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Futuros professores desenvolvem recursos didáticos e digitais em parceria com escola municipal de Campinas

Atividade integra a disciplina do Núcleo Comum das Licenciaturas da PUC-Campinas e propõe a criação de materiais antirracistas

A PUC-Campinas, por meio do Núcleo Comum das Licenciaturas, reuniu os cursos de Letras, Pedagogia, Educação Física e Ciências Biológicas em uma iniciativa que visa desenvolver materiais didáticos que serão entregues a EMEF Professora Dulce Nascimento, de Campinas. Trata-se de uma parceria entre as instituições com o objetivo de desenvolver recursos voltados à educação antirracista e à alfabetização. As atividades foram realizadas no Manacás, no Campus I.

“É uma experiência muito enriquecedora. São alunos ingressantes da Universidade que já têm o contato real com a escola”, afirma a professora do Curso de Pedagogia da PUC-Campinas, Dra. Carolina Trentini, sobre a disciplina Recursos Didáticos e Práticas Pedagógicas, oferecida pelo Núcleo.

O trabalho começou com repertório teórico sobre recursos didáticos, mediação docente e práticas inclusivas. “Discutimos a função do professor para pensar nas especificidades da sala, com foco grande para práticas inclusivas. Os alunos visitaram a unidade, conversaram com a diretora, coordenadora e professoras da educação especial. Agora, divididos em sete grupos multicursos, eles estão desenvolvendo recursos voltados à educação antirracista, um tema que vem sendo trabalhado pela Prefeitura de Campinas este ano. Todos os recursos foram planejados pensando no público que a gente está atendendo”, destaca a professora Carolina. A proposta é que estes objetos fiquem acessíveis a docentes da educação básica, que trabalham com 5º e 6º ano e buscam materiais para crianças de 10 a 12 anos.

Um dos grupos está desenvolvendo um álbum de figurinhas com atletas e personalidades negras. Segundo o estudante de Letras (Português-Inglês), Abner Roberto, a proposta é levar o tema antirracista de forma mais leve e lúdica. “Pegamos figuras do atletismo brasileiro, como a Rebeca Andrade, figuras históricas da África, da música. Como ensina Paulo Freire, temos que usar o cotidiano para ensinar, como estamos em ano de Copa, todo mundo gosta de álbum”, explica o estudante.

Já a aluna Júlia Alvares, do Curso de Pedagogia, criou um projeto para apresentar o Cabuletê, instrumento de matriz africana. “De forma divertida, lúdica e instrutiva, nossa ideia é que as crianças tenham uma interdisciplinaridade que as leve a um conhecimento sócio racial mais apurado e antirracista”, pontua.

Para Júlia, trabalhar a educação na prática é um grande diferencial, que a prepara para sua formação quanto docente, “quando a gente pensa em faculdade, pensa no teórico. Desde que entrei na PUC-Campinas, a gente tem lidado com o dia a dia da educação na prática. Isso nos ajuda a encarar um grande desafio da educação, que é o desinteresse das crianças pelo novo. Hoje o material vem muito mastigado e elas acabam se fechando. Por eu ser mais jovem, entendo a linguagem infantil e faço então uma ponte entre o desconhecido e o que a criança já é capaz de executar”, reforça Júlia.

Do físico ao digital com apoio do Manacás

Essa disciplina integra o Programa Manacás da PUC-Campinas, que todo semestre seleciona e apoia projetos de curricularização da extensão da Universidade.

Segundo a Profa Dra. Fabíola Cristina R. Oliveira, gerente do Manacás, a proposta é que após a criação dos recursos físicos, o programa irá avaliar e viabilizar a produção destes objetos educacionais no meio digital. “A gente está lidando com gerações muito digitais. As crianças já são educadas digitalmente assim que começam a aprender a falar. É uma construção coletiva que começa aqui, mas a gente não sabe onde termina”, pontua a professora.

Os materiais digitalizados serão publicados em repositório aberto gerido pelo Sistema de Bibliotecas da PUC-Campinas. “A gente visualiza que é possível deixar esses objetos eternizados. Ao transformar no digital, permite que outros públicos em outros contextos tenham acesso”, destaca a professora Fabíola.

A fase atual é de finalização da montagem dos recursos didáticos, que depois serão entregues à EMEF Dulce Nascimento. A proposta aqui é que as duas versões, física e digital, ampliem o alcance da educação antirracista e inclusiva.



Carlos Giacomeli
25 de maio de 2026