Acessibilidade  
Central de Atendimento ao Aluno Relacionamento Área do aluno
Vestibular 2022

Documentário de alunos Jornalismo da PUC-Campinas é premiado pela CNBB

Intenção do filme “Ser negro: além das quatro linhas” foi dar voz aos negros que sofreram racismo em atividades ligadas ao futebol

“O negro serve para jogar futebol, mas não para os cargos de comando. Nas três primeiras divisões do futebol brasileiro, com 60 clubes, tem apenas um presidente negro, o Sebastião Arcanjo, da Ponte Preta. São 59 presidentes brancos e um presidente negro. Também há poucos negros como técnicos. O torcedor e a imprensa precisam cobrar mais os clubes sobre isso. Somente a denúncia e o debate podem quebrar este ciclo”. Estas são algumas falas do documentário “Ser negro – além das quatro linhas”, dos alunos Guilherme Ferraz, Daniel Salcedo e Álvaro da Silva Júnior, do curso de Jornalismo da PUC-Campinas. Contribuir com este debate tão necessário foi justamente um dos objetivos do documentário. Orientado pelo professor Carlos Gilberto Roldão, o filme é o vencedor do Prêmios de Comunicação da CNBB – 53ª Edição – 2019-2020, na categoria “Margarida de Prata (Cinema)”, modalidade curta metragem.

“O principal objetivo do nosso trabalho era lançar luz para essa questão do racismo no futebol e, com essa premiação, acho que atingimos o objetivo. Esperamos que mais gente possa assistir o documentário, debater esse problema e pensar a respeito”, afirmou Álvaro da Silva Júnior, um dos idealizadores do filme. A premiação aconteceu no dia 20 de outubro, em evento remoto.

Com cerca de 30 minutos, o documentário é composto por entrevistas com pessoas ligadas ao esporte. “A intenção foi dar voz aos negros, buscamos ouvir pessoas que sofreram racismo, no caso jogadores e até da imprensa esportiva, ou que poderiam contribuir com a nossa narrativa”, explicou Álvaro.

Segundo ele, o grande desafio foi conseguir as entrevistas com nomes como o o presidente da Ponte Preta, Sebastião Arcanjo (Tiãozinho), os ex-jogadores de futebol, Dadá Maravilha e Grafite, o ex-goleiro, Aranha e o jornalista esportivo da Bandeirantes, Júlio Nascimento. Muitas entrevistas acabaram sendo realizadas de modo remoto. O conteúdo foi organizado a partir de três eixos: racismo estrutural; racismo no futebol, e, finalmente, o exemplo da Ponte Preta e sua história de democracia racial.

O filme chama a atenção por condensar em pouco tempo falas impactantes vindas de personagens ligadas do mundo do esporte, que mesmo tendo conquistado reconhecimento profissional vivenciam experiências de racismo. “Isso faz parte da nossa vida: cair, levantar e continuar”, disse o jornalista Júlio Nascimento.

Reflexão

O documentário é resultado do projeto experimental que todos os alunos do último ano do curso de Jornalismo têm que desenvolver. Para o professor Carlos Gilberto Roldão, o reconhecimento do trabalho dos alunos mostra a importância da formação na PUC-Campinas com foco na criação de repertório. “Isso é fundamental, especialmente em um país como o nosso que enfrenta tantos problemas de desigualdade social. O trabalho realizado pelos alunos me deixou muito feliz pela escolha do tema, por conta da importância de discutir o racismo no futebol”, contou Roldão.

Para ele o projeto tem dois grandes méritos. “O primeiro foi despertar esta sensibilidade social dos alunos para um tema de extrema relevância, que mexe com nosso dia a dia de uma maneira intensa e, também, triste”, apontou o professor da PUC. Em segundo lugar, ele lembrou a questão das fontes, aspecto fundamental para ter uma boa história para contar. “Eles conseguiram convencer boas fontes a falar, pessoas interessantes que enriqueceram o documentário e isso fez toda a diferença no resultado final e certamente contribuiu para o reconhecimento nesta premiação”, acrescentou.

Os Prêmios de Comunicação foram criados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com o objetivo de oferecer um reconhecimento público da Igreja Católica ao trabalho de profissionais da comunicação social nos diversos meios que apresentaram suas obras e se distinguiram pelo serviço à dignidade humana e aos valores do Evangelho. Eles também têm por objetivo estimular, fomentar e reconhecer as boas iniciativas de trabalho jornalístico e cultural provenientes de todo o país nas áreas do Cinema, Rádio, Televisão, Imprensa e Internet, bem como do campo da pesquisa acadêmica em comunicação e iniciativas da Pastoral da Comunicação.

 

O documentário está disponível no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=LL__2FWaqtQ

 

Por Patricia Mariuzzo



Marcelo Andriotti
26 de outubro de 2021