
Café Universitário promove diálogo entre comunidade acadêmica, assistência social e pessoas em situação de rua
Programação envolveu momentos de cultura, arte e mesa-redonda
A PUC-Campinas promoveu, no dia 27 de maio, o “Café Universitário – A Rua em Movimento”. O evento, realizado no Espaço Tamurá, integrou a programação vinculada ao Fórum da Campanha da Fraternidade e reuniu um público estimado de 80 pessoas para debater a realidade das pessoas em situação de rua e o papel da Universidade na articulação com a rede socioassistencial. Houve espaço para cultura, arte e diálogo.
Coral e exposição
A abertura contou com uma apresentação do coral formado por pessoas em situação de rua de Campinas, regido pela maestrina Fátima Viegas, do Centro de Cultura e Arte (CCA). Na sequência, foram apresentados Projetos de Extensão desenvolvidos na Universidade.
A exposição fotográfica “A Persistência do Invisível”, coordenada pela Profa. Me. Ciça Toledo, da Faculdade de Jornalismo, exibiu um trabalho de curadoria iniciado em 2024, focado no mapeamento de locais de circulação e nos significados atribuídos por essa população aos espaços urbanos. Além disso, a Profa. Dra. Tatiana Slonczewski, da Faculdade de Psicologia, apresentou o livro infantil Rolê, obra que aborda a temática da situação de rua e as percepções infantis sobre o tema.
Escuta ativa
O debate central do evento focou no “estar na rua” e nas trajetórias de vida que levam à ausência de moradia. A mesa-redonda contou com a participação de representantes do SOS Rua e do Centro POP, além de dois homens em situação de rua que relataram suas experiências e trajetórias pessoais. A mediação foi realizada pelo Prof. Dr. Everton Silveira.
Segundo o docente, responsável pelo Desenvolvimento Humano e Integral: Levanta-te e Anda (DHI:LA), a discussão buscou analisar os diversos fatores que compõem o cenário da situação de rua. “A rua nunca é casa. A situação de rua é sempre uma consequência trágica de uma ausência de muitas coisas: de recursos sociais, de recursos econômicos, da invisibilidade social que é provocada pela aporofobia, pela negligência, pelo medo que as pessoas têm das pessoas pobres, pelo estranhamento que é gerado por aquelas pessoas que acabam conformando as mazelas sociais no seu próprio corpo. A rua é um universo de muitas impossibilidades e, como alternativa para essa rua, as pessoas acabam criando mecanismos de resistência: cultura da rua, famílias na rua, espaços de sobrevivência e moradia, espaços de fortalecimento de redes. Então, a ideia foi discutir quando a rua vira moradia, mesmo não sendo o espaço onde é a casa, o lar das pessoas. Foi um momento muito significativo.








