
PUC-Campinas recebe o X Colóquio Internacional “A Casa Senhorial: Anatomia dos Interiores”
Durante o evento, aconteceram inúmeras discussões sobre patrimônio, arquitetura, história social, cultura material e relações entre memória, território e sociedade
A PUC-Campinas, através do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (POSURB-ARQ), recebeu, entre os dias 25 e 30 de maio, o X Colóquio Internacional “A Casa Senhorial: Anatomia dos Interiores – Fontes de Pesquisa, Metodologias e Desafios de Interpretação”.

Grupo de pesquisadores durante visita ao Sítio Santo Antonio, em São Roque, um dos mais importantes conjuntos de sítios bandeiristas, significativa expressão da arquitetura do período colonial do Brasil.
Durante o evento, aconteceram inúmeras discussões interdisciplinares sobre patrimônio, arquitetura, história social, cultura material, fontes de pesquisa, metodologias de investigação, desafios interpretativos e relações entre memória, território e sociedade, reunindo pesquisadores brasileiros e estrangeiros em torno das casas senhoriais como objeto de investigação histórica, arquitetônica e cultural.
Os objetivos principais do encontro foram fortalecer a internacionalização da pesquisa, promover o intercâmbio científico entre Brasil e Portugal, incentivar a produção acadêmica interdisciplinar, estimular a participação da graduação e da pós-graduação, aproximar a Universidade e a comunidade externa, valorizar o patrimônio histórico-cultural de Campinas e promover a educação patrimonial.
Além disso, a ideia foi de posicionar a PUC-Campinas como referência em patrimônio e pesquisa em arquitetura, consolidar o seu relacionamento com outras universidades e instituições culturais e ampliar a sua visibilidade institucional, nacional e internacionalmente.

A abertura oficial do evento aconteceu no Solar do Barão de Itapura, no Centro de Campinas, com a presença de representantes da PUC-Campinas, da Fundação Casa de Rui Barbosa, da Universidade Nova de Lisboa e da Prefeitura de Campinas.
A abertura oficial do evento aconteceu no último dia 25 de maio e a sua mesa diretiva foi formada pela pró-Reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão da PUC-Campinas, Profa. Dra. Carla Cristina Enes Gomes; pela coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (POSURB-ARQ) da PUC-Campinas, Profa. Dra. Renata Baesso Pereira; pela pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa, Dra. Ana Maria Pessoa dos Santos; pelo professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Dr. Helder Carita; pela secretária de Cultura e Turismo de Campinas, Alexandra Caprioli; pelo decano da Escola de Arquitetura, Artes e Design (EAAD) da PUC-Campinas, Prof. Me. Fábio de Almeida Muzetti; pela diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, Profa. Dra. Ana Paula Giardini Pedro; e pela coordenadora do Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Dra. Nicéa Quintino Amauro (CEAAB), Comendadora Edna Almeida Lourenço.
Espaço qualificado de reflexão científica internacional
De acordo com a pró-Reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão da PUC-Campinas, Profa. Dra. Carla Cristina Enes Gomes, o evento projeta a Universidade como um espaço qualificado de reflexão científica internacional, reunindo pesquisadores de diferentes áreas, como arquitetura, história, patrimônio, artes decorativas e estudos culturais, em torno de debates contemporâneos sobre memória, patrimônio histórico e processos de interpretação cultural, “contribuindo para o fortalecimento da pesquisa e da pós-graduação e ampliando oportunidades de intercâmbio acadêmico e de formação de estudantes e pesquisadores”.
Ela diz ainda que “a realização do evento também reforça o compromisso institucional com a preservação do patrimônio cultural, com a valorização da memória coletiva e com a promoção de ações que contribuam para a revitalização cultural e social da cidade (de Campinas)”.

De acordo com a pró-Reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão da PUC-Campinas, Profa. Dra. Carla Cristina Enes Gomes, o evento projeta a Universidade como um espaço qualificado de reflexão científica internacional, reunindo pesquisadores de diferentes áreas em torno de debates contemporâneos sobre memória, patrimônio histórico e processos de interpretação cultural.
Ampliando os vários tipos de intercâmbio
Sobre as parcerias estabelecidas com instituições de reconhecida relevância, como a Fundação Casa de Rui Barbosa e a Universidade Nova de Lisboa, Carla explica que estas “representam importante estratégia para o fortalecimento da cooperação científica, da qualificação acadêmica e da internacionalização da Universidade e que essas articulações favorecem a construção de redes internacionais de pesquisa, ampliando o intercâmbio de conhecimentos, metodologias e experiências entre pesquisadores e instituições que compartilham interesses comuns em torno do patrimônio, da cultura e da história”.
