
Projeto de Afroturismo desenvolvido por estudantes de Turismo valoriza memória e patrimônio negro de Campinas
Trabalho foi desenvolvido em parceria com o CEAAB da Universidade
Os estudantes do Curso de Turismo da PUC-Campinas apresentaram, no último dia 15 de junho, os projetos finais da disciplina Gestão Estratégica de Destinos Turísticos, durante evento realizado na Arena Manacás. A atividade foi coordenada pela Profa. Dra. Ana Maria Fernandes, docente da disciplina e diretora da Faculdade de Turismo, e integrou as ações de Curricularização da Extensão doCcurso.
Desenvolvido em parceria com o Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Dra. Nicéa Quintino Amauro (CEAAB), o Espaço Manacás e o Departamento de Turismo da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Campinas, o projeto teve como tema “Afroturismo em Campinas: território, memória e educação antirracista”.
A iniciativa resultou na elaboração de mini-roteiros turísticos afrocentrados, construídos de forma colaborativa entre os estudantes e os parceiros envolvidos. O objetivo foi criar uma ferramenta capaz de promover a compreensão do território negro de Campinas, valorizar patrimônios materiais e imateriais ligados à presença da população negra e estimular uma formação crítica da comunidade universitária.

A proposta parte do reconhecimento de que Campinas possui uma trajetória profundamente marcada pela presença da população negra, expressa em manifestações culturais, religiosas, sociais e históricas. Apesar dessa relevância, parte significativa dessa memória ainda permanece pouco visível nos circuitos turísticos tradicionais e nas narrativas urbanas predominantes.
Nesse contexto, os roteiros elaborados pelos estudantes buscam contribuir para o combate ao apagamento histórico e ao racismo estrutural, fortalecer identidades e pertencimentos territoriais e promover ações de educação patrimonial e antirracista. Além disso, o projeto pretende ampliar o diálogo entre a universidade e as comunidades negras da cidade, estimulando a construção coletiva do conhecimento sobre patrimônios, lideranças e espaços de referência da cultura afro-brasileira em Campinas.
As propostas foram apresentadas à comunidade acadêmica e a representantes do setor turístico durante o evento na Arena Manacás. Entre os presentes esteve o diretor do Departamento de Turismo de Campinas, Eros Vizel, que destacou a qualidade dos trabalhos desenvolvidos pelos estudantes.
“A apresentação dos alunos foi surpreendente, sobretudo do ponto de vista conceitual, porque buscou a viabilidade da operação turística, mas também esteve atenta a questões como inclusão social, diversidade e cultura, elementos fundamentais para que tenhamos uma atividade turística comprometida com a cidade”, afirmou.
A programação contou ainda com uma atividade de sensibilização sobre o tema do Afroturismo. O AfroChef Marcelo Reis promoveu uma degustação de culinária afro-brasileira, enquanto Naná Cosme da Silva e o Grupo Afoxé realizaram uma apresentação cultural, evidenciando manifestações reconhecidas como patrimônio imaterial da cultura afro-brasileira.
Para a coordenadora do CEAAB, Comendadora Edna Lourenço, o projeto representa uma importante contribuição para a valorização da memória e da história da população negra de Campinas.
“O curso de Turismo da PUC-Campinas desenvolveu uma ação significativa para a população de Campinas ao trazer o conhecimento sobre os espaços de patrimônio e cultura negra, identidade, memória e história. O Afroturismo tem grande importância porque nos remete à participação da população negra na construção e formação do município e ao legado de lutas e conquistas dos nossos ancestrais”, destacou.
Segundo ela, os roteiros possibilitam revisitar espaços de sociabilidade, resistência e preservação da cultura afro-brasileira, como antigos quilombos, clubes sociais negros, irmandades religiosas e centros culturais que mantêm viva a memória das comunidades negras da região.
A Profa. Dra. Ana Maria Fernandes ressaltou que a experiência proporcionou aos estudantes uma formação que vai além dos conteúdos técnicos da área turística.
“Mais do que desenvolver roteiros turísticos, este projeto permitiu aos estudantes compreenderem o turismo como uma ferramenta de valorização da memória, da cultura e da diversidade afro-brasileira em Campinas. O Afroturismo nos convida a olhar para a cidade a partir de outras narrativas, reconhecendo o protagonismo da população negra na construção histórica, social, cultural e econômica do município”, afirmou.
De acordo com a diretora da Faculdade de Turismo, a curricularização da extensão fortalece a aproximação entre universidade e sociedade, promovendo experiências de aprendizagem alinhadas às demandas contemporâneas. “Os estudantes foram desafiados a pesquisar, dialogar com diferentes atores sociais e refletir sobre questões relacionadas à identidade, patrimônio, racismo estrutural e pertencimento territorial. Os roteiros demonstram que é possível construir experiências turísticas que gerem conhecimento, valorizem patrimônios historicamente invisibilizados e contribuam para uma sociedade mais justa e plural”, concluiu.



