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As doenças do aparelho circulatório e os traumas cerebrais podem provocar uma seqüela que compromete as áreas do sistema nervoso central responsáveis pela linguagem, a afasia. Problemas que envolvem jovens, adultos, homens e mulheres. Dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) de Campinas indicam que as doenças do aparelho circulatório, na qual se enquadra o Acidente Vascular Cerebral (AVC), aumentaram entre 2000 e 2003, data da última pesquisa. Os acidentes de trânsito respondem por uma considerável parcela de pessoas, em especial as mais jovens, que podem ficar com alguma lesão cerebral prejudicando a fala. A Clínica de Fonoaudiologia da PUC-Campinas oferece um serviço de reabilitação e atende cerca de 60 pacientes dentro de um projeto de pesquisa e extensão.

No ano de 2000, em Campinas, foram 1.573 mortes provocadas por essas doenças, Do total de vítimas, 838 eram homens. Em 2003 foram 1.784 casos, dos quais 950 eram homens. O AVC é o terceiro responsável pelo número de mortes no Ocidente e a segunda causa de comprometimentos cognitivos, perdendo apenas para a doença de Alzheimer.. No segundo semestre de 2005, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) contabilizou um aumento de 34% das ocorrências, em relação ao primeiro semestre daquele ano. No total, foram cerca de 1,6 mil acidentes com vítimas, das quais 44 morreram.

A aposentada Ana Tereza da Silva, que há sete anos teve um AVC, sofre de afasia e é atendida na Clínica de Fonoaudiologia da PUC-Campinas há um ano. Segundo a professora da Faculdade de Fonoaudiologia Ivone Panhoca, quando a paciente chegou ela falava apenas quatro palavras: isso, obrigada, o nome do marido e o da filha. “É visível a evolução. O vocabulário se expandiu e seus recursos comunicativos são bem maiores. Além disso, ela consegue cantar com excelente desempenho”. Apaixonada pela música Alma Gêmea, de Fábio Júnior, Ana canta sem pular uma palavra sequer. “No final do ano fizemos uma apresentação e foi uma choradeira. Os pacientes que falavam muito pouco conseguiram cantar e emocionaram as famílias e a nós”, completou a aluna do 4º ano Polyana Baptista, responsável pelo encaminhamento da paciente à clínica.

A professora Ivone trabalha, desde 2004, em um projeto de pesquisa e extensão com pacientes afásicos e familiares e conta com a participação de alunos. “Hoje são 13 alunos dos 2º, 3º e 4º anos trabalhando de forma responsável e dedicada com essas pessoas”, completou. Ela salienta que o trabalho com essas pessoas contribui não apenas para a formação profissional do aluno, mas para a formação humanística. “Depois que comecei a trabalhar com essas pessoas me sinto mais feliz. Vejo a vida de forma diferente”, ratificou u a aluna Gislaine Vanessa Paulino.

A meta da professora é promover parcerias com outros profissionais da Universidade para oferecer a esses pacientes atendimentos de Psicologia, Fisioterapia, Odontologia, Educação Física e Terapia Ocupacional. Além disso, Ivone planeja inseri-los em atividades como pintura, dança, coral e teatro. A pesquisadora ressalta que a persistência, o apoio familiar e a dedicação são fundamentais para a melhora dos pacientes “Não se pode falar em cura, dada a natureza neurológica do acometimento. Mas pode-se falar, em inclusão social e em melhoria da qualidade de vida”, explicou Ivone. De acordo com ela, o cantor Herbert Vianna é um símbolo de que pode haver melhora após comprometimentos neurológicos. “Está sendo lançado um filme sobre sua história, Herbert Bem de Perto. Pretendo utilizá-lo tanto em aulas, quanto nos trabalhos que fazemos com os pacientes e familiares”, finalizou.

Serviços

Clínica de Fonoaudiologia: (19) 3729-6844 e 3729-6843



Portal Puc-Campinas
26 de abril de 2006