
Exposição na PUC-Campinas aproxima comunidade de acervo histórico brasileiro preservado nos Estados Unidos
Mostra reúne réplicas de documentos da Biblioteca Oliveira Lima e reforça parceria internacional com a Catholic University of America, ampliando possibilidades de pesquisa, intercâmbio e preservação da memória
A PUC-Campinas abriu, na quinta-feira (3), a exposição da Biblioteca Oliveira Lima, iniciativa que aproxima a comunidade acadêmica e o público de um dos mais importantes acervos sobre a história e a cultura do Brasil preservados fora do país. Realizada na Cave do Manacás, no Campus I, a mostra reúne réplicas de documentos históricos da coleção mantida pela Catholic University of America, em Washington, nos Estados Unidos, além de itens do acervo da própria Universidade. As peças ficam em exposição na Cave do Manacás até o dia 9 de setembro, às 14h.
A iniciativa representa um novo passo na cooperação entre a PUC-Campinas e a Catholic University of America, criando possibilidades de novas pesquisas, intercâmbios, projetos acadêmicos e ações de compartilhamento de conhecimento. A exposição foi articulada pelo Departamento de Relações Externas (DRE) e pelo Sistema de Bibliotecas e Informação (SBI), com participação do Museu Universitário.
Para o vice-reitor da PUC-Campinas, Prof. Dr. Ricardo Luís de Freitas, a exposição representa uma oportunidade de ampliar o acesso a um patrimônio histórico de grande relevância e, ao mesmo tempo, fortalecer a aproximação entre as duas instituições.
“Essa exposição da Biblioteca Oliveira Lima nos permite uma abertura para acesso daquele que é o maior acervo histórico e cultural do nosso país, fora das nossas divisas. Então, abre-se essa porta para pesquisas futuras, tanto para os nossos pesquisadores, alunos, como para a própria comunidade da nossa cidade”, destacou. “Um outro aspecto de importância é justamente essa parceria com uma instituição católica, uma coirmã, um primeiro passo para que muitos outros possam surgir de atividades em conjunto, que só vão enriquecer a nossa comunidade, a nossa instituição”, complementou Freitas.
Cooperação que abre novas possibilidades
A coordenadora do Departamento de Relações Externas (DRE), Profa. Dra. Camila Brasil Gonçalves Campos, destacou o trabalho realizado para aproximar as duas instituições e transformar o convênio em ações concretas. “Para nós é uma satisfação muito grande fazer essa parceria. Nós intermediamos toda a parceria com a Catholic University of America, e mais do que o convênio assinado, o mais importante é ver as coisas acontecerem”, afirmou.
A professora Camila ressaltou ainda o envolvimento de diferentes setores da PUC-Campinas na construção da exposição, incluindo o Sistema de Bibliotecas e Informação e o Museu Universitário. Para ela, a iniciativa representa a abertura de novas portas para a Universidade. “Todo esse envolvimento de abrir uma porta para pesquisa, para convênios, para intercâmbios, para transformar conhecimento em futuro, em novas possibilidades, para a gente é bem relevante”, destacou.
Para o coordenador do Sistema de Bibliotecas e Informação da PUC-Campinas, Me. Sergio Eduardo Silva de Caldas, a iniciativa representa a união de instituições em torno da preservação e, principalmente, da circulação do conhecimento.
“São instituições trabalhando juntas para fazer com que o patrimônio intelectual ultrapasse os limites de uma coleção e continue a produzir conhecimentos, encontros, perguntas e possibilidades. Espero que esse momento seja o início de novos diálogos e novas parcerias entre bibliotecas. Porque preservar o conhecimento é fundamental, mas fazer encontrar novas pessoas, novas perguntas e novas pesquisas é o que permite que ele continue vivo.”
A presença da Dra. Duília de Mello, vice-reitora de Estratégias Globais da Catholic University of America e diretora da Biblioteca Oliveira Lima, marcou a abertura da exposição. Para ela, a iniciativa contribui para aproximar o acervo do público brasileiro.
“A PUC Campinas exibe esse acervo tão esquecido que fica em Washington, que precisa ser revelado para o povo brasileiro. Eu sou muito grata à PUC-Campinas por ter tomado essa iniciativa conosco de mostrar a Biblioteca Oliveira Lima para o Brasil e para o mundo”, afirmou.
Duília também elogiou a concepção da mostra e a experiência proporcionada aos visitantes. “A exposição ficou muito bonita, muito bonita mesmo. A maneira cuidadosa com que a curadoria dos elementos que fazem a exposição foi feita e também visualmente é muito bonito.”