Além disso, ela explica que estas contribuem também para aumentar a visibilidade nacional e internacional da produção científica desenvolvida pela PUC-Campinas e que o processo de internacionalização, nesse contexto, “vai além da mobilidade acadêmica”, envolvendo “a consolidação de ambientes colaborativos de produção de conhecimento, capazes de promover inovação científica, diálogo intercultural e desenvolvimento de pesquisas com maior impacto e inserção internacional, ou seja, iniciativas como o Colóquio consolidam a Universidade como um espaço de produção de conhecimento socialmente relevante, culturalmente comprometido e academicamente conectado aos debates internacionais contemporâneos”.

A coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (POSURB-ARQ) da PUC-Campinas, Profa. Dra. Renata Baesso Pereira, explica que é “bastante importante a gente ter conseguido trazer o Colóquio para Campinas, pois nós temos aqui um patrimônio de casas históricas muito interessante e um evento como esse nos serve como espelho e também para muitas trocas de informações e pesquisas”.
Refletindo sobre o próprio patrimônio
A coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (POSURB-ARQ) da PUC-Campinas, Profa. Dra. Renata Baesso Pereira, explica que é “bastante importante a gente ter conseguido trazer o Colóquio para Campinas, pois nós temos aqui um patrimônio de casas históricas muito interessante e um evento como esse nos serve como espelho e também para muitas trocas de informações e pesquisas, com o intuito de podermos refletir sobre o nosso patrimônio, sobre a história das nossas casas. Além disso, o evento estar aqui em Campinas é muito importante também porque ele não acontece no Brasil todos os anos, mas sim, em anos alternados, pois no ano que vem, ele volta a Portugal e depois vem para o Brasil novamente. Sem contar que uma de suas edições também já aconteceu no estado indiano de Goa (ex-colônia portuguesa), ou seja, é algo que está sendo paulatinamente ampliado”.
Sobre a importância da parceria entre a PUC-Campinas, a Fundação Casa de Rui Barbosa e a Universidade Nova de Lisboa, Renata comenta que esta “é fundamental, enquanto Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, pois nós precisamos estabelecer essas redes de parceria, afinal é bastante benéfico para os nossos docentes e estudantes. Além disso, a Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, também possui o Programa de Pós-Graduação em Memória e Acervos (PPGMA), focado na formação de gestores e pesquisadores, e a Universidade Nova de Lisboa, a Pós-Graduação em Arquivística Histórica, então, nós olhamos para essa parceria também como uma oportunidade importante de internacionalização das pesquisas, o que é fundamental dentro do contexto de mobilidade de discentes e docentes, o que só reforça os currículos de todos eles”.
Beneficiando-se da tradição
Sobre o início da história do Colóquio, a pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa, Dra. Ana Maria Pessoa dos Santos, lembra que a instituição na qual trabalha é um “museu-casa” e que, em um dos inúmeros seminários realizados no local, o professor Helder Carita, da Universidade Nova de Lisboa, foi convidado para falar sobre jardins, “e ele é o autor de um livro maravilhoso sobre jardins portugueses. Foi a partir dessa visita dele, que nós realizamos outros encontros na Casa de Rui Barbosa, que foi projetada por um arquiteto português e reformada, posteriormente, por outro português. A partir dessa conformação original, nós desenvolvemos essa parceria entre ambas as instituições, aproveitando que, tanto o professor Helder, quanto a professora Isabel Mendonça, da Escola Superior de Artes Decorativas da mesma universidade, a quem nós também convidamos para uma palestra em nossa fundação, fizeram parte da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, que é referência na proteção, estudo e divulgação das artes decorativas portuguesas e, assim, nós nos beneficiamos dessa tradição e aproximamos os pesquisadores brasileiros dessa perspectiva”.

A pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa, Dra. Ana Maria Pessoa dos Santos, ressalta também que apesar de o Brasil ser mais de noventa vezes maior que Portugal, em termos territoriais, o país ibérico possui um número muito maior de casas senhoriais do que a nação sul-americana e, segundo ela, “por falta de preservação”.
