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Imunologista da PUC-Campinas destaca importância de prevenção ao coronavírus

Professor Thiago Miranda da Silva diz que não há motivo para pânico em relação à doença

O coronavírus se tornou uma preocupação mundial e tem causado apreensão também no Brasil. O professor de Microbiologia e Imunologia, Dr. Thiago Miranda da Silva, biólogo da Faculdade de Ciências Biológicas da PUC-Campinas, diz que não é preciso ter pânico, mas não podemos nos esquecer de investir na prevenção.

Segundo ele, o coronavírus faz parte de uma família de vírus que infecta principalmente os animais e que, esporadicamente, afeta os seres humanos. O epicentro da contaminação humana do novo Coronavírus (denominado nCov-2019) foi na China, na província de Hubei, e provavelmente ocorreu durante o consumo humano de animais silvestres contaminados.

A letalidade do coronavírus é menor de 3%, mais baixa que a Síndrome Respiratória Aguda Grave, SARs-CoV (que ocorreu entre 2002 e 2004), que chegou a 9%, e da Mers (Síndrome Respiratória do Oriente Médio, que ocorreu em 2013), que atingiu 40%.

“O novo coronavírus é muito menos letal, mas sua propagação é mais rápida e fácil. A transmissão do SARs e Mers era mais complicada e, por isso, mais fácil de controlar”, disse Thiago. Outro fator relevante é que as vítimas fatais do novo coronavírus são pessoas com mais de 50 anos que já apresentavam doenças respiratórias e baixa imunidade.

 Sintomas e prevenção

Os sintomas dos infectados pelo coronavírus são muito parecidos com os do resfriado ou gripes comuns. Na maioria dos casos, as pessoas têm febre, tosse e dificuldades para respirar. Alguns também têm um pouco de coriza, e só os casos mais graves evoluem para pneumonia.

Assim, quem tem esses sintomas só deve se preocupar em duas situações: se esteve na China nos últimos 14 dias ou se teve contato recente com pessoas suspeitas da doença. Neste caso, a pessoa deve procurar imediatamente um serviço médico.

As medidas de prevenção são semelhantes às de outras doenças respiratórias. Deve ser evitado o contato com pessoas que apresentem sintomas como tosse, coriza ou febre, cobrir sempre a boca e o nariz quando estiver tossindo ou espirrando (de preferência com lenços de papel) e, a principal, lavar as mãos constantemente.

“As mãos são as principais vias de transmissão. Por isso, deve-se sempre evitar levar as mãos ao rosto, principalmente colocando na boca, olhos ou nariz. Para manter as mãos descontaminadas, elas devem ser limpas com água e sabão por cerca de 20 segundos. No caso do álcool em gel, basta esfregar nas mãos e esperar secar”, disse Thiago. 

Vacina

O professor acredita que uma vacina será desenvolvida sem dificuldades contra o coronavírus, mas lembra que essa produção demora anos na maioria das vezes. Enquanto isso, o ideal é evitar e controlar a contaminação e a propagação.

“Os órgãos de saúde estão atentos e devem tomar todas as medidas recomendadas para controlar a doença”, disse. Ele também lembra que atualmente é inverno na China, o que facilita a transmissão por lá. Como no Brasil estamos no verão, as temperaturas mais altas podem auxiliar no controle da transmissão, caso a doença chegue ao país.



Marcelo Andriotti
5 de fevereiro de 2020