
Estudantes de Arquitetura e Urbanismo apresentam esculturas baseadas em obras do Construtivismo
O intuito da atividade foi celebrar as onze décadas de arte concreta e abordar, pedagógica e instrumentalmente, a geometria
Os estudantes do 1º semestre da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo apresentaram, no último dia 13 de março, diversas esculturas baseadas em obras do Construtivismo, movimento artístico e arquitetônico de vanguarda surgido na Rússia entre os anos de 1913 e 1914 e que se consolidou após a Revolução de 1917, e defendia uma “arte utilitária” a serviço da sociedade, utilizando formas geométricas; materiais industriais, como o vidro e o ferro; e técnicas como a fotomontagem, rejeitando a arte tradicional e o individualismo.
Com o intuito de celebrar as onze décadas de arte concreta, a ideia de se desenvolver tais obras, segundo o Prof. Me. Caio de Souza Ferreira, foi abordar, pedagógica e instrumentalmente, a geometria, fazendo com que os alunos e alunas pudessem entender o desenho “como parte de um processo de controle e desenvolvimento de ideias, materiais e estruturas, dentro de um recorte histórico que está inserido na arte concreta construtivista e, através dele, da análise desta mesma arte, para que pudéssemos, o professor (Me. Fábio de Almeida) Muzetti e eu, passarmos os conceitos aos estudantes e instrumentalizá-los como aquilo que é o foco pedagógico da disciplina ‘Geometria da Arquitetura’, a qual esta atividade está vinculada”.
Caio continua dizendo que o componente curricular em questão é da área de linguagem e, portanto, instrumental no curso de Arquitetura, ensinando o aluno a desenhar e a se expressar através do desenho, bem como usando-o como um instrumento de domínio dos processos de produção material, que levam a construção de edifícios e objetos e ao design.
“Dentro da arte concreta construtivista e do recorte histórico escolhido, os estudantes podem analisar, estudar os artistas e produzir os seus trabalhos dentro da mesma lógica. É uma matéria eminentemente prática, mas é óbvio que é preciso entender o contexto histórico da arte e os pressupostos dos artistas para se ter um embasamento teórico, que é bastante necessário”, explica Caio.
Edifícios como grandes esculturas
Ele diz ainda que os alunos e alunas demonstraram que compreenderam os conceitos ensinados através de uma “produção autoral criativa, de esculturas autorais, porque é só construindo que o arquiteto pode dominar os materiais para fazer o espaço, o que é altamente necessário. É que quando a gente faz estruturas, os edifícios em si, nada mais é do que a gente dominando cada processo construtivo e cada material para poder construir e, nesse sentido, a arte, sobretudo a arte concreta construtivista, particularmente, apresenta um grande foco na compreensão da natureza do material e, através dos procedimentos de intervenção nesse material, é possível constituir o espaço e compor artisticamente, trabalhando dentro de uma linguagem, de uma estética específica dos materiais e isso é muito coerente com a atividade profissional do arquiteto, cuja principal atribuição é colocar uma função dentro das esculturas urbanas, afinal, edifícios nada mais são do que grandes esculturas feitas de concreto, metal, madeira, vidro e outros materiais, mas com uso interno, sejam elas escolas, habitações ou instituições”.

Com o intuito de celebrar as onze décadas de arte concreta, a ideia de se desenvolver tais obras, segundo o Prof. Me. Caio de Souza Ferreira, foi abordar, pedagógica e instrumentalmente, a geometria, fazendo com que os alunos e alunas pudessem entender o desenho “como parte de um processo de controle e desenvolvimento de ideias, materiais e estruturas, dentro de um recorte histórico que está inserido na arte concreta construtivista”.
Em relação as esculturas feitas pelos estudantes, o professor explica que este tipo de trabalho é realizado, simplesmente, no campo da arte, dominando o material para fazer o espaço sem que ele tenha uma função específica, mas que, do ponto de vista da instrumentalização do estudante no sentido profissional, é a mesma operação mental que se faz para se produzir uma escultura e, consequentemente, para se produzir a arquitetura. “O aluno aprende, na prática, de uma maneira quase que intuitiva, como funcionam essas propriedades naturais de cada material, o que eu posso fazer com ele e como, dentro deste procedimento, eu extraio o desenho próprio de cada um”.