“A princípio, o projeto, que visava estudar o interior das casas senhoriais, contava somente com financiamento português, acontecendo somente em Lisboa e no Rio de Janeiro, mas, ao fim desse primeiro módulo, que durou quatro anos, nós achamos que o processo era tão rico ao abrir novas perspectivas de estudo na área escolhida, que não é uma área muito bem definida disciplinarmente nas universidades, que resolvemos continuar com o projeto”, comenta a pesquisadora.
Abrindo novas frentes
Ela continua dizendo que “foi assim que nós continuamos abrindo novas frentes, em um acordo de colaboração, para ampliá-lo em território brasileiro, incorporando diversas outras cidades, como Pelotas, Belém e, agora, Campinas, e a cada nova cidade, nós, da Fundação Casa de Rui Barbosa, tentamos absorver um grupo local para alimentar essa base brasileira, uma vez que o evento acontece aqui, em Portugal e em Goa”, esclarece Ana Maria.
A pesquisadora ressalta também que apesar de o Brasil ser mais de noventa vezes maior que Portugal, em termos territoriais, o país ibérico possui um número muito maior de casas senhoriais do que a nação sul-americana e, segundo ela, “por falta de preservação”.
Internacionalização produtiva
Por fim, ela comenta que a questão da internacionalização é um dos aspectos mais importantes do projeto, pois o tema é parte “de uma herança cultural comum e é bem interessante que muitos portugueses que vêm ao Brasil, acabam tendo contato com uma faceta da própria cultura refletida e isso, sem dúvida nenhuma, é um processo que estimula os dois lados, sendo um intercâmbio mútuo, muito produtivo para os ambos”.

O professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Dr. Helder Carita, explica que a ideia é a de sempre realizar encontros anuais, em especial em Portugal e no Brasil, “para tentarmos desenvolver em comum certos aspectos que, por vezes, em Portugal, são diferentes do Brasil, e vamos tentando realizá-lo, ainda que com certas autonomias de parte a parte. Mas tem sido um trabalho realmente interessante e que temos mantido com muito sacrifício. E agora, aqui em Campinas, já montamos a nossa décima edição”.
Várias linhas de investigação
O professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Dr. Helder Carita, explica que o projeto, na atualidade, é um aprofundamento daquilo já estava sendo realizado anteriormente em Portugal, mas que, com a aproximação com o Brasil, agora conta com a existência de várias linhas de investigação.
Ele explica que a ideia é a de sempre realizar encontros anuais, em especial em Portugal e no Brasil, “para tentarmos desenvolver em comum certos aspectos que, por vezes, em Portugal, são diferentes do Brasil, e vamos tentando realizá-lo, ainda que com certas autonomias de parte a parte. Mas tem sido um trabalho realmente interessante e que temos mantido com muito sacrifício. E agora, aqui em Campinas, já montamos a nossa décima edição”.
Diferentes pontos de vista em várias geografias
O professor explica que o seu doutorado, sobre a arquitetura indo-portuguesa no estado de Kerala, no sul da Índia, cuja maior cidade, Cochim, já foi uma possessão portuguesa, tem ligação direta com a ampliação dos encontros para Goa, no centro-oeste indiano. Ele comenta que “a arquitetura das casas senhoriais de Goa, de Kerala e do Brasil apresentam relações muito interessantes. Por exemplo, as casas paulistas tradicionais, das fazendas mais antigas, possuem varandas, o que também acontece em Goa, e coisas assim é que são do nosso interesse, pois o estudo deixa de ser dicotômico e passamos a uma perspectiva mais alargada de pontos de vista em várias geografias”.
Sobre o evento em Campinas, Helder diz que “a participação foi muito ativa e alargar o nosso território, nossos estudos e, consequentemente, pontos de vista, chegando, a partir daqui, às fazendas do Vale do Paraíba, por exemplo, é uma grande evolução. É criar uma linha de estudos que não está concretizada, mas para a qual tem havido pesquisas e estamos tentando organizá-la, inclusive com o desenvolvimento de um glossário de termos relativos às casas senhoriais. Por exemplo, o termo ‘solar’, em Portugal, significa, em rigor, a casa onde viveu uma família de uma linhagem nobre, enquanto que, no Brasil, por muitas vezes, os solares são referidos como casarões, símbolos de riqueza e influência política de uma família tradicional e isto é natural, pois a linguagem de cada lugar evolui de maneira distinta mesmo”.

