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Documentário celebra os cem anos da pesquisadora Elza Berquó, referência em estudos populacionais e de direitos reprodutivos no Brasil

Produzida pela Fundação Carlos Chagas em parceria com o Cebrap, a obra apresenta a trajetória e contribuições da demógrafa, formada na PUC-Campinas, em 1947

A demógrafa e professora emérita da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), Dra. Elza Berquó, pesquisadora referência quando o assunto são estudos populacionais e de direitos reprodutivos no Brasil, foi homenageada, no último mês de abril, em virtude de seu centenário, ocorrido em outubro do ano passado, com um documentário sobre a sua trajetória e que apresenta o seu pioneirismo no campo demográfico e de raça e gênero no Brasil.

O documentário “100 Anos de Elza Berquó” está dividido em três partes: Vida aos Dados; Projetos, Pesquisas e Instituições; e Legado, e ao longo de seus cerca de 45 minutos, apresenta as significativas contribuições da doutora que, com grande compromisso social, marcou o estudo da demografia brasileira, em especial, no campo da saúde reprodutiva, na formação de pesquisadores, na produção acadêmica e na criação de instituições relevantes.

Ao longo da película, realizada pela Fundação Carlos Chagas (FCC) em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), pesquisadores e parceiros de trabalho falam sobre a vivência com a professora e também sobre os projetos conduzidos por ela, que se formou em Matemática pela PUC-Campinas, em 1947, aos 22 anos. Para assisti-la, basta clicar aqui.

Sobre o documentário
Intitulada “100 Anos de Elza Berquó”, a obra, que começou a ser produzida em 20 de setembro do ano passado pela M.HUB Estúdio Criativo, carrega consigo o chamado “entre lugares” (conceito crítico e cultural, popularizado pelo poeta e ensaísta Silviano Santiago, que define um espaço de transição, híbrido, situado entre dois lugares, culturas ou discursos, funcionando como uma “zona de fronteira” que desconstrói normas, unindo elementos periféricos e hegemônicos, tornando-se um local de resistência e criação de novos sentidos), em sintonia com a atuação da pesquisadora retratada nas áreas da matemática, demografia, causas sociais e construção institucional.

O material audiovisual está dividido em três partes: Vida aos Dados; Projetos, Pesquisas e Instituições; e Legado, e ao longo de seus cerca de 45 minutos, apresenta as significativas contribuições da doutora que, com grande compromisso social, marcou o estudo da demografia brasileira, em especial, no campo da saúde reprodutiva, na formação de pesquisadores, na produção acadêmica e na criação de instituições relevantes.

Biografia
Após se formar em Matemática pela PUC-Campinas, em 1947, aos 22 anos, Elza concluiu, dois anos depois, em 1949, o mestrado em Estatística pela Universidade de São Paulo (USP). Foi nesta instituição que, aos 25 anos, começou a trabalhar na Faculdade de Saúde Pública e, um ano depois, tornou-se livre-docente em Bioestatística.

O posicionamento crítico de Elza, especialmente no que se refere à mortalidade infantil, fez com que ela fosse afastada da USP, em 1967, de maneira compulsória pelo regime militar (1964-1985). Foi neste contexto que ela fundou o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), relevante instituição de estudos e pesquisas em sociologia, política, filosofia, economia, antropologia e demografia, sediada em São Paulo, que conta com antropólogos, cientistas políticos, demógrafos, economistas, filósofos, historiadores, juristas e sociólogos, todos organizados em dezessete núcleos de pesquisa.

Alguns anos mais tarde, ela foi para os Estados Unidos, onde concluiu o seu doutorado em Bioestatística na Columbia University, em 1959. Ao retornar ao Brasil, na década de 1960, fundou o Centro de Estudos de Dinâmica Populacional (Cedip), no Departamento de Estatística Aplicada da então Faculdade de Higiene e Saúde Pública, hoje Departamento de Epidemiologia da FSP-USP, que foi vanguardista no ensino da Demografia na América Latina. Foi nessa instituição que ela iniciou as suas pesquisas sobre reprodução humana. Em 1965, Elza realizou um estudo intitulado “Reprodução Humana no Distrito de São Paulo”, que antecipou a tendência de queda da fecundidade das mulheres no país.

O seu posicionamento crítico, especialmente no que se refere à mortalidade infantil, fez com que ela fosse afastada da USP, em 1967, de maneira compulsória pelo regime militar (1964-1985), sendo neste contexto que ela acabou por fundar o Cebrap, onde criou um programa de formação voltado, especificamente, para pesquisadoras negras e deu sequência às atividades da Pesquisa Nacional de Reprodução Humana, iniciada no Cedip.

Anos depois, ela acabou por fundar também o Núcleo de Estudos Populacionais da Universidade Estadual de Campinas (Nepo-Unicamp), que hoje leva o seu nome e que, em outubro do ano passado, inaugurou um site em homenagem ao seu centenário de vida.

Ela também ajudou a criar a Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep), em 1976, presidindo-a entre 1983 e 1984, e, em 2021, tornou-se a primeira mulher a receber o título de doutora honoris causa da Unicamp. Além desse reconhecimento, foi contemplada com dezenas de prêmios e honrarias, sendo membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pesquisadora emérita do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A demógrafa desenvolveu também, em 2012, o projeto “Dar Voz aos Jovens”, por meio do qual narrativas de adolescentes sobre sexualidade foram transformadas em curtas-metragens. A iniciativa também foi financiada pelo Cebrap e pela Fundação Carlos Chagas. Nesta última instituição, inclusive, a pesquisadora fez parte do conselho consultivo do Programa de Treinamento em Pesquisa sobre Direitos Reprodutivos na América Latina e Caribe (PRODIR) e integrou o seu Conselho Curador ao longo de 31 anos, compondo, na atualidade, o seu Comitê de Honra.

Sobre a Fundação Carlos Chagas
A Fundação Carlos Chagas (FCC) é uma instituição de direito privado e sem fins lucrativos que, pelos relevantes serviços prestados à sociedade brasileira, foi declarada como de utilidade pública. Há mais de sessenta anos, é reconhecida pela competência na atuação em duas grandes áreas: processos seletivos e pesquisa educacional.

A FCC já realizou mais de 2.700 projetos, atendeu 550 instituições e avaliou mais de 313 milhões de candidatos e, por meio de seu Departamento de Pesquisas Educacionais, dedica-se a programas de investigação sobre temas direta ou indiretamente relacionados a avaliação, seleção de pessoas, políticas públicas, formação e trabalho docente, direitos sociais, relações etárias, de gênero e raciais.

Sobre o Cebrap
O Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) é uma instituição de estudos e pesquisas em sociologia, política, filosofia, economia, antropologia e demografia, sediada em São Paulo.

Além de promover cursos e seminários e conceder bolsas de pesquisa nas suas áreas de atuação, ela sedia o Centro de Estudos da Metrópole (CEM), dedicado aos estudos referentes à capital paulista, e a Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR), dedicada a pesquisas nas áreas de saúde pública, sexualidade e direitos reprodutivos no Brasil.

Segundo dados de 2022, o Centro conta com cerca de 160 pesquisadores, entre antropólogos, cientistas políticos, demógrafos, economistas, filósofos, historiadores, juristas e sociólogos, e está organizado em dezessete núcleos de pesquisa.



Daniel Bertagnoli
5 de maio de 2026