
Evento sobre os 70 anos das lutas anticoloniais africanas destaca resistência histórica e debate o racismo contemporâneo
Encontro na PUC-Campinas trouxe especialista em África para refletir sobre heranças do colonialismo e desafios atuais
A PUC-Campinas, por meio do Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros” Dra Nicéa Quintino Amauro” (CEAAB) e do Observatório PUC-Campinas, realizou, na noite de quarta-feira (8), uma palestra sobre os “70 anos do início das lutas de libertação anticolonial na África: desafios de ontem, embates de hoje”. A convidada foi a Profa. Dra. Patrícia Teixeira Santos, especialista em História da África.
A discussão mobilizou docentes, estudantes e pesquisadores em um evento voltado à reflexão sobre racismo, memória histórica e resistência. Com o tema, a iniciativa buscou ampliar o debate sobre as desigualdades ainda presentes nas relações sociais e políticas, especialmente no contexto brasileiro.
A proposta do encontro foi tratar o racismo como elemento central na formação ética e cidadã, além de promover um espaço interdisciplinar de discussão sobre suas diferentes manifestações na sociedade. A atividade também destacou a importância de compreender os processos históricos que moldaram as dinâmicas contemporâneas de exclusão e resistência.
A abertura contou com a fala da coordenadora do Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Doutora Nicéa Quintino Amauro, comendadora Edna Almeida Lourenço, e do Prof. Dr Pe. José Antonio Boareto, docente da Faculdade de Teologia e pesquisador do Observatório PUC-Campinas.
Para a comendadora Edna, a realização do evento e a presença de especialistas reforçam o crescimento e a relevância do centro de estudos. “A régua do CEEAB vai subindo, e está em uma crescente muito grande. Ter aqui a professora Patrícia é de uma grandeza ímpar, por conta de todo o acúmulo que ela tem nessa pauta, trazendo essa nossa história tão sofrida, tão doída, mas que também traz uma vitória, que mostra a força desse nosso povo negro”, afirmou.
Ela também adiantou sobre parcerias internacional do Centro. “Estamos vivendo uma relação grande com a África. Vamos receber professores da Universidade Pedagógica de Maputo, em Moçambique, e estamos em tratativas com o Ministério da Saúde de Angola. É um momento mágico para nós, de grande felicidade, com o compromisso de profissionais voltados à saúde integral da população negra”, completou.
O padre Boareto reforçou a importância de revisitar esse processo histórico para compreender os desafios atuais. “São 70 anos de uma luta anticolonial. Os países africanos conquistaram sua independência, mas ainda há resquícios dessa colonização. O importante é perceber como esses povos continuam resistindo por meio da ancestralidade, dos saberes e das práticas culturais”, explicou.
Segundo ele, essa resistência se manifesta como elemento central de identidade e continuidade histórica. “Essa memória ancestral é também resistência no presente, uma forma de reorganização diante das marcas deixadas pelo colonialismo”, destacou.
Na sequência, a palestra principal foi conduzida pela professora doutora Patrícia Teixeira Santos, especialista em História da África. Ela trouxe mais sobre esses 70 anos de luta e apresentou elementos importantes para o debate presente.
“É uma alegria muito grande estar aqui. Quero destacar a importância do CEAAB nacionalmente, como um ponto de referência de reflexão, aprendizagem e convivência entre pesquisadores, jovens e ativistas. Essa comunhão é fundamental”, disse.
A pesquisadora também destacou a atualidade do tema ao relacionar passado e presente. “Refletir sobre as lutas e as resiliências dos povos, que seguem sendo explorados em novos contextos, é fundamental para compreender o ultracolonialismo que vivemos hoje”, afirmou. Ao relembrar episódios históricos, como a Guerra da Argélia, ela enfatizou o papel da resistência popular. “Lembrar dessas lutas é também reconhecer nossa capacidade de reagir e resistir a situações opressivas”, pontuou.
Sobre a professora
A professora doutora Patricia Teixeira Santos é titular em História da África da Unifesp; docente do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em História da UFAM; pesquisadora colaboradora do Centro Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória da Universidade do Porto, em Portugal; do Laboratório As Áfricas no Mundo; do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Bordeaux; do Centro de Pesquisas sobre a Inculturação do Cristianismo da Universidade de Bordeaux, na França; e do Departamento de Estudos Africanos da Universidade de Delhi, na Índia.