A secretária de Cultura e Turismo de Campinas, Alexandra Caprioli, comenta que, no caso específico do Solar do Barão de Itapura, pertencente à PUC-Campinas, este será parte de “um grande projeto que irá conectar-se com o projeto da requalificação do Centro. Primeiro, abrindo o Solar para a cidade, e, depois, reocupando a cidade de modo qualificado”.
Redirecionando para novos usos
A secretária de Cultura e Turismo de Campinas, Alexandra Caprioli, diz que “quando a gente pensa em patrimônio, logo pensa em memória, poder, tal como é no caso das casas senhoriais, que estão atreladas a um momento da sociedade em que elas, de fato, representavam o poder, e você redirecionar isso para novos usos, é muito importante, porque as reflexões que nós temos de fazer são: como transformá-las em novos espaços culturais, sem fazermos com que as pessoas se esqueçam de seu passado, até porque esse passado não é todo ‘rosas’, pois carrega histórias tristes? E como é que você redireciona esse olhar para novas possibilidades, transformando esses lugares em novos espaços culturais que possam ser ocupados?”.
No caso específico do Solar do Barão de Itapura, pertencente à PUC-Campinas, ela explica que este será parte de “um grande projeto que irá conectar-se com o projeto da requalificação do Centro. Primeiro, abrindo o Solar para a cidade, e, depois, reocupando a cidade de modo qualificado”.

Para o decano da Escola de Arquitetura, Artes e Design (EAAD) da PUC-Campinas, Prof. Me. Fábio de Almeida Muzetti, o Colóquio, além de consolidar a importância do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade e da EAAD como um todo, é importante porque, ao discutir as casas senhoriais, também discute a habitação, tanto em relação ao passado, quanto em relação ao futuro.
Inquietações que surtirão efeitos futuros
“No contexto do evento, de todas as visitas que foram realizadas por pesquisadores, pensadores e acadêmicos, saíram inquietações que surtirão muitos efeitos futuros, ou seja, encontros como esse trazem novos olhares, porque é um evento internacional, mas que também olha localmente, para os nossos próprios patrimônios”, comenta Alexandra.
Ela finaliza ressaltando que “a gente não pode abrir mão da preservação, mas é o uso do imóvel que o tornará, de fato, vivo. Enfim, é trazer a lembrança do passado para uma memória futura, reposicionando-o no presente”.
Equilibrando a preservação e o uso do patrimônio
Para o decano da Escola de Arquitetura, Artes e Design (EAAD) da PUC-Campinas, Prof. Me. Fábio de Almeida Muzetti, o Colóquio, além de consolidar a importância do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade e da EAAD como um todo, é importante porque, ao discutir as casas senhoriais, também discute a habitação, tanto em relação ao passado, quanto em relação ao futuro, “porque a maioria das casas senhoriais daqui de Campinas eram casarões dos barões do café ou de comerciantes ou industriais importantes da virada dos séculos XIX para o XX, que depois viraram edifícios públicos, como o Solar do Barão de Itapura e o Pátio dos Leões, que se transformaram no Campus Central da PUC-Campinas. E é por isso, que a gente precisa restaurar tudo isso sem perder os últimos usos e estar sempre estudando e debatendo esse conflito entre preservação do patrimônio e o uso deste sem descaracterizá-lo”.
Muzetti explica que é preciso alinhar a cultura de preservação e restauro com o poder público, mas sem “museificar” os lugares, destinando-lhes um uso adequado e digno, “pois, afinal, a comunidade nos cobra isso”.
O desenvolvimento que apaga a história
A diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, Profa. Dra. Ana Paula Giardini Pedro, explana que receber o Colóquio é algo “especialmente importante para a PUC-Campinas e para o município, porque nós nos encontramos em uma cidade que prosperou e se consolidou após o ciclo açucareiro e cafeeiro e os poucos registros históricos desses dois períodos que a gente ainda mantém, são, exatamente, as casas senhoriais, pois muito se apagou por conta do próprio desenvolvimento natural de Campinas e pelo modo como novas edificações foram sendo construídas e a cidade crescendo”.

A diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, Profa. Dra. Ana Paula Giardini Pedro, explana que receber o Colóquio é algo “especialmente importante para a PUC-Campinas e para o município, porque nós nos encontramos em uma cidade que prosperou e se consolidou após o ciclo açucareiro e cafeeiro e os poucos registros históricos desses dois períodos que a gente ainda mantém, são, exatamente, as casas senhoriais, pois muito se apagou por conta do próprio desenvolvimento natural de Campinas e pelo modo como novas edificações foram sendo construídas e a cidade crescendo”.
Ela ressalta ainda que “é muito bonito e simbólico o título do Colóquio, que trata da ‘Anatomia dos seus Interiores’, porque não são só os arranjos dessas casas que a gente vai entender do ponto de vista da organização dos ambientes e cômodos, das técnicas construtivas e das ornamentações que as compõem, porque estas são somente pistas que apresentam pra gente muitos vestígios de muitas histórias, de diversos campos do saber, permitindo uma tentativa de resgate ou um caminhar no sentido de resgatar histórias apagadas relativas as relações de trabalho, familiares e sociais e como tudo isso ia se estabelecendo ou orbitando ao redor da casa senhorial. Tudo isso é o que permite que a gente consiga buscar outros desdobramentos”.
Buscando mais informações sobre a nossa identidade
Sobre o Colóquio em si, a diretora diz que “o fato de este ser um evento internacional, uma rede que agrupa pesquisadores europeus, em especial os portugueses, e também de todo o Brasil, mostra o quanto este encontro permite que a gente busque mais informações sobre a nossa identidade e, por isso, é uma honra para nós o recebermos, sendo uma oportunidade bastante valiosa no intuito de contribuir para o avanço das pesquisas, porque são poucos os exemplares de casas senhoriais, infelizmente, mas que se constituem em pistas valiosas em meio ao apagamento das informações e vestígios, porque, de fato, é uma investigação, e irmos atrás desses poucos exemplares que ainda restam é o que nos dará os sinais de que precisamos para realizarmos pesquisas para diversos campos do conhecimento”, encerra Ana Paula.
Contribuição do negro no desenvolvimento econômico, cultural e social do Brasil
A coordenadora do Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Dra. Nicéa Quintino Amauro (CEAAB), Comendadora Edna Almeida Lourenço, ressalta que, para além da questão arquitetônica, é sempre preciso lembrar da importante contribuição dada pelo negro na construção das grandes casas dos senhores, ressaltando que o Solar do Barão de Itapura, por exemplo, cuja construção data do período entre 1881 e 1883, é um momento em que a escravização negra estava vigente e, por isso mesmo, o envolvimento do CEAAB no Colóquio e em todas as ações que advirão dele é indispensável, em especial “no sentido de contribuir com o letramento racial e de pautar a contribuição dada pelo negro no desenvolvimento econômico, cultural e social do Brasil”.

A coordenadora do Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Dra. Nicéa Quintino Amauro (CEAAB), Comendadora Edna Almeida Lourenço, ressalta que, para além da questão arquitetônica, é sempre preciso lembrar da importante contribuição dada pelo negro na construção das grandes casas dos senhores e que, por isso mesmo, o envolvimento do CEAAB no Colóquio e em todas as ações que advirão dele é indispensável, em especial “no sentido de contribuir com o letramento racial e de pautar a contribuição dada pelo negro no desenvolvimento econômico, cultural e social do Brasil”.
“Na abertura do Colóquio, no último dia 25 de maio, foi simbólica a presença de uma representante do Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros em sua mesa de abertura, uma vez que ocorreu em pleno dia do pedido de perdão por parte da Igreja Católica, através do Papa Leão XIV, por esta ter se envolvido com a escravização negra, bem como, é a data que celebra o Dia da África. Isso, sem dúvida nenhuma, é muito importante e bastante simbólico”, finaliza a Comendadora.
O que são as casas senhoriais?
As casas senhoriais, também conhecidas como solares ou palacetes, são as casas de origem das famílias nobres. O nome também é utilizado de maneira mais ampla para residências antigas de grande luxo e conforto, relativo à sua época. Um solar podia ser habitado por nobres ou, simplesmente, por famílias pertencentes à elite tradicional e antiga de uma região ou cidade. Em alguns poucos casos, as famílias originais continuam habitando os seus antigos solares.
Por vezes, alguns comerciantes e empresários muito abastados também construíram os seus solares, em especial no Brasil, mas, todos estes foram erguidos já no início do século XX.
- Alexandre Arménio Maia Tojal, do Museu da Presidência da República de Portugal, falou sobre as “Singularidades da Casa Senhorial: O Hospício dos Frades Franciscanos Arrábidos na Quinta de Belém”.
- O evento de abertura, ocorrido no último dia 25 de maio, reuniu pesquisadores brasileiros e estrangeiros em torno das casas senhoriais como objeto de investigação histórica, arquitetônica e cultural.
- Roberto José D’Alessandro realizou uma palestra sobre a “Fazenda da Barra – O Poder do Café na Residência Rural do Barão de Pirapitingui em Jaguariúna/SP”, durante evento realizado no Solar do Barão.
Programação
Segunda-feira, dia 25
O evento teve início, na segunda-feira, dia 25, no Manacás, com o minicurso “Arquitectura Senhorial em Portugal dos Séculos XV a XIX: Nomenclaturas, Modelos e Tipologias”, com o Prof. Dr. Helder Carita, da Universidade Nova de Lisboa e, logo depois, no Solar do Barão de Itapura, houve a abertura oficial.
- Recepção realizada pelo Coletivo Ponte, que atua no Sítio Santo Antonio, em São Roque.
- A casa grande do local foi construída por volta de 1640 pelo bandeirante Fernão Paes de Barros.
Na sequência, aconteceu a primeira de duas sessões de comunicação com o eixo “Proprietários, Construtores e Artífices. Vivências e Rituais”. Neste momento, aconteceram cinco apresentações: “Quinta dos Condes de Mesquitella, em Carnide”, com os professores Helder Carita e Rui Mesquita Mendes; “Singularidades da Casa Senhorial: O Hospício dos Frades Franciscanos Arrábidos na Quinta de Belém”, com Alexandre Arménio Maia Tojal, do Museu da Presidência da República de Portugal; “Pézèrat: Fontes e Mitos sobre a Presença de Um Francês no I Reinado”, com Ana Pessoa e Ana Lúcia Vieira dos Santos; “Fazenda da Barra – O Poder do Café na Residência Rural do Barão de Pirapitingui em Jaguariúna/SP”, com Roberto José D’Alessandro; e “Os Engenheiros e a Casa Senhorial Carioca: Rio de Janeiro do Século XIX, Berço da Engenharia Civil Brasileira”, com Nelson Porto Ribeiro.
No mesmo dia e local, aconteceu a primeira mesa-redonda, “Entre o Açúcar e o Café: A Casa Senhorial na Formação do Território Paulista”, com os professores Marcos Tognon, João Paulo Berto e Maria Alice Rosa Ribeiro, todos da Universidade Estadual de Campinas.
Terça-feira, dia 26
Na terça-feira, no espaço Manacás, houve a segunda sessão de comunicação com o eixo “Proprietários, Construtores e Artífices. Vivências e Rituais” com as seguintes apresentações: “Os Palacetes da Família Machado Coelho”, com Douglas Fasolato, “Inventário Post Mortem como Fonte para a História da Arquitetura: O Patrimônio Urbano da Família Faro no Rio de Janeiro Oitocentista”, com Denise Vianna Nunes e Greyce Kelly Santana de Souza; “Entre o Fazer e o Habitar: As Casas de Antonio Jannuzzi”, com Andreza Veronica dos Santos Baptista; “A Casa Franklin Sampaio: Pesquisa Histórica e Intervenção”, com Rachel Wider Cardoso, Claudia Baima Mesquita e Lucas Arienti Gonçalves; e “A Casa Senhorial na Cidade de Oliveira/MG: Entre a Economia de Abastecimento e o Fausto da Cafeicultura (c. 1860 – c. 1930)”, com Heraldo Tadeu Laranjo Mendonça, Isaac Cassemiro Ribeiro, Régis Eduardo Martins e Alba Nélida de Mendonça Bispo.
- Abertura da exposição “Casas Senhoriais: Modos de Morar em Campinas no Século XIX”, no Palácio dos Azulejos, em Campinas.
- Durante a visita à Chácara do Rosário, em Itu, a casa grande do local (foto) foi um dos lugares visitados.
- Na varanda da casa grande, os pesquisadores puderam aprender um pouco mais sobre a propriedade.
A terceira sessão de comunicação, contou com um novo eixo: “Identificação das Estruturas e dos Programas Distributivos, Estudo das Nomenclaturas Funcionais e Simbólicas de cada Espaço” e foram realizadas apresentações sobre os seguintes assuntos: “Alpendres, Varandas, Corredores: Permanências e Descontinuidades das Moradas na São Paulo Colonial”, com Daniel Carlos de Campos; “A Casa Nobre em Ouro Preto: Desafios para a Caracterização e as Possibilidades de Investigação”, com Fernanda Alves de Brito Bueno, Patricia Thomé Junqueira Schettino e Régis Eduardo Martins; “Vestígios da Presença: Domesticidade e Protagonismo Feminino nas Casas Senhoriais na Vila de Itu no Século XIX”, com Ana Beatris Fernandes Menegaldo e Andrea Buchidid Loewen; e “Entre Afazeres e Horas de Descanso: Impressões de Duas Mulheres Estrangeiras em Seus Registros Literários no Século XIX”, com Cristiane Souza Gonçalves, Roseli d’Elboux e Ana Paula Farah.
- Visita à Fazenda da Lapa, em Joaquim Egídio…
- …e às casas senhoriais urbanas no Centro de Itu.
A quarta sessão de comunicação contou com o mesmo eixo e durante ela aconteceram as seguintes apresentações: “Quer-se Vender Huma Casa Nobre, Sita na Rua da Escola Direita da Fábrica das Sedas, Construída de Pedra de Cantaria e Madeiras do Brasil… Palácio Rebelo de Andrade – Ceia. História e Sobrevivência da Uma Casa Senhorial da Lisboa do Pós-Terramoto”, com Maria Alexandra Gago da Câmara e Teresa Campos Coelho; “Solar dos Leite: Trajetória Histórica, Usos e Transformações de Um Sobrado Senhorial em São Luís”, com Cláudia Nunes de Lima e Andrade e Leonardo Barci Castriota; “Sobrado Amalfi e Casa Pereira Cardoso: Expressões das Famílias Fundadoras do Núcleo Urbano de Morungaba/SP”, com Marília Miguel e Renata Baesso Pereira; e “A Importância dos Emprazamentos Enquanto Fonte no Estudo da Morfologia Habitacional na Época Moderna: Viseu como Caso de Estudo”, com Liliana Andrade de Matos e Castilho.
A quinta sessão de comunicação contou com o eixo “A Ornamentação Fixa: Azulejos, Tetos, Talhas, Pinturas, Estuques, Têxteis, Pavimentos, Chaminés/Lareiras, Janelas, Portas, Para-Ventos e Outros Bens Integrados”. Nela aconteceram as seguintes palestras: “Por Que Um Relógio nas Mansardas do Paris n’América em Belém do Pará?”, com Márcia Nunes e Matheus Gonçalves Nunes; “Elementos Fixos de Ornamentação no Chalé Frayha”, com Alisson Tavares Rosalino e Antonio Carlos Rodrigues Lorette; e “José Maria em Campinas: As Pinturas Decorativas da Loja Maçônica Independência”, com Ana Claudia P. Torem.
O dia foi encerrado com a Mostra de Pôsteres de Iniciação Científica.
- Casa grande e…
- panorama geral da Fazenda Pereiras, em Itatiba.
Quarta-feira, dia 27
O espaço Manacás foi novamente o espaço das sessões de comunicação na quarta-feira. Ainda trabalhando com o eixo “Identificação das Estruturas e dos Programas Distributivos, Estudo das Nomenclaturas Funcionais e Simbólicas de cada Espaço”, a sexta rodada de palestras contou com os seguintes assuntos tratados: “O Habitar para Além da Casa: A Propósito dos Espaços Complementares às Residências da Av. Koeler, em Petrópolis”, com Thiago Santos Mathias da Fonseca; “Ordem Geométrica e Programas Iconológicos: Cinco Jardins Formais Setecentistas Açorianos”, com Isabel Soares de Albergaria; “Résidence Bourgeoise: O Modelo de Victor Petit e a Experiência do Morar à Francesa no Brasil”, com Marcelo Cachioni; “O Jardim de Friburgo: Fontes Iconográficas e Bibliográficas na Reconstituição do Paisagismo Nassaviano em Recife (século XVII)”, com Roseli Delboux, Cristiane Souza Gonçalves e Ana Paula Farah; e “Programa Distributivo e Representação Social no Palácio Itapura (Campinas-SP, 1869–1902)”, com Ana Beatris Fernandes Menegaldo e Renata Baesso Pereira.
A sétima sessão, sendo a última dentro do eixo acima mencionado, apresentou os seguintes assuntos: “Sítio Santo Antônio em São Roque (SP): Fontes Documentais, Cronologia Construtiva e Leitura Simbólica dos Espaços Senhoriais”, com Carolina Gonçalves Nunes, Julio Schneider Neto, Ana Beatris Fernandes Menegaldo, Jean Pierre Créte e Daniela Colin Lima; “Trajetórias Familiares e Casas Senhoriais de Uma Elite Agrária Regional: Os Dias, entre a Economia de Abastecimento e a Cafeicultura de Exportação (c.1830 – c.1930)”, com Rafael Augusto Ferreira, Isaac Cassemiro Ribeiro e João Lucas Rodrigues; “A Casa do Barão de Macaúbas em Rio de Contos: Simplicidade Arquitetônica e Formação da Classe Senhorial nos Sertões da Bahia”, com Letícia Coelho de Oliveira e Renata Baesso Pereira; e “Os Espaços dos Paços: Programas Compositivos e Modelos Organizativos nos Palácios dos Duques de Bragança em Guimarães, Lisboa e Vila Viçosa”, com Milton Pedro Dias Pacheco.
A primeira das três visitas técnicas realizadas aconteceu logo após o almoço. Os participantes do evento foram à Fazenda Mato Dentro, ao Palácio Itapura e ao Palácio dos Azulejos, onde fica o Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas. O intuito era conhecer casas senhoriais rurais e urbanas de Campinas. À noite, houve, no Palácio dos Azulejos, a abertura da exposição “Casas Senhoriais: Modos de Morar em Campinas no Século XIX”.
- Terreiro para secagem do café na Fazenda Pereiras, em Itatiba…
- …e casa grande da Fazenda Atalaia, em Amparo.
Quinta-feira, dia 28
O espaço Manacás recebeu no último dia de eventos internos, a oficina “Interpretação de Inventários Post Mortem”, com Maria Alice Rosa Ribeiro e Breno Aparecido Servidone Moreno, do Centro de Memória Unicamp (CMU), e Carlos Eduardo Nicolette, da Universidade de São Paulo (USP).
Na oitava e última sessão de comunicação, cujo eixo foi: “O Equipamento Móvel nas Suas Funções Específicas e Suas Relações com o Espaço; O Conjunto e as Circulações das Peças; A Atmosfera do Lugar”, foram ministradas as seguintes palestras: “Móveis e Objetos Não Ditos: Potências e Ausências das Coisas Materiais em Museus Casas”, com Marize Malta; “A Transformação da Escuridão em Luz – A Iluminação da Casa Senhorial (Candeias, Candeeiros, Castiçais e Candelabros)”, com Paulo de Assunção; “Interiores Coloniais e Olhares Estrangeiros: Debret e a Construção Imagética da Intimidade no Brasil do século XIX”, com Julia Silva Benayon e José Simões de Belmont Pessoa; “Bem Receber e Ostentar: Os Salões de Um Palacete Campista”, com Elizabeth Santos de Carvalho; “Os Anúncios de Periódicos, Revistas e Almanaques e a Modernização dos Ambientes da Casa Rural Paulista, no Século XIX”, com Rosaelena Scarpeline; “Os Paços Episcopais na Época Moderna: Fontes e Metodologia”, com João Nunes; e “Entre, Sente! Aceita um Cafezinho?”, com Marco Antonio Xavier.

A mesa de encerramento dos eventos internos contou com a participação (da esq. para a dir.) da pesquisadora Ana Pessoa, da Fundação Casa de Rui Barbosa; da professora Renata Baesso Pereira, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas; e do professor Helder Carita, da Universidade Nova de Lisboa.
A segunda mesa-redonda do evento aconteceu na sequência. Com o tema “A Casa Senhorial em Perspectiva: Historiografia, Arquitetura e Diálogos Luso-Brasileiros”, participaram dela Andrea Buchidid Loewen, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da USP, e Cícero Ferraz Cruz, do escritório de arquitetura Brasil Arquitetura.
A mesa de encerramento dos eventos internos contou com a participação do professor Helder Carita, da Universidade Nova de Lisboa; da pesquisadora Ana Pessoa, da Fundação Casa de Rui Barbosa; e da professora Renata Baesso Pereira, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas.
Últimas visitas técnicas
As duas últimas visitas técnicas aconteceram na sexta-feira, dia 29, e no sábado, dia 30. A primeira delas se dirigiu à Chácara do Rosário, em Itu; ao Centro de Itu, para conhecer algumas casas senhoriais urbanas; e ao Sítio Santo Antônio, em São Roque.
A segunda seguiu para a Fazenda Lapa, no distrito de Joaquim Egídio, em Campinas, seguindo posteriormente para a Fazenda Pereiras, em Itatiba, e, por fim, ao Centro de Amparo, para a visitação a casas senhoriais urbanas, e a Fazenda Atalaia, localizada no mesmo município.














