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Primeiro episódio do Podcast “Sentidos da Ciência” mostra como a IA atua como ‘guardiã’ das águas

Episódio de estreia do programa debate o uso de tecnologias de ponta para garantir a segurança hídrica nas Bacias PCJ

 

A PUC-Campinas lançou o podcast “Sentidos da Ciência”, um novo espaço de divulgação científica idealizado para demonstrar o impacto prático das pesquisas de seus Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu. Com a proposta de traduzir o conhecimento acadêmico para a sociedade, o episódio de estreia detalha como o uso de Inteligência Artificial e tecnologias avançadas de monitoramento tem auxiliado na garantia da segurança hídrica das Bacias PCJ (rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), responsáveis pelo abastecimento de 76 municípios.

Produzido com uma linguagem acessível e dinâmica, o projeto tem a missão de aproximar a Academia da Comunidade, evidenciando como os estudos de Mestrado e Doutorado se convertem em benefícios diretos para a população, substituindo termos complexos por exemplos práticos que materializem a aplicabilidade da ciência na resolução de problemas contemporâneos.

Para ilustrar essa conexão entre a Universidade e as demandas atuais, o primeiro episódio recebeu o Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella e o aluno de mestrado Julio Cardoso Pereira. Eles lideram um projeto que utiliza Inteligência Artificial (IA), Internet das Coisas (AIoT) e Big Data para o monitoramento em tempo real da qualidade e da quantidade das águas da região.

Durante o programa, os pesquisadores detalharam as etapas de estruturação do estudo. Inicialmente, a equipe realizou o mapeamento de mais de 4.700 artigos científicos em bases de dados internacionais, filtrando os 106 trabalhos mais inovadores da área. Em seguida, o grupo conduziu entrevistas com mais de 40 especialistas e gestores de companhias de saneamento, como Sanasa, Cetesb e DAE Jundiaí, com o intuito de compreender quais soluções globais são viáveis na realidade brasileira, especialmente diante de eventos climáticos extremos como secas prolongadas. O projeto ainda está em fase de desenvolvimento.

Tecnologia em três frentes de ação

No podcast, os ouvintes compreenderão como essa bagagem acadêmica já está sendo aplicada por meio de três frentes tecnológicas. A primeira delas atua na detecção de anomalias. Utilizando IA, o sistema analisa os dados telemétricos coletados nos rios em questão de minutos. Em caso de despejo clandestino de poluentes, por exemplo, a tecnologia identifica a mudança abrupta no pH ou na turbidez da água e gera um alerta imediato. O mecanismo permite que as estações de tratamento interrompam a captação antes da contaminação do sistema, modelo que já opera experimentalmente no distrito de Artemis, em Piracicaba.

Além do monitoramento direto nas águas, o projeto conta com um sistema de varredura de notícias. Trata-se de uma ferramenta inteligente que acompanha ininterruptamente os portais jornalísticos para identificar acidentes que possam afetar as bacias hidrográficas, como o tombamento de cargas tóxicas em rodovias ou o rompimento de barragens. A plataforma estrutura essas informações e gera mapas de alerta antecipado para os gestores responsáveis.

A terceira frente de atuação do projeto concentra-se na democratização da informação. Para evitar que os dados fiquem restritos aos técnicos da área, a Inteligência Artificial é empregada no processamento de relatórios complexos, gerando boletins periódicos sobre a qualidade da água de forma automatizada. Com uma linguagem adaptada e didática, o sistema garante que a população consiga compreender as reais condições do recurso que está consumindo.

Da academia para as políticas públicas

O episódio de estreia enfatiza o papel estratégico da Universidade no apoio aos governos e instituições públicas. Inserido em um edital de Políticas Públicas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e caracterizado como o embrião de um projeto da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), o estudo coordenado pelo Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella visa a transferência tecnológica direta para a gestão pública.

As inovações debatidas ao longo do programa ultrapassam os muros da Universidade e já estão previstas para integrar as metas de revisão do plano de bacias do PCJ, auxiliando na formulação do futuro da gestão de recursos hídricos no estado de São Paulo.

Como ouvir:

O primeiro episódio do Sentidos da Ciência já está disponível nos canais oficiais da Instituição.

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Gabriela Ferraz
27 de abril de 2026