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Projeto Integrador em Enfermagem fortalece humanização no atendimento do Hospital PUC-Campinas

Estudantes do Curso de Enfermagem criam jogos, cartilhas e livretos para melhorar comunicação entre profissionais, pacientes e familiares

Os estudantes da Faculdade de Enfermagem da PUC-Campinas estão transformando e fortalecendo a comunicação dentro do Hospital PUC-Campinas por meio do Projeto Integrador em Enfermagem V – Processo de Trabalho do Enfermeiro. As ações buscam tornar orientações médicas mais acessíveis, reduzindo assim barreiras que comprometem a segurança e a adesão ao tratamento de idosos, crianças, pacientes com deficiência auditiva, em cuidados paliativos e com doenças cardiovasculares.

Coordenado pela Profa. Dra. Paula Rocco Gomes Lima, docente da Faculdade de Enfermagem da PUC-Campinas, a disciplina tem como foco o Processo de Trabalho do Enfermeiro e a proposta de desenvolver projetos que trabalhem uma das competências essenciais da profissão: a comunicação efetiva.

Segundo a professora Paula, a ideia foi “plantar a sementinha” nos estudantes de Enfermagem, mostrando que, quando o paciente entende e aplica a orientação recebida, os resultados em saúde melhoram. “Por ser um tema recente e pouco difundido na prática clínica, a disciplina busca incluir o letramento em saúde na graduação. O objetivo é formar enfermeiros mais preparados para comunicar de forma clara e efetiva, competência cada vez mais exigida por órgãos reguladores da profissão e pelo Ministério da Saúde”, explicou.

No total, 5 atividades são desenvolvidas dentro do Projeto, são elas: Estratégias Interativas para o fortalecimento da comunicação entre equipe de Enfermagem e pacientes geriátricos hospitalizados acerca das práticas de higiene corporal; O silêncio que adoece: capacitação da equipe de enfermagem para o fortalecimento da comunicação letrada no atendimento aos pacientes com deficiência auditiva; Letramento em saúde nos cuidados paliativos: capacitação da equipe multiprofissional para a assistência ao paciente; Livro lúdico como estratégia de comunicação e acolhimento para crianças hospitalizadas e Letramento em saúde nas orientações de alta para pacientes com doenças cardiovasculares.

Bingo educativo

Para garantir e melhorar essa comunicação entre profissionais e pacientes idosos, foi desenvolvida dentro do projeto uma atividade lúdica: um bingo educativo temático, elaborado para abordar conteúdos relacionados à higiene corporal, comunicação em saúde e letramento em saúde, aplicado junto aos profissionais de enfermagem nos blocos de internação do Hospital PUC-Campinas. A estratégia utilizou princípios de gamificação para promover aprendizado ativo, reflexão crítica e troca de experiências entre os participantes.

Segundo a estudante de Enfermagem da PUC-Campinas, Heloise Cristina de Assis Francisco, a atividade teve ampla participação dos envolvidos e resultou em uma experiência que vai muito além do que qualquer aula consegue oferecer. “A gente cresceu junto com eles, aprendendo tanto quanto ensinando. Pessoalmente, saio dessa experiência com mais empatia, mais maturidade e com a certeza de que o cuidado começa muito antes do procedimento técnico. Ele começa na forma como a gente se comunica, na escuta, no vínculo. E esse projeto me fez enxergar isso na prática”, pontuou.

Folder em Libras

A falta de acessibilidade na comunicação ainda é um dos maiores obstáculos enfrentados por pacientes com deficiência auditiva no sistema de saúde. Para mudar essa realidade, os estudantes promoveram uma ação educativa focada na capacitação de profissionais da saúde. A intervenção consistiu na elaboração e distribuição de um folder informativo contendo orientações sobre comunicação inclusiva, barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência auditiva, fundamentos do letramento em saúde e sinais básicos da Língua Brasileira de Sinais (Libras) aplicados ao contexto assistencial.

A proposta é provocar uma verdadeira mudança na cultura institucional, consolidando a acessibilidade não como um diferencial, mas como uma prática rotineira e obrigatória.

A empatia nos cuidados paliativos

Os cuidados paliativos dependem não apenas de procedimentos técnicos, mas exigem assistência humanizada, conversa clara e decisões tomadas junto com o paciente e a família. Para valorizar esse cuidado, os estudantes de Enfermagem da PUC-Campinas desenvolveram um guia de bolso para orientar médicos, enfermeiros e demais membros da equipe multiprofissional sobre cuidados paliativos e letramento em saúde.

O projeto adotou uma abordagem quantiqualitativa e participativa. Primeiro, os estudantes aplicaram questionários antes da intervenção para mapear o nível de conhecimento da equipe sobre cuidados paliativos e habilidades de comunicação. Após o diagnóstico, foi elaborado e entregue um guia de bolso dinâmico, material que reuniu estratégias práticas de comunicação efetiva, incluindo o método Teach-Back, uma técnica em que o profissional pede para o paciente ou familiar explicar, com as próprias palavras, o que acabou de ser dito, garantindo que a informação foi de fato compreendida.

Livretos lúdicos acolhem crianças hospitalizadas

Os estudantes elaboraram três livretos ilustrativos, com os personagens Pedrinho, Lucca e Lulu, para explicar procedimentos invasivos frequentes de forma mais lúdica. Destinado para crianças de 5 a 12 anos internadas na pediatria, os materiais usam linguagem acessível e inteligência artificial para trazer acolhimento.

Segundo a estudante do 3º ano de Enfermagem, Gabriela Ferreira, a proposta é trazer uma identificação dos personagens com as crianças. “Dependendo da experiência que essa criança tem no hospital, ela pode carregar traumas para o resto da vida.  É muito difícil ver um paciente sofrendo dentro do âmbito hospitalar, ainda mais uma criança. Então, trazer um pouquinho de conforto para elas por meio destes livros é muito gratificante”, contou.

Caderneta facilita alta de pacientes cardíacos

Outra iniciativa dos estudantes foi desenvolver uma caderneta de orientações sobre doenças cardiovasculares composta por informações gerais sobre sinais de alerta, adesão medicamentosa e hábitos de vida saudáveis, além de espaços destinados ao registro individualizado de medicamentos, horários, doses e consultas de acompanhamento.

De acordo com a estudante de Enfermagem, Laura Possatto Previatto Silva, durante o projeto foi aplicada a escala HLQ-Br (Health Literacy Questionnaire) em pacientes internados no Hospital PUC-Campinas, onde foi identificada as dificuldades em compreender e utilizar as informações de saúde, especialmente no momento da alta hospitalar, que é quando eles mais precisam dessa clareza.

“Ver os profissionais da equipe de enfermagem demonstrarem interesse pelo material foi muito gratificante, e reforçou para mim que uma alta bem-feita pode evitar complicações, reinternações e muita angústia para o paciente e sua família. Do ponto de vista profissional, aprendi a importância de adaptar a comunicação a cada pessoa, de ouvir com empatia e de reconhecer que a educação em saúde é uma responsabilidade do enfermeiro tanto quanto o cuidado clínico”, destacou a estudante.



Carlos Giacomeli
18 de junho de 2026