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Alunas de Moda da PUC-Campinas são finalistas de competição internacional 

Três estudantes ficaram entre os 12 finalistas brasileiros da “Real Leather. Stay Different”, que teve sua primeira edição no Brasil em 2026 

Três estudantes do Curso de Design Moda da PUC-Campinas estão entre as 12 finalistas brasileiras da Real Leather. Stay Different. International Student Design Competition, competição internacional que desafia jovens talentos das áreas de moda e design a desenvolver produtos autorais tendo o couro como elemento central. A iniciativa, que reúne estudantes de diferentes países, teve sua primeira edição no Brasil em 2026. 

As alunas Anna Bárbara Arnaút, Lorena Carvalho Prieto e Ana Clara Garcia da Silva, todas do sexto semestre, chegaram à etapa final com projetos desenvolvidos ao longo da graduação. Elas também participaram do evento de encerramento, em São Paulo, acompanhadas pela coordenadora do Curso de Moda da PUC-Campinas, Profa. Me. Roseana Sathler Portes Pereira. 

Para a coordenadora, ter três estudantes entre as finalistas é um resultado significativo para o curso. “Demonstra a qualidade dos projetos que vêm sendo desenvolvidos pelos estudantes e a capacidade que eles têm de dialogar com questões contemporâneas da moda em um contexto que ultrapassa a universidade”, destaca. 

Promovida pelo Leather and Hide Council of America (LHCA), a Real Leather. Stay Different. propõe aos participantes a criação de um produto nas categorias vestuário, calçados ou acessórios. Os projetos devem utilizar pelo menos 50% de couro bovino em sua área superficial e são avaliados a partir de aspectos como criatividade, inovação, sustentabilidade, durabilidade e potencial de comercialização. 

Na edição brasileira, os estudantes passaram inicialmente por uma seleção de projetos, apresentando conceitos, referências, esboços e especificações técnicas. Os finalistas avançaram para o desenvolvimento das peças e receberam couro fornecido por curtumes associados ao Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), parceiro da competição no País. 

Criações com identidade própria 

As três estudantes partiram de referências pessoais e pesquisas distintas para desenvolver suas propostas. Para a professora Roseana, a diversidade entre os trabalhos foi um dos aspectos que mais chamou sua atenção durante o evento. “Eram três propostas bastante distintas entre si. Isso demonstra que elas conseguiram construir uma identidade própria e encontrar caminhos autorais para responder ao mesmo desafio”, observa. 

Anna Bárbara Arnaút desenvolveu uma bota inspirada na trajetória feminina e na transformação da dor em autonomia. A ideia partiu de reflexões sobre sua própria história, especialmente a relação com a avó e com a experiência de ter sido criada por uma mãe solo. A peça, que a estudante define como uma “armadura” que protege e liberta, combina estética urbana e elementos simbólicos de força, vulnerabilidade e resistência, em diálogo com a obra da artista brasileira Rosana Paulino. O modelo utiliza couro bovino de curtimento vegetal, borracha natural ou reciclada, algodão orgânico e outros materiais de menor impacto.

Para a estudante, desenvolver um calçado pela primeira vez foi um dos principais desafios do projeto. “O couro também dificulta um pouco para quem quer pintar com tinta em cima dele, mas se fizer com cuidado e técnica, dá super certo”, conta. A experiência de chegar à final teve ainda um significado especial por integrar a primeira edição brasileira da Real Leather. Stay Different. “Isso significou muito para mim, especialmente por ter feito parte da primeira edição do RLSD Brazil”, afirma.

Inspirada na Ginkgo biloba, espécie associada à resistência e à longevidade, Lorena Carvalho Prieto criou a bolsa Everleaf, que combina couro com painéis translúcidos de bioplástico. O material alternativo havia sido desenvolvido pela estudante em outro projeto da faculdade e ganhou uma nova aplicação na competição. A partir da referência da natureza, Lorena buscou explorar não apenas a forma da folha, mas também a relação entre estética e funcionalidade, traduzindo essas características para um acessório autoral.

A combinação dos materiais também foi uma forma de explorar contrastes: enquanto o couro traz resistência e durabilidade, o bioplástico acrescenta leveza e um aspecto mais delicado e experimental à peça.

“Eu nunca havia trabalhado com couro antes. Então, o desenvolvimento da Everleaf também foi um processo de descoberta e aprendizado”, relata Lorena. Segundo ela, foi necessário compreender o comportamento do material, as técnicas de manipulação e os processos mais adequados para a construção da peça. A experiência permitiu que ela ampliasse a pesquisa que já vinha realizando com materiais alternativos e encontrasse novas possibilidades para aplicá-los em um produto funcional.

Ana Clara Garcia da Silva buscou inspiração nas araras-canindé de Araras (SP), sua cidade natal, presentes em suas memórias e na relação com o território onde cresceu. A bolsa Canindé transforma essa referência em uma peça contemporânea: a silhueta remete à abertura das asas, enquanto recortes de couro reinterpretam a textura das penas. O interior amarelo, em contraste com o couro azul fornecido pelo concurso, também faz referência às cores da ave.

“Um dos principais desafios foi encontrar um equilíbrio entre criatividade, funcionalidade e sustentabilidade”, conta Ana Clara. O processo exigiu pensar na estrutura, no aproveitamento do material e nos detalhes que fugissem de uma construção convencional de bolsa. Para a estudante, o resultado ganhou um significado especial por transformar uma memória pessoal em design. “Tenho muito orgulho de meu projeto e de como a bolsa criou asas, literalmente”, afirma.

Formação para além da sala de aula 

A experiência também evidencia aspectos trabalhados durante a graduação. Segundo a Profa. Roseana, o curso procura desenvolver o projeto de moda de forma ampla, articulando pesquisa, conceito, materiais, processos produtivos, sustentabilidade e comunicação. 

Nesse percurso, a disciplina de Acessórios e Calçados, ministrada pelo professor Luís Fernando Campanella, contribuiu para o desenvolvimento dos trabalhos, oferecendo fundamentos técnicos e conceituais específicos para a criação e produção de acessórios e calçados. 

A participação na competição colocou as estudantes diante de uma situação próxima à realidade profissional, com prazos, critérios específicos, apresentação dos projetos e avaliação de profissionais externos à universidade. 

“Isso amplia muito a formação. O estudante começa a perceber como aquilo que desenvolve dentro da universidade pode circular em outros espaços e passa a estabelecer contato com profissionais, empresas e diferentes agentes da cadeia da moda”, explica a coordenadora. 

Durante o evento, a docente também observou a segurança das estudantes ao apresentarem seus próprios processos e dialogarem com profissionais do setor. Para ela, esse amadurecimento representa uma etapa importante da formação. 

“Em determinado momento da formação, o estudante deixa de apresentar um projeto apenas para seus professores e começa a se reconhecer como um profissional capaz de ocupar esses espaços, apresentar suas ideias e estabelecer interlocuções com o campo da moda. Foi muito bonito observar esse movimento nas três”, opina.

Conexão com o mercado 

A Real Leather. Stay Different. International Student Design Competition é promovida pelo Leather and Hide Council of America (LHCA) e reúne estudantes de diferentes países em uma proposta que busca estimular novas possibilidades para o uso do couro no design. Ao aproximar jovens talentos do setor produtivo e de profissionais do mercado, a competição cria um espaço de intercâmbio e experimentação, permitindo que projetos desenvolvidos no ambiente acadêmico ganhem visibilidade para além da universidade.

Na edição brasileira, as propostas foram avaliadas por um júri formado por profissionais de diferentes segmentos da moda, do couro e do desenvolvimento de produtos, entre eles Patrícia Carta, publisher da Harper’s Bazaar Brasil; Renatta Gomes, empresária especialista em artigos de couro; Marnei Carminatti, designer e especialista em desenvolvimento de produtos; e os irmãos Caio e Victoria Nakane, fundadores da marca Viga. A composição do grupo reforçou o caráter profissional da competição, que aproxima estudantes de referências do mercado e amplia a visibilidade de projetos desenvolvidos ainda durante a formação acadêmica.

 



Thayla Ramos
8 de setembro de 2026

/* CONTEUDO PROGRAMATICO*/