Arte peculiar
“A arte concreto-construtivista é muito peculiar, porque ela nasce em um recorte histórico da Revolução Russa, como um instrumento de inovação, de propaganda, de toda uma transformação social. Ela introduz elementos absolutamente inovadores e tira o caráter figurativo da arte. A arte passa a ser um laboratório da sensibilidade, das cores, dos materiais e do concretismo. E as coisas são o que elas são. Nesse sentido, a arte concreta é importante para que a gente compreenda essa atuação profissional na essência desse domínio e ela se desdobra ao longo do tempo até os dias de hoje e não é especificamente circunscrita ao período da sua gênese, mas vem se desdobrando ao longo dos anos com diferentes momentos e movimentos: os neoconcretos, no Brasil; os minimalistas; os contemporâneos e por aí vai. Existem artistas ainda vivos em produção, então, é uma arte que não se limita a um recorte histórico. É uma maneira de se pensar a arte sem que ela seja figurativa, mas com o domínio das tecnologias e dos materiais”.
Ainda sobre os materiais, o professor comenta que, “se, no passado, eles eram o início da indústria, na atualidade, com o advento de novos elementos, nós temos essa arte sendo produzida através de tecnologias absolutamente inovadoras, com o computador interagindo com a produção da arte como um elemento essencial e indispensável e a arte acompanhou os meios de produção, as tecnologias, dentro da mesma lógica de quando ela nasceu na Revolução Russa e, agora, esse trabalho acontece em uma escala muito maior”.
Sobre as esculturas apresentadas
Sobre as esculturas apresentadas, Caio diz que estas são “recombinantes escultóricos”, ou seja, uma releitura dos artistas do Construtivismo, com a reinterpretação de procedimentos dos materiais de uma produção autoral, que, ao final, chegará em um exercício correlato, muito parecido, onde os materiais são dados e o trabalho se desenvolve com tenso-estruturas, que são grandes tendas de tecido e pontaletes de madeira, que eles trabalham como se fossem esculturas, dominando-as em modelos e maquetes e, ao edificarem grandes tenso-estruturas pelo Campus I, eles, efetivamente, constroem a obra que foi projetada.
“Para o aluno, tudo isso traz uma dimensão da percepção profissional que é muito importante, porque ele não fica cinco anos estudando isso somente na teoria. Ele vê, efetivamente, uma ideia intangível ser materializada em maquetes, modelos, na prática, e depois isso ser, de fato, edificado. Isso só é possível porque a gente usa materiais leves, bastante acessíveis, baratos e em um processo absolutamente seguro de se edificar um espaço de escala real”, esclarece o professor.
Sobre as tenso-estruturas
As tenso-estruturas serão realizadas com tecido e madeira e, segundo Caio, o procedimento mental é o mesmo, só que os estudantes precisam entender “a natureza do tecido, como ele funciona, qual é o seu comportamento e a natureza do pontalete de madeira e compor esses dois materiais para fazer uma estrutura a ser apresentada no final do semestre, porque é um processo, do ponto de vista pedagógico, em que eles vão trabalhando em diversos ciclos de produção, em que a discussão é sempre coletivizada. Não existe uma avaliação individualizada. A gente preza muito por discutir, realizar uma reflexão coletiva para que um possa aprender com o trabalho do outro, com a experiência do outro. Então, se eu trabalho com metal, o meu colega pode trabalhar com madeira, e cada um traz uma experiência específica”.
“Toda semana, nós desenvolvemos uma discussão coletiva e a partir dela é que vai se desenvolvendo a obra propriamente dita, ou seja, a ideia vai se lapidando a partir dessa coletivização, dessa reflexão conjunta dos alunos e alunas com os professores”, finaliza o professor.

Para a estudante Lorena Grecco (a primeira da dir. para esq.), participar desta atividade foi “bem interessante, por ela ser bastante prática, com a gente podendo experimentar uma série de materiais”. A obra desenvolvida pelo seu grupo de trabalho, com placas de alumínio, foi a obra “Tema Esférico – Variação Penetrada”, do escultor russo Naum Gabo, que foi criada pelo artista, em várias versões, entre o final dos anos 1930 e início dos anos 1940.
