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Exportações da RMC batem recorde de 10 anos em maio e déficit comercial recua, aponta Observatório PUC-Campinas

Vendas externas atingiram US$ 534 milhões no mês, puxadas por medicamentos e pneus

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) registrou em maio de 2026 o maior volume de exportações para o mês na última década. As vendas externas alcançaram a marca de US$ 534 milhões de dólares, o que representa um crescimento expressivo de 15,76% em relação a maio do ano anterior. O aquecimento nas exportações ajudou a aliviar o saldo negativo da região: o déficit comercial recuou 4,45%, fechando o mês em US$ 999 milhões de dólares.

Os dados fazem parte do mais recente Boletim da Balança Comercial divulgado pelo Observatório PUC-Campinas. O documento aponta que, enquanto as exportações saltaram, as importações da região mantiveram a estabilidade, com uma leve alta de 1,74%, somando US$ 1,53 bilhão no mês.

De acordo com o estudo, o recorde nas vendas ao exterior reflete uma pauta de exportação bastante heterogênea. Os maiores saltos ocorreram tanto nos produtos de baixa complexidade tecnológica, que cresceram 30,7%, quanto nos de alta complexidade, com avanço de 25,8%.

No acumulado dos últimos 12 meses, os medicamentos lideram as exportações regionais (US$ 414,6 milhões e alta de 11,1%). No entanto, o grande destaque do período foi o salto nas vendas de pneus, que cresceram 54,4% (US$ 272 milhões), e de compostos de metais preciosos, com avanço de 44%. Pelo lado das importações, a região continua fortemente dependente de insumos de alta tecnologia: as compras de inseticidas e herbicidas somaram US$ 2,59 bilhões de dólares, seguidas por compostos químicos com nitrogênio (+36,9%) e circuitos integrados (+23,8%).

Termômetro global: a relação com os EUA e o avanço da China

Um dos dados mais sensíveis revelados pelo relatório do Observatório diz respeito à balança comercial com os Estados Unidos. No acumulado de 12 meses, as exportações da RMC para o mercado americano recuaram 6,2%. Já no recorte específico de maio, embora as vendas para os EUA tenham subido 6,42%, as importações despencaram 10,88%. Com isso, a participação americana nas compras da região caiu para 14,5%. Segundo a análise, esse movimento é um forte sinal de reorientação de fornecedores por parte da indústria local, possivelmente um reflexo das atuais tensões comerciais e tarifárias globais.

Enquanto os EUA perdem espaço, a China domina com folga as origens das importações da RMC, respondendo por 28,4% do total após um crescimento de 18,7%. O levantamento também destaca o avanço da Suíça (+31,8%), impulsionado pelo fornecimento de insumos farmacêuticos e químicos complexos. Já nas exportações, a Argentina segue como o principal comprador dos produtos da RMC (983 milhões de dólares, ou 17,7% do total), com a Alemanha ganhando destaque após um salto de 39,3% nas compras da região.

Desempenho dos municípios

No mapa regional do comércio exterior, Campinas lidera as exportações (US$ 1,24 bilhão) e acumula US$ 3,4 bilhões de importações. Paulínia se destaca pelo volume de importações: a cidade somou impressionantes US$ 5,93 bilhões de dólares em compras do exterior, volume fortemente concentrado na demanda de seu polo petroquímico. O estudo ressalta ainda que Americana e Cosmópolis são os únicos municípios da RMC a registrar superávit comercial (saldo positivo) no período analisado.

Para conferir o estudo completo clique aqui.



Gabriela Ferraz
16 de junho de 2026