
Professora do PPG em Arquitetura participa de Aula Magna sobre moradia para pessoas idosas na USP
Pesquisa desenvolvida na PUC-Campinas analisa os impactos do ‘Programa Vida Longa’ na autonomia e na qualidade de vida de pessoas idosas e compara políticas de moradia social assistida no Brasil e no Chile
A Profa. Dra. Patrícia Rodrigues Samora, do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, participou da Aula Magna do 2º semestre de 2026 do Programa de Pós-Graduação em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH/USP). Na atividade, intitulada “Moradia social assistida: análise crítica de programas no Brasil e no Chile”, a pesquisadora apresentou resultados iniciais de um estudo que avalia os efeitos do Programa Vida Longa sobre a vida cotidiana, a autonomia e a qualidade de vida de pessoas idosas em situação de vulnerabilidade social.
Realizado presencialmente na USP, com transmissão pelo YouTube, o encontro discutiu os desafios da habitação para a população idosa diante do acelerado envelhecimento demográfico na América Latina. A atividade também contou com a participação do arquiteto e professor Alejandro Pérez Duarte Fernández, do Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores de Occidente (ITESO), da Universidad Jesuita de Guadalajara, no México.
Os estudos apresentados integram a pesquisa “Interação social e serviços de cuidado como requisitos espaciais: avaliação qualitativa dos Programas Vida Longa (Brasil) e Condomínio de Viviendas Tuteladas (Chile)”, desenvolvida na PUC-Campinas com apoio da FAPESP e do CNPq. Na etapa realizada no Estado de São Paulo, o estudo investiga de que maneira as características da moradia e do ambiente construído influenciam a autonomia, a privacidade, a convivência e a qualidade de vida dos moradores.
Os resultados iniciais indicam que o acesso a uma moradia estável e segura pode contribuir para reorganizar o cotidiano das pessoas idosas, recuperar a privacidade e estabelecer novas rotinas com maior segurança e autonomia. O estudo também aponta o potencial da habitação como elemento de articulação entre as políticas de saúde e assistência social. “A moradia é uma condição fundamental para o acesso aos demais direitos humanos”, explica a professora.
Ao mesmo tempo, a pesquisa identificou limitações relacionadas às características físico-espaciais dos empreendimentos, especialmente à maneira como os espaços individuais e coletivos favorecem ou dificultam a convivência e as atividades comunitárias. O desafio, segundo a pesquisadora, é encontrar um equilíbrio entre a preservação da privacidade e da autonomia e a criação de ambientes que estimulem a interação social, sem impô-la aos moradores.
A dimensão da convivência ganha importância também porque, segundo a docente, a interação social está relacionada à saúde mental e à manutenção das capacidades cognitivas durante o envelhecimento. Nesse contexto, o estudo busca compreender como o projeto arquitetônico pode contribuir para a autonomia e para a qualidade de vida das pessoas idosas.
Brasil e Chile: experiências distintas
A pesquisa propõe uma análise comparativa entre o Programa Vida Longa, no Estado de São Paulo, e os Condominios de Viviendas Tuteladas, no Chile. O trabalho de campo no Chile está previsto para 2027.
O Chile passou pelo processo de transição demográfica antes do Brasil, o que torna sua experiência relevante para a análise de políticas habitacionais voltadas ao envelhecimento. Embora os dois programas atendam pessoas idosas em situação de vulnerabilidade social, apresentam modelos habitacionais distintos.
A comparação busca identificar soluções, limites e estratégias que possam contribuir para um desafio comum: oferecer moradia adequada a pessoas idosas que mantêm condições de autonomia e independência.
“Mais do que apontar qual programa é melhor, queremos entender o que cada experiência pode ensinar sobre a relação entre projeto arquitetônico, espaços de convivência, serviços de cuidado e o papel da localização desses empreendimentos para a efetivação do direito à cidade”, explica a pesquisadora.
A expectativa é que os resultados contribuam para o aperfeiçoamento de futuras políticas e projetos de moradia para pessoas idosas. O estudo é desenvolvido em diálogo com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo e com o Servicio Nacional del Adulto Mayor (SENAMA), no Chile.
Cooperação acadêmica internacional
Durante a Aula Magna, Alejandro Pérez Duarte Fernández apresentou a evolução dos modelos arquitetônicos de moradia social para pessoas idosas, abordando experiências europeias e sua incorporação em países como Brasil e Chile. O pesquisador é coordenador do Laboratorio del Hábitat para Personas Mayores, do ITESO.
A Profa. Dra. Patrícia Samora integra, como pesquisadora associada, o Laboratorio del Hábitat para Personas Mayores. A pesquisa conta ainda com a participação do Vitalità, Centro de Envelhecimento e Longevidade da PUC-Campinas, ampliando o diálogo entre arquitetura e urbanismo, gerontologia e estudos sobre o habitat.
A participação da docente reforça a cooperação acadêmica entre PUC-Campinas, ITESO e USP, fortalecida por atividades realizadas no México, em junho deste ano. A parceria envolve pesquisa e formação de estudantes, incluindo coorientações de mestrado e doutorado, e amplia o intercâmbio de conhecimentos entre diferentes áreas e instituições.


