
51ª Jornada de Fonoaudiologia amplia contato dos estudantes com práticas e tendências da profissão
Evento contou com palestras, oficinas e mesa-redonda com especialistas de diferentes áreas da Fonoaudiologia, a partir de temas escolhidos pelos próprios estudantes
A 51ª Jornada Acadêmica de Fonoaudiologia da PUC-Campinas promoveu, entre os dias 8 e 11 de setembro, no Auditório Monsenhor Salim, no Campus II, um encontro entre estudantes e profissionais de diferentes áreas de atuação. Organizado pelos próprios alunos do Curso de Fonoaudiologia, o evento contou com 11 palestras, além de oficinas práticas e mesa-redonda, aproximando a formação acadêmica das experiências clínicas, da pesquisa científica e dos desafios encontrados no cotidiano profissional.
Com uma programação construída a partir dos interesses dos estudantes, a Jornada contemplou diferentes campos da Fonoaudiologia, como linguagem, audiologia, voz, motricidade orofacial, disfagia e reabilitação. A proposta foi ampliar o contato dos alunos com especialistas que atuam diretamente na profissão e apresentar possibilidades de atuação que vão além dos conteúdos trabalhados em sala de aula.
Para a Profa. Dra. Thaís Diniz, docente do Curso de Fonoaudiologia, a Jornada representa uma oportunidade de aproximar os futuros profissionais de referências em áreas pelas quais eles demonstram interesse.
“A Fonoaudiologia tem crescido bastante e é uma área muito ampla de conhecimento. Então, é uma oportunidade de os alunos buscarem profissionais que estão em atendimento, na clínica ou fazendo pesquisas com os assuntos que eles têm interesse. Por isso, é importante que os alunos tenham contato com esses especialistas e possam ampliar o conhecimento”, explicou.
Estudantes no protagonismo da Jornada

Camily Vitória Martins dos Santos, Rayra Simões Zolio e Lívia Miranda Matos
Mais do que participar das atividades, os estudantes assumiram o protagonismo na construção da programação. A escolha dos temas começou com uma pesquisa realizada junto ao corpo discente, buscando identificar os assuntos de maior interesse.
“Para decidir os temas, fizemos uma enquete com todo o corpo estudantil para saber os interesses mais frequentes, o que as pessoas têm vontade de aprender. Também deixamos um campo aberto para sugestões”, explicou Rayra Simões Zolio, integrante da comissão organizadora.
A partir das respostas, a comissão organizadora discutiu as sugestões com os docentes, avaliou os conteúdos apresentados em edições anteriores e definiu uma programação que contemplasse diferentes áreas da profissão. Depois da definição dos assuntos, os próprios alunos participaram da busca por profissionais de referência.
“Fizemos um levantamento de profissionais que atuam naquela área, de pesquisadores que têm relevância, conseguimos contatos e conversamos também com o corpo docente, que nos ajudaram bastante”, contou Camily Vitória Martins dos Santos, também integrante da comissão organizadora.
Para as estudantes, a experiência de estar à frente de um evento acadêmico também faz parte da formação profissional. “É uma experiência indescritível estar por trás de tudo, organizar tudo. É muito gratificante ver as pessoas gostarem e perceber que conseguimos trazer temas relevantes, que às vezes não aparecem nas aulas ou não são tão discutidos”, explicou Lívia Miranda Matos, que também faz parte da comissão organizadora.
Diferentes áreas e experiências práticas
A programação foi pensada para oferecer aos estudantes contato com temas atuais e diferentes possibilidades de atuação profissional. Entre os assuntos abordados estiveram a apraxia de fala na infância, a reabilitação vestibular, o transtorno do