Experimentando materiais
Para a estudante Lorena Grecco, participar desta atividade foi “bem interessante, por ela ser bastante prática, com a gente podendo experimentar uma série de materiais. Nós desenvolvemos, com placas de alumínio, uma das obras do escultor russo Naum Gabo, o “Tema Esférico – Variação Penetrada”, criada pelo artista, em várias versões, entre o final dos anos 1930 e início dos anos 1940, e que é um exemplo fundamental do Construtivismo. Ela explora a interpenetração do espaço, a luz e a forma geométrica e foi concebida, originalmente, em cobre. Eu adorei fazê-la, porque quando você a gira, é possível perceber muitas nuances que seriam impossíveis se ela ficasse estática. É por isso que, mesmo dando trabalho, o processo de produção foi maravilhoso”.
Ainda sobre a ação, ela salienta que “é maravilhoso quando a gente consegue fazer a forma que nós escolhemos ficar em pé. É uma aula bem dinâmica e eu tenho gostado bastante. Dá um pouco de nervoso, porque a gente não sabe se vai dar certo, mas, de fato, é só testando que a gente vai descobrir e, por isso mesmo, é uma atividade super útil, em especial, porque nós teremos de montar as tendas, posteriormente, realizando o que nós fizemos agora em tamanho real. Enfim, é um conhecimento que, com certeza, será muito útil durante toda a nossa vida como profissionais da arquitetura, porque, afinal, se trata dos materiais com os quais trabalharemos”.
Desenvolvendo a criatividade
A estudante Luísa Borges de Souza, por sua vez, diz ter gostado muito da atividade, porque, segundo ela, “é nesse tipo de ação que a gente desenvolve a nossa criatividade, algo muito importante dentro do nosso curso, em especial, se quisermos nos formar como bons arquitetos. E a gente trabalhou em grupo, realizou mesas de discussão e isso nos ajudou muito, pois foi interessante ver e analisar como os outros grupos trabalharam e desenvolveram os seus projetos”.

A estudante Luísa Borges de Souza disse ter gostado muito da atividade, porque, segundo ela, “é nesse tipo de ação que a gente desenvolve a nossa criatividade, algo muito importante dentro do nosso curso, em especial, se quisermos nos formar como bons arquitetos. E a gente trabalhou em grupo, realizou mesas de discussão e isso nos ajudou muito, pois foi interessante ver e analisar como os outros grupos trabalharam e desenvolveram os seus projetos”.
Sobre as esculturas, ela explica que “o nosso grupo apresentou três trabalhos. Foram releituras do venezuelano Jesús-Rafael Soto, do norte-americano Richard Serra e do argentino Julio Le Parc. O que eu posso dizer é que Soto queria acabar com uma certa visão de arte passiva, então criava esculturas que representavam a cinética e não o estático, apresentando o Geometrismo, ou seja, o uso dos quadrados, com repetição das formas, fazendo as obras parecerem ilusórias e que, em alguns casos, mesmo sendo estáveis, pareciam estar em movimento”.
“No caso de Richard Serra, ele queria que os espectadores pudessem presenciar a arte, não só observá-la, sendo possível percorrer e ter diferentes perspectivas da escultura ao andar por ela, trabalhando com a questão da gravidade. No caso da obra que apresentamos, em sua versão original, isso acontece por ela ter sido realizada por placas de aço muito compridas, dando uma sensação de pressão psicológica, porque parece que a placa nos ameaça, afinal, ela é muito grande. É ameaçadora, de fato. É muito legal a experiência que o espectador que a percorre acaba tendo”, comenta a estudante.
Sobre a última escultura, ela diz que “por fim, a releitura de Julio Le Parc é interessante porque é interativa. À medida que o espectador vai andando, ele consegue ver diferenças de cor, reflexo e a obra vai mudando, balançando com a circulação das pessoas, com o ar e isso tudo acontece no sentido de romper com a passividade da arte, para que o espectador possa ter perspectivas diferentes e consiga interagir com a obra”, comenta a estudante.
Luísa encerra esclarecendo que “no final, acabamos aprendendo, não só com os professores, mas com os nossos próprios colegas. Inclusive, é uma maneira interessantíssima de aprender, com uma grande mesa, apresentando os nossos trabalhos e trazendo tudo aquilo que nós estudamos nas aulas anteriores e colocamos em nossos projetos. Isso é o mais importante, com certeza”.