Importância para a cidade
A iniciativa também contou com a participação da secretária de Cultura e Turismo de Campinas, Alexandra Caprioli, que destacou a importância da parceria para ampliar o acesso da população a um acervo que, embora preservado fora do Brasil, também guarda registros importantes da história da cidade.
Representando o prefeito Dário Saadi, Alexandra ressaltou que os recursos de digitalização e as novas possibilidades de acesso ao patrimônio histórico permitem aproximar esse conteúdo da população. “Como Secretaria de Cultura e Turismo, uma das áreas da nossa atuação é memória, é patrimônio, e quando a gente ficou sabendo dessa parceria, a gente conseguiu vislumbrar que antigamente a gente não teria acesso a todo esse material, e os novos tempos, toda a digitalização e toda a capacidade que a gente tem hoje de nos transportar para um acervo que vai estar disponível não só para os alunos, não só para essa relação com a PUC-Campinas, mas também para toda a nossa população”, afirmou.
A secretária também destacou a presença de Campinas no acervo de Oliveira Lima e a possibilidade de a exposição contribuir para que a cidade conheça melhor parte de sua própria história. “Campinas está representada lá e, dessa forma, queria aproveitar para agradecer essa oportunidade. A gente se sentir representada, não como o Brasil, mas aqui especificamente como Campinas, eu acho que é também uma forma da gente enxergar como a nossa cidade tinha esse protagonismo e de que forma essas relações se deram.”
Memória preservada e novas pesquisas
A Dra. Duília de Mello destacou em sua fala inicial a trajetória de Manoel de Oliveira Lima, diplomata, historiador, jornalista e colecionador responsável pela formação do acervo que hoje está preservado em Washington.
Segundo ela, Oliveira Lima dedicou grande parte da vida à formação e documentação de sua coleção, reunindo livros, documentos e diferentes registros capazes de revelar aspectos da história brasileira.
Duília também chamou atenção para a relação de Oliveira Lima com Campinas, evidenciada por documentos presentes na exposição. O documento traz anotações e nomes de personalidades que participaram do encontro e que, posteriormente, passaram a denominar ruas da cidade.
Uma experiência de imersão na história
O Museu Universitário teve papel importante na articulação e na concepção da exposição. De acordo com o museólogo responsável pelo Museu Universitário da PUC-Campinas, Rodrigo Luiz dos Santos, a proposta foi criar uma experiência que combinasse informação, recursos visuais e contato com os elementos históricos. “O nosso papel foi de articulador, porque é uma exposição colaborativa, são três setores no mesmo projeto. Nós montamos um projeto um pouco híbrido”, explicou.
A exposição utiliza projeções, fotografias, dados e estruturas de contextualização instaladas na cave, criando uma experiência de imersão para os visitantes. “Os visitantes terão uma experiência de imersão e realmente sentir a exposição”, afirmou Rodrigo.
Para o museólogo, a mostra também pode despertar o interesse pela própria coleção Oliveira Lima existente na PUC-Campinas e estimular novas pesquisas. “A exposição, o acervo Oliveira Lima são muito ricos, tanto aquilo tudo que está na biblioteca virtual, já digitalizado, que é um projeto realmente magnífico, quanto o que existe dentro aqui das nossas bibliotecas da universidade, que tem as obras Oliveira Lima.”
Palestras
Após as falas que marcaram a abertura da exposição, a programação teve continuidade com uma série de palestras dedicadas à Biblioteca Oliveira Lima, à preservação de acervos e à cooperação internacional. Realizadas de forma on-line e presencial, as apresentações reuniram especialistas de diferentes áreas e instituições para ampliar as discussões sobre o patrimônio histórico e cultural representado pela coleção.
A programação contou com a participação de Maricy Schmitz, coordenadora de Relações Internacionais da The Catholic University of America, que abordou aspectos relacionados à educação internacional, à internacionalização e à cooperação acadêmica. Na sequência, a doutoranda em Ciência da Informação Ana Luiza Barbosa da Silva apresentou reflexões relacionadas à digitalização, catalogação, preservação de acervos e gestão de metadados.
Também participou da programação a historiadora da arte Sílvia Ferreira, pesquisadora do CHAM – Centro de Humanidades, com uma apresentação voltada às áreas de história da arte e patrimônio.
Encerrando a programação, a Profa. Dra. Duília de Mello, diretora da Biblioteca Oliveira Lima, compartilhou aspectos da história da biblioteca, seu contexto e a importância das peças que integram a exposição na PUC-Campinas. A participação reforçou o caráter internacional da iniciativa e aproximou a comunidade do acervo preservado pela Catholic University of America, em Washington.













