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Nutrição e Terapia Ocupacional se unem para uma vivência culinária prática e inclusiva

Atividade interprofissional é ministrada na disciplina de Gastronomia e Culinária Sensorial e promove a integração entre os dois Cursos em uma simulação de vivência de deficiências físicas e sensoriais

Cozinhar de olhos vendados. Cortar legumes com uma mão imobilizada. Seguir uma receita sem poder falar. Essa foi a realidade dos estudantes do 1º ano da Faculdade de Nutrição da PUC-Campinas, durante uma aula da disciplina de Gastronomia e Culinária Sensorial.

A atividade interprofissional já acontece há cerca de quatro anos, integra os cursos de Nutrição e Terapia Ocupacional da Universidade, e coloca os estudantes para vivenciar limitações físicas e sensoriais no preparo de receitas do dia a dia.

De acordo com a Profa. Dra. Regina Esteves Jordão, docente da Faculdade de Nutrição da PUC-Campinas, a ideia da aula, que é desenhada de forma estratégica, é colocar o estudante em contato com o alimento e com o cuidado desde o início da graduação. A atividade foi ministrada no Laboratório de Dietética, no Campus II, e na dinâmica os alunos e alunas foram divididos em bancadas para simular diferentes cenários no preparado de 5 receitas simples: um assumiu a limitação física, outro a deficiência visual, um terceiro a privação da fala, enquanto um quarto integrante permaneceu sem restrições.

“Alguns grupos deixam a pessoa com deficiência visual sem fazer nenhuma atividade, o que acaba limitando a execução da tarefa e barrando a acessibilidade. Mas, também temos muitas experiências em que o aluno se descobre na atividade, percebendo que tem uma boa comunicação e capacidade de auxiliar. No final, o que vai ser observado? Quem são aqueles alunos que conseguiram ter estratégias de melhoria de comunicação, que tiveram empatia?”, explica a professora Regina.

A dinâmica revela desafios práticos. Para a Profa. Me. Gisele Brides Prieto Casacio, docente da Faculdade de Terapia Ocupacional, a vivência planta uma semente indispensável para o mercado de trabalho: o olhar humanizado. “A ideia é trabalhar a integração, o convívio. É pensar em estratégias adaptativas e fazer estes alunos perceberem o quanto que atividades simples do cotidiano se tornam complexas e o quanto existem diferentes possibilidades de integrar as pessoas com deficiência nos afazeres do dia a dia. A gente percebe que o impacto da vivência vai sendo levado para o restante da formação acadêmica e para a vida profissional também. Eles adquirem a compreensão de que uma limitação física ou cognitiva dita as escolhas alimentares e a autonomia do paciente”, afirma a professora Gisele.

Para quem esteve do lado prático da experiência, o impacto foi imediato. A estudante Giovana Guedes participou da atividade com os olhos vendados, e relata o choque de realidade ao ter que depender diretamente de uma colega para realizar as tarefas na bancada. “Achei muito legal, mas quando a gente não vivencia o que as pessoas passam de dificuldade, é muito difícil. Sem a minha amiga me ajudando, eu não ia conseguir. Como a gente não tem nenhum tipo de dificuldade, para mim foi muito diferente, porque não estamos acostumados a precisar tanto da ajuda de outra pessoa”, destaca Giovana.

A estudante Maria Luisa Bombonati aponta que a experiência foi um grande desafio, já que teve cozinhar sem o movimento de um dos membros superiores. “Eu achei uma experiência muito desafiadora, mas legal. Lógico que aqui foi de uma maneira descontraída. Eu nunca tinha tido contato direto com pessoas que têm deficiência, então, achei muito importante entender na prática como lidar com essas pessoas. Para mim, ter esse conhecimento, conhecer métodos e os materiais que a gente pode usar,  é uma maneira muito boa de preparar a gente para o futuro”, pontua.



Carlos Giacomeli
20 de maio de 2026