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Mescla Empreende inicia com 25 projetos promissores e dá largada à jornada de pré-incubação

Programa da PUC-Campinas reúne ideias inovadoras e aposta em mentoria intensiva para transformar projetos em startups

A PUC-Campinas realizou, na segunda-feira, 4 de maio, o onboarding dos participantes do Mescla Empreende, programa voltado a pessoas que estão no estágio inicial de desenvolvimento de ideias e desejam transformá-las em negócios viáveis.

Integrado ao Ecossistema Mescla, o programa oferece uma trilha estruturada de capacitação, mentorias e acompanhamento especializado. A iniciativa é voltada a estudantes, docentes e também à comunidade externa.

De acordo com o Pró-Reitor de Inovação da PUC-Campinas, Prof. Dr. Eduard Prancic, além da formação técnica, o programa se consolida como um compromisso institucional de fortalecimento do ecossistema de inovação, ampliando a integração entre universidade e sociedade ao incentivar a participação de diferentes perfis de empreendedores. “A abertura para a comunidade externa contribui para diversificar ideias e enriquecer o processo de inovação. Quanto mais aberto o funil de captação, melhor para o processo de inovação”, destacou.

Processo de seleção

Todos os projetos inscritos no Mescla Empreende passaram por uma avaliação de ao menos três avaliadores, formada pela equipe do Mescla e por docentes que fazem parte do ambiente de inovação da Universidade. Para chegar à nota final de cada grupo foram avaliados diversos critérios e, para cada um deles, atribuída uma nota de zero a cinco pontos.

Das 51 propostas inscritas, 25 foram selecionadas e, a partir de agora, os grupos entram na jornada de pré-incubação com duração de oito meses. “Além dos 25 aprovados, os projetos não selecionados receberão devolutivas qualificadas sobre as eventuais dificuldades ou problemas para que eles possam retornar e voltar a propor esses novos negócios”, explicou Eduard Prancic.

Ao longo do programa, os grupos selecionados terão acesso a aproximadamente 150 horas de formação, distribuídas em seis trilhas de aprendizagem com diferentes temáticas relacionadas ao desenvolvimento de startups. A jornada inclui encontros práticos, mentorias individuais e coletivas. As atividades também serão realizadas no Campus II para atender os grupos vinculados aos cursos da Escola de Ciências da Vida (ECV).

Ideias inovadoras

Os projetos selecionados refletem a diversidade de áreas e a aplicação prática do conhecimento acadêmico em soluções inovadoras.

Entre os projetos que receberão a mentoria do Mescla está a ferramenta que realiza varreduras em redes sociais para gerar insights sobre produtos de moda e design desenvolvida pela Profa. Me. Tauane Spanhol de Aguirre, do Curso de Design de Moda da PUC-Campinas em parceria com o UX Designer Alejandro Peres.  Apesar de já ser funcional, o desafio agora é estruturar o modelo de negócio. “A gente tem um programa que funciona, mas não tem a nossa posição no mercado. O que buscamos é transformar esse projeto numa empresa mesmo, virar uma startup”, afirmou Tauane.

“Por mais que a gente tenha estabelecido protótipos, criado alguns materiais muito próximos do que a gente imagina de produto, a gente ainda não tinha uma validação de algo externo. Então ter esse apoio do Mescla é uma coisa que valida ainda mais a nossa ideia”, complementou Alejandro.

Na área da saúde, a estudante do Curso de Enfermagem, Camila Rodrigues desenvolveu com outra colega de curso um software pós-operatório para pacientes submetidas à cirurgia de mastectomia. A proposta delas é facilitar o acompanhamento das pacientes, com orientações, dicas e até teleconsultas. “Nós acreditamos muito que com a ajuda do Mescla vamos conseguir chegar ao nosso objetivo, que é futuramente vender esse aplicativo para empresas e operadoras de planos de saúde”, explicou.

Outro projeto selecionado pelo Mescla Empreende foi o aplicativo desenvolvido pelo agrônomo Sérgio Guillaumon Santana que busca conectar o campo e a cidade, oferecendo soluções para tornar propriedades rurais mais rentáveis. “Estou fazendo muito com Inteligência Artificial (IA), pesquisando e desenvolvendo. Já tenho um caminho em mente, mas é sempre bom ter opinião de quem está vendo de fora também e tem experiência como o Mescla”, explicou.

O grupo do estudante Yuri Figueiredo da Silva, aluno do 5º semestre do Curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial apostou em um SaaS com Inteligência Artificial para auxiliar jovens e pessoas endividadas na gestão de suas finanças. Em fase de MVP (Minimum Viable Product, em português, “Produto Mínimo Viável”), o projeto busca avançar com o suporte do programa. “A gente já fez as pesquisas, então agora é seguir em frente. Estamos bem ansiosos”, afirmou.

Já o grupo do estudante do Curso de Sistemas de Informação, Lucas Ormeneze Altieri, pensou em um aplicativo que tem a proposta de conectar pessoas para a prática de esportes coletivos, de acordo com o nível de habilidade e localização. “Nós já testamos, fizemos a versão inicial, modelamos e trabalhamos bastante nisso. Agora, a expectativa é desenvolver o máximo possível com a ajuda do Mescla”, disse.

O estudante do Curso de TI e Negócios Digitais, João Artur Barbosa Siqueira, que desenvolveu uma plataforma para conectar clientes a estabelecimentos comerciais por meio de benefícios exclusivos, vê na mentoria do Mescla uma oportunidade de evoluir o seu projeto. “Estou bem empolgado porque é um projeto que eu já estou pensando desde o ano passado. Agora é pegar essa consultoria para aprimorar o que já está sendo colocado em prática”, afirmou.

Metodologia orientada à validação e ao mercado

A proposta pedagógica do Mescla Empreende está fundamentada em metodologias de inovação, com ênfase na compreensão aprofundada dos problemas antes da construção das soluções.

Ao longo desse período de oito meses os grupos participarão de seis trilhas de aprendizagem com diferentes temáticas relacionadas ao desenvolvimento de startups. A primeira dessas trilhas foi realizada já no onboarding das equipes pela Profa. Me. Vânia Bitencour, docente da
Escola de Economia e Negócios (EcoN) da PUC-Campinas.

Nesse primeiro encontro foi detalhado a parte pedagógica e técnica. Segundo ela, essa etapa inicial é essencial para a consistência dos projetos. “É fundamental que os participantes realizem um diagnóstico qualificado, compreendendo o problema, o público-alvo e a proposta de valor antes de avançar. Um dos pilares é garantir que o aluno não tenha pressa em chegar à solução”, explicou.

A metodologia adotada acompanha a evolução dos projetos por fases, garantindo que cada etapa seja validada antes do avanço. “Eles podem ter níveis de maturidade diferentes. Então essa primeira trilha, esse primeiro conteúdo que a gente aplica, além de ele ter um papel importante de balizamento desse conhecimento prévio para começar um projeto desse porte, ele também traz ferramentas muito importantes para conseguir fazer imersão no problema. O progresso ocorre de forma estruturada, assegurando que haja aderência entre solução e mercado”, completou.

Encerramento com apresentação ao mercado

Com a jornada oficialmente iniciada, os participantes agora entram na fase de descoberta e validação de problemas, etapa considerada essencial para reduzir riscos e aumentar as chances de sucesso no mercado.

A jornada do Mescla Empreende será concluída em novembro, com a realização do Demo Day, momento em que os participantes apresentarão seus projetos a uma banca avaliadora e ao ecossistema de inovação, ampliando oportunidades de conexão e desenvolvimento de novos negócios.



Jean Spaduzano
5 de maio de 2026