
Faculdade de Medicina e Hospital PUC-Campinas realizam campanha de conscientização sobre a Doença Renal Crônica
Evento ocorrido em alusão ao Dia Mundial do Rim, teve lugar no Shopping Parque das Bandeiras, nos últimos dias 12 e 14 de março

A triagem e a orientação das pessoas atendidas foram realizadas por nefrologistas e enfermeiros com o apoio de alunos e alunas da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, reforçando o compromisso da Instituição com a promoção da saúde, o ensino e a pesquisa.
A Faculdade de Medicina e o Hospital PUC-Campinas, em parceria com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), realizaram, nos últimos dias 12 e 14 de março, no Shopping Parque das Bandeiras, em alusão ao Dia Mundial do Rim 2026 (celebrado, neste ano, no último dia 12), uma campanha de conscientização e triagem referente a Doença Renal Crônica (DRC), que integrou um estudo nacional de epidemiologia sobre esta enfermidade e que foi desenvolvido em todo o Brasil durante a semana passada.
A ação, que foi aberta ao público, aconteceu durante todo o dia, no dia 12, e na parte da manhã, no dia 14, e atendeu 134 pessoas. O objetivo foi ampliar a conscientização da população sobre a prevalência da DRC por meio da verificação da pressão arterial, da realização de exames rápidos de creatinina e da distribuição de material informativo aos clientes do shopping. A triagem e a orientação foram realizadas por nefrologistas e enfermeiros com o apoio de alunos e alunas da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, reforçando o compromisso da Instituição com a promoção da saúde, o ensino e a pesquisa.
Participaram do evento, 21 estudantes da Faculdade de Medicina e seis da Faculdade de Enfermagem, de vários semestres, bem como dois residentes da área de Nefrologia do Hospital PUC-Campinas.
A coordenação da campanha ficou a cargo da Dra. Soraia Rambalducci Marchi da Rocha, professora titular da disciplina de Nefrologia da Faculdade de Medicina, diretora regional da Sociedade de Nefrologia do Estado de São Paulo (SONESP) e pesquisadora responsável pelo estudo multicêntrico EPI-DRC Brasil, com o apoio do diretor técnico do Hospital PUC-Campinas, Dr. Rodrigo Dias de Meira, e do Dr. Guilherme Martins Casimiro, também pertencente ao quadro clínico da Instituição, sendo ambos nefrologistas.

O objetivo do evento foi ampliar a conscientização da população sobre a prevalência da doença renal crônica por meio da verificação da pressão arterial, da realização de exames rápidos de creatinina e da distribuição de material informativo aos clientes do shopping.
Ações realizadas
Segundo Soraia, “o evento da quinta-feira passada, dia 12, teve como objetivo realizar uma ação social dentro da Campanha do Dia Mundial do Rim, com panfletagem e orientações gerais à população sobre a DRC, bem como realizar um estudo sobre a epidemiologia da doença. Para o estudo, nós realizamos a assinatura do Termo de Consentimento pelo paciente; o preenchimento de um questionário epidemiológico; a aferição da pressão arterial; e a medição do peso e da altura com o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) (medida internacional adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para avaliar se um adulto está no peso ideal, com a realização de um cálculo que divide o peso pela altura ao quadrado)”.
A professora explica ainda que “além disso, também foram realizadas a medida da creatinina (resíduo metabólico produzido pelos músculos, filtrado pelos rins e eliminado na urina. É um marcador essencial da função renal e níveis altos no sangue, em geral, indicam que os rins não estão realizando a filtração corretamente) através do teste rápido point-of-care (em tradução livre para o português, “no ponto de atendimento” – é um teste realizado com qualquer dispositivo que não seja destinado ao auto teste, mas sim, a fazer testes fora de um ambiente de laboratório, geralmente, perto ou ao lado do paciente por um profissional de saúde), realizado com um aparelho portátil onde uma fita reagente analisa uma gota de sangue. O resultado sai em trinta segundos”.
“Foram feitos ainda o cálculo da taxa de filtração glomerular (TFG) (que mede a eficiência dos rins em filtrar o sangue, sendo o principal indicador da função renal); esclarecimentos para o paciente sobre a DRC; e o encaminhamento para Unidades Básicas de Saúde (UBS) de pacientes com TFG maior que 60 para rastreio anual de DRC. Para os pacientes com TFG menor que 60, foram oferecidos dois vouchers para que estes pudessem realizar a dosagem sérica (exame laboratorial que mede a concentração de substâncias, como medicamentos, hormônios, proteínas, ferro ou anticorpos no soro sanguíneo (parte líquida do sangue)) de creatinina, bem como a da relação de albumina/creatinina após a triagem, sendo que, uma vez que tenha sido acusada uma alteração, foi indicado à pessoa examinada repeti-lo em três meses”, esclarece a coordenadora.
Fortalecendo a integração
A professora Soraia esclarece que convidou os doutores Rodrigo e Guilherme com o intuito de consolidar uma parceria institucional envolvendo a Faculdade de Medicina, o Hospital PUC-Campinas e as sociedades científicas da especialidade, especialmente a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e a SONESP. Segundo ela, “essa colaboração fortalece a integração entre assistência, ensino e produção científica, permitindo que o conhecimento gerado na Universidade e nos serviços de saúde seja aplicado diretamente na melhoria do cuidado aos pacientes”.

A ação, que foi aberta ao público, aconteceu durante todo o dia, no dia 12, e na parte da manhã, no dia 14, e atendeu 134 pessoas.
Ela continua dizendo que “no contexto de iniciativas como o Dia Mundial do Rim, parcerias como essas são fundamentais, pois contribuem para a formação de um ecossistema colaborativo entre a Universidade, o Hospital e as sociedades médicas, ampliando ações de educação em saúde, rastreamento e pesquisa sobre a Doença Renal Crônica. Dessa forma, conseguimos aumentar o impacto das campanhas de conscientização e fortalecer estratégias de prevenção, que são essenciais para enfrentar um problema de saúde pública cada vez mais relevante”.
O que é a Doença Renal Crônica?
A Doença Renal Crônica é definida pela presença de anormalidades da estrutura renal ou da função do rim por, pelo menos, três meses. O seu diagnóstico baseia-se na estimativa da taxa de filtração glomerular estimada (TFGe), calculada pela equação CKD-EPI (do inglês, Chronic Kidney Disease Epidemiology Collaboration – em tradução livre para o português, Colaboração em Epidemiologia da Doença Renal Crônica), uma fórmula matemática atualizada (de 2021) utilizada para estimar a taxa de filtração glomerular, que avalia a função renal com mais precisão do que métodos antigos, como o MDRD (do inglês, Modification of Diet in Renal Disease – em tradução livre para o português, Modificação da Dieta na Doença Renal).
A coordenadora da ação ressalta que “a Doença Renal Crônica é um grande e crescente desafio global de saúde, afetando uma em cada dez pessoas em todo o mundo. Frequentemente silenciosa em seus estágios iniciais, ela pode progredir despercebida até causar graves consequências à saúde, impactando, profundamente, indivíduos, famílias e comunidades. A detecção precoce pode salvar vidas. Testes simples, por meio de exames de sangue e urina, podem identificar disfunções renais, permitindo intervenções oportunas que retardam a progressão da doença. A Campanha do Dia Mundial do Rim 2026, celebrou vinte anos dessa importante iniciativa global. A Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) coordenou, em todo o país, ações para marcar esta data, com o propósito de conscientizar a população sobre as doenças renais e promover a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado”.
Sobre o Estudo Nacional de Epidemiologia da Doença Renal
No contexto do Dia Mundial do Rim 2026, a SBN e as suas regionais coordenaram um estudo: o EPI-DRC Brasil. Este serviu para estimar a prevalência da Doença Renal Crônica no Brasil por meio da triagem aleatória com um dispositivo portátil para a dosagem de creatinina e da estimativa da taxa de filtração glomerular em pacientes adultos nas cinco regiões do pais.
O objetivo secundário foi avaliar as diferenças regionais em relação à prevalência da DRC. “Este é um estudo prospectivo multicêntrico que realizou um rastreamento aleatório da função renal em mais de doze mil pacientes adultos. A função renal foi avaliada a partir do teste de creatinina point-of-care, com coleta de urina realizada nos locais das atividades referentes ao Dia Mundial do Rim e nova coleta em três meses”, explica a professora.
- A função renal dos avaliados foi realizada através da medida da creatinina, via teste rápido point-of-care.
- O exame é feito com um aparelho portátil onde uma fita reagente analisa uma gota de sangue. O resultado sai em trinta segundos.
Segundo Soraia, apesar de, neste ano, ter ocorrido a primeira edição do Estudo Nacional, no ano passado, foi realizada a Campanha do Dia Mundial do Rim com diversas ações no Prédio dos Ambulatórios, localizado no Hospital PUC-Campinas, e na Faculdade de Medicina. “Para o próximo ano, nós pretendemos continuar como protagonistas dessa importante campanha de conscientização sobre a saúde renal, sendo o Dia Mundial do Rim sempre celebrado na segunda quinta-feira do mês de março”, comenta.
Experiência incrível
De acordo com a estudante do 5° período de Medicina e diretora acadêmica da Liga de Cardiologia da PUC-Campinas, Letícia Giovanna Faria da Silva, que participou da ação, a experiência foi “incrível”. Ela diz ainda que “já tinha participado de algumas outras ações como voluntária, mas estar à frente, organizando, é totalmente diferente. Foi uma experiência única. Ver a ideia sair do papel, tomar forma e desabrochar fisicamente é maravilhoso. Foram dois dias de ação nos quais todos os voluntários estiveram superengajados em captar e atender os pacientes, abraçando, realmente, a ideia da prevenção das doenças renais. A melhor parte dessas ações é criar uma ponte entre o que aprendemos na faculdade e a população, tirando o conhecimento dos limites da Universidade e o expandindo muros à fora”.
Sobre a importância da realização do evento, Letícia comenta que, “atualmente, a literatura mostra que a maioria das doenças renais nos estágios iniciais não apresentam sintomas e que, quando estas começam a se manifestar, os pacientes já estão em estágios mais graves, necessitando até de tratamentos mais complexos, como a hemodiálise e o transplante renal”.

Para o Estudo Nacional de Epidemiologia da Doença Renal, dentre tantas outras ações, foram realizados o pedido de assinatura do Termo de Consentimento pelo paciente, o preenchimento de um questionário epidemiológico, a aferição da pressão arterial e a medição do peso e da altura com o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC).
“Muitas vezes, ao examinar e triar os pacientes durante desse tipo de ação, podemos alcançar aqueles que nem imaginariam ter doenças renais ou que, pela falta de acesso à acompanhamentos de saúde, demorariam muito mais tempo para descobri-las e, assim como tudo na medicina, acredito que quanto antes diagnosticarmos, mais cedo iniciamos o tratamento e, consequentemente, o prognóstico do paciente tende a ser melhor. Dessa forma, ações como essa do ‘Dia Mundial do Rim’ são de extrema importância, tanto para a conscientização e prevenção, quanto para o diagnóstico dos pacientes, pois acendem um alerta na população de que doenças renais existem, podem ser graves e que, quanto antes descobertas, melhor será o desfecho”, ressalta a diretora acadêmica.
Passando por todos os setores
Ela esclarece ainda que, durante a ação, teve a oportunidade de passar por quase todos os setores, desde a captação de pacientes e a sua recepção ao chegarem ao local de atendimento, até o atendimento em si, com a aferição da pressão arterial e o encaminhamento após todas as etapas do processo.
“Eu acho que cada etapa contou com os seus desafios, mas a captação dos pacientes, ao menos pra mim, foi a mais desafiadora. Sair pelo shopping, abordando as pessoas que estavam passeando e falar sobre a existência de doenças renais e as suas complicações, da importância de se fazer exames para detectá-las e tentar convencê-las a participar da ação, nos levou a sair de nós mesmos, ignorar toda a timidez e realmente abordar cada um, usando todos os nossos argumentos possíveis, explicando sobre doenças renais, fatores de risco, complicações e convidando-os a participar da ação. Foi desafiador, porque, quando uma ação dessas acontece, nem todos aceitam fazer o teste e, muitas vezes, nós vemos um paciente que, apesar de possuir muitos fatores de risco, decide não realizar a testagem e isso nos frustra. No entanto, muitas pessoas são supersolícitas e, na primeira chamada, topam realizar o teste. Ao final, a ação deu muito certo e superou as nossas expectativas”.

Participaram do evento, 21 estudantes da Faculdade de Medicina e seis da Faculdade de Enfermagem, de vários semestres, bem como dois residentes da área de Nefrologia do Hospital PUC-Campinas.
Com outros olhos
Sobre a possibilidade de se tornar uma nefrologista, Letícia explica que, a princípio, não pensava nisso, por ser apaixonada pela cardiologia, mas que com a professora Soraia, ela aprendeu a olhar a área “com outros olhos”.
“Ela conseguiu me mostrar nesse meio tempo que, apesar de, muitas vezes ignorados, os rins desempenham um papel importantíssimo no nosso corpo, criando vários eixos e se interligando com todos os outros demais órgãos e sistemas. Dessa forma, é preciso ter um olhar aberto para todos eles, independentemente da especialidade médica, afinal, o nosso corpo é um grande sistema, onde cada peça é importante e o mantém funcionando em harmonia. Hoje, eu sou uma das diretoras da Liga de Cardiologia e, após o convite da Dra. Soraia e do Braço de Urologia e Nefrologia, sabendo da existência do eixo entre coração e rins, como estão mutuamente conectados, um repercutindo no outro, enquanto liga, decidimos abraçar também a ação do ‘Dia Mundial do Rim’, haja vista que precisamos cuidar dos nossos pacientes de forma integral e entendendo que o corpo humano é composto por vários sistemas, interligados e dependentes entre si. Além disso, é sempre bom participar de ações que nos levem a nos desafiar e ir ao encontro da população, trazendo a eles tudo aquilo que aprendemos na sala de aula”, encerra Letícia.



