social.

Homenagens

As homenagens foram divididas em dois momentos. O primeiro deles homenageou com uma placa de agradecimento as pessoas comprometidas com a luta antirracista e com a promoção de igualdade de direitos e oportunidades.

Entre os homenageados, o Grupo de Estudos de Cosmovisão e Tradição de Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e Inter-religioso. O grupo foi o responsável pela produção da cartilha “O Grito da Floresta”, que reafirma o compromisso e o papel fundamental da preservação da natureza para o equilíbrio da vida e do planeta. A publicação, levada à COP 30, também integrou a Curricularização da Extensão da Faculdade de Ciências Sociais.

No segundo bloco, os homenageados receberam um troféu Dra. Nicéa Quintino Amauro, em reconhecimento pela dedicação, compromisso e relevantes contribuições que fortaleceram as ações e iniciativas desenvolvidas pelo Centro ao longo de sua trajetória.

As escritoras e coautoras que participaram do projeto “Mulheres Negras Publicam” também foram homenageadas na cerimônia. A iniciativa resultou na publicação, pela Editora Splendent, de seis livros sobre a identidade, a memória e a história de mulheres negras.

“É importante reconhecer essas pessoas e, principalmente, a trajetória de luta de combate ao racismo. Então, não é simplesmente uma homenagem, é reconhecer a trajetória da pessoa e a parceria”, complementou a Comendadora Edna Lourenço.

Confira a galeria de homenageados



Jean Spaduzano
21 de agosto de 2026

/* CONTEUDO PROGRAMATICO*/