Acessibilidade  
Central de Atendimento ao Aluno Contatos oficiais Área do aluno

Estudantes de Relações Internacionais criam exposição imersiva 3D com acervo japonês do século 19

Projeto uniu pesquisa histórica, curadoria e tecnologia, com peças da “sociedade do arroz” expostas a partir de fotogrametria

Estudantes do Curso de Relações Internacionais da PUC-Campinas transformaram pesquisa acadêmica em experiência prática ao montar uma exposição imersiva 3D, apresentada em 360º no espaço da CAVE do Programa Manacás, no dia 22 de junho. A atividade contou com peças do acervo japonês pré-industrial, que pertencem ao Museu Universitário da Universidade, e teve com eixo principal a sociedade do arroz a partir da perspectiva de um trabalhador rural.

A imersão contou com a presença de docentes e estudantes do Curso de Relações Internacionais da PUC-Campinas, funcionários do Museu Universitário, da equipe do Programa Manacás, da Vice-Cônsul de Cultura do Japão, Yuka Nogami, e da Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Língua, Literatura e Cultura Japonesa da Universidade de São Paulo (USP), Leiko Matsubara Morales.

O processo, desenvolvido ao longo do primeiro semestre, começou com uma visita à Reserva Técnica do Museu, onde os estudantes puderam conhecer e escolher as peças que iriam compor a exposição. Segundo a professora e orientadora da atividade, Me. Bárbara Dantas Mendes da Silva, a ideia foi dar voz para as peças japonesas. “Não foi só uma atividade de pesquisa acadêmica, mas sim uma construção de conhecimento por parte dos alunos. Ela mostrou que Relações Internacionais é uma área interdisciplinar. Os estudantes perceberam que não é só uma peça de museu, é uma peça de alguém, que pertenceu a alguém, e eles puderam se aprofundar nessa história”, explicou.

Após a escolha das peças, os alunos e alunas tiveram que trabalhar na elaboração das fichas técnicas e legendas, e realizar a digitalização via fotogrametria, etapa que contou com apoio do Programa Manacás.

A fotogrametria é a técnica de extrair informações tridimensionais a partir de fotografias. O estudante de Relações Internacionais, Miguel Forti Daroz, explicou que o trabalho foi desafiador. “Essa técnica da fotogrametria que a gente fez, praticamente ninguém do curso já tinha trabalhado com essa tecnologia, foi uma coisa muito nova para todos nós. A gente teve que tirar aproximadamente de 400 a mil fotos de cada peça. Depois tivemos que aprender a trabalhar com o programa de renderização. Todo o processo foi realmente cansativo, mas muito gratificante”, pontuou.

Para Profa. Dra. Fabíola Cristina Oliveira, gerente do Programa Manacás, esse projeto é enriquecedor pois permitiu estender a técnica de digitalização ao acervo da PUC-Campinas. “É um trabalho interdisciplinar muito rico, porque eles conectam o Japão pré-industrial a uma técnica de digitalização que pode ser usada em outros contextos. Nossa ideia é que as peças digitalizadas sejam inseridas no repositório gerenciado pelo Sistema de Bibliotecas da PUC-Campinas, tornando-se Objetos Educacionais Digitais acessíveis ao público externo”, explicou.

A Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Língua, Literatura e Cultura Japonesa da USP, Leiko Matsubara Morales, reforçou que o uso do digital amplia horizontes. ” Eu, sendo de um programa de estudo japonês, fico feliz de ver essa expansão, o interesse dos brasileiros não descendentes. Esse trabalho é parecido com o de um desenhista de anime. É preciso tirar muitas fotos para manter a qualidade, e é um uso maravilhoso do digital, que amplia o horizonte e o contato com as pessoas, já que qualquer um poderá acessar de qualquer lugar”, avaliou.

A conexão Nipo-Brasileira

Para além do ganho tecnológico, a atividade permitiu aos estudantes compreender o impacto histórico do Japão na própria formação da identidade brasileira.

Segundo a estudante Vitória Ziquelli, pesquisar e conhecer mais sobre a Sociedade do Arroz abriu sua visão sobre a Ásia. “Eu não conhecia muito sobre a Ásia. Sempre ouvi falar, mas nunca tinha pesquisado a fundo. Quando começamos o semestre com o tema Japão, principalmente a Sociedade do Arroz, era algo totalmente novo pra mim, pois não fazia ideia do assunto. O início das pesquisas foi muito interessante porque fomos descobrindo o que o passado do Japão significa hoje, e como esse reflexo aparece no país atualmente. Foi, de fato, uma descoberta”, afirmou.

Já para aluna Amanda Oliveira, ter acesso a outras culturas através de elementos do cotidiano foi algo muito enriquecedor. “A gente passou pela seleção das peças, pesquisa sobre o período Edo, fomos ao museu ver como estavam  este material, fizemos ficha técnica, legenda e fotogrametria. Tudo isso nos aproximou de um lado diferente do curso”, disse.

Sobre o acervo japonês pré-industrial

O acervo utilizado na atividade é fruto do trabalho realizado pelo Prof. Desidério Aytai na década de 1970, e faz parte de uma parceria com o Museu do Homem de Nagoya, no Japão. O material chegou na PUC-Campinas em 1975, e é composto por ferramentas da cultura do arroz, sobretudo do período Meiji.

De acordo com o curador do Museu Universitário da PUC-Campinas, Rodrigo Luiz dos Santos, a parceira com a Faculdade de Relações Internacionais e com o Programa Manacás foi enriquecedora. “O que pulsa um museu universitário é ser o elo entre os alunos, professores e o acervo, para a produção do conhecimento. E esse movimento também é muito interessante com o uso de novas tecnologias para a comunicação do acervo museológico, e ainda começar a apagar a ideia de que os museus são estáticos. Muito pelo contrário, os museus se movimentam com as dinâmicas contemporâneas e seus múltiplos atores. Creio que essa ação colaborativa representa justamente esse movimento: dialogar com o acervo e mostrar suas múltiplas camadas de leituras e possibilidades para a construção e extroversão do conhecimento”, destacou.



Jean Spaduzano
24 de junho de 2026

/* CONTEUDO PROGRAMATICO*/