Acessibilidade  
Central de Atendimento ao Aluno Contatos oficiais Área do aluno
Vestibular 2023

Trabalhos de extensão da PUC-Campinas levam orientação sobre comportamento suicida

 Realizados dentro do Projeto de Extensão “Girassóis II”, os trabalhos ofereceram para a comunidade orientações de como identificar comportamento de risco e foram destaque em Simpósio

Dois trabalhos vinculados ao Projeto de Extensão da PUC-Campinas, “Girassóis II”, sobre prevenção ao suicídio, ganharam destaque e foram apresentados no Simpósio Latino-Americano de Prevenção do Suicídio, que aconteceu durante a XXIV Jornada Mineira de Psiquiatria, entre 7 a 9 de julho, em Belo Horizonte (MG). Eles levaram à comunidade orientações para identificar o comportamento de risco.

Um deles, o “Sentinelas (gatekeeper training) em Prevenção em Suicídio para Educadores de Escola Pública de Comunidade Vulnerável”, concorreu a prêmio no evento. Trata-se de um trabalho desenvolvido para treinar esses docentes para interpretar comportamentos e ter ferramentas para dar o suporte inicial a esses jovens. Ao todo, 53 educadores participaram do trabalho, que foi desenvolvido durante oito encontros na escola, entre abril e junho deste ano. As atividades foram realizadas pelos alunos extensionistas da PUC-Campinas Pedro Henrique Fernandes Medeiros, Ana Clara Cisneros Bardelin, Isabella Silva Gonçalves e Thaís Ronchi Battaglini.

Pedro Henrique Medeiros e Beatriz Garcia Perondini apresentaram os trabalhos no Simpósio

O estudante Pedro Henrique Fernandes Medeiros foi quem apresentou o projeto no simpósio. “Estar no congresso foi muito gostoso, de ter contato com diversos pesquisadores que trabalham com a temática. Foi muito bom entender como a psiquiatria está enxergando esse processo e, claro, a gente teve a oportunidade de entender muito com os psicólogos que trabalham nessa área. Deu vontade de continuar pesquisando, trabalhando, para aprender cada vez mais sobre o tema”, comenta.

O segundo deles, Sentinela em Prevenção do Comportamento Suicida em um Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), também foi levado ao simpósio. Ele foi realizado pelas alunas extensionistas Beatriz Garcia Perondini, Laura Manzano Corrêa e Paola Longo Mantovani. Neste, foram 23 profissionais que participaram do treinamento, também feito em oito encontros. Nas reuniões, foram apresentadas informações através de vídeos e discussões.

Quem apresentou o conteúdo foi a aluna Beatriz Garcia Perondini. “Minha experiência no projeto tem sido um divisor de águas na minha formação. Poder construir conjuntamente o conhecimento com diferentes atores sociais é um privilégio. Foi uma experiência fantástica poder compartilhar com a comunidade científica nosso trabalho, aprender com eles e construir conhecimentos em uma área tão importante e relevante quanto à prevenção ao suicídio”, explica.

Um resultado importante de ambos os trabalhos é que, segundo relatórios formalizados após o término dos treinamentos, os participantes se mostraram interessados em multiplicar o conhecimento, ou seja, ampliar essa rede de apoio.

Orientação deve ajudar na identificação do comportamento de risco

Os dois trabalhos foram desenvolvidos dentro do Projeto de Extensão “Girasssóis II”, da Profa. Dra. Tatiana Slonczewski, Docente Extensionista da Faculdade de Psicologia da PUC-Campinas. Para a professora, preparar essas sentinelas na sociedade tem um papel fundamental. “Quanto mais pessoas não especialistas forem treinadas com formação suficiente para identificar as situações e saber como manejar minimamente, melhor vamos fazer a prevenção. Não é o que resolve todo tipo de problema, é óbvio, mas é uma das estratégias mais significativas e importantes que temos para levar conhecimento ao máximo de pessoas possível”, explica.

Atenção aos sinais

De acordo com a professora Tatiana Slonczewski, alguns comportamentos podem indicar uma situação que exige um olhar mais cuidadoso. Por isso, é importante que os pais fiquem atentos. “O isolamento, a mudança súbita de desempenho na escola, mudanças que não sejam explicadas por nenhum fator justificável, sinais de sofrimento, quando o jovem parece não estar vivendo a vida de uma forma prazerosa, equilibrada, sinais de que a vida está trazendo dor são fatores importantes de serem observados”, explica.

Próximos passos

O projeto de extensão “Girassóis II” segue pelos anos de 2022 e 2023 e quer ampliar a área de atuação, a fim de orientar um público ainda maior na identificação do comportamento suicida. O próximo passo é transformar o conteúdo organizado em material informativo, por meio de vídeos e até mesmo podcasts. Além disso, os pais de alunos das escolas em que os professores já receberam o treinamento devem ser os próximos beneficiados.

Com a proximidade do “Setembro Amarelo” –  mês de conscientização à prevenção do suicídio – a intenção é também organizar uma campanha forte sobre o tema.

Preocupação em todo Brasil

Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2010 e 2019, o Brasil registrou 112.230 mortes por suicídio. O que preocupa é que esse número cresceu 43% entre o primeiro ano dessa medição e o último: 9.454 mortes em 2010 e 13.523 em 2019. As regiões Sul e Centro-Oeste são as que têm taxas mais altas no país.

 



Carlos Giacomeli
28 de julho de 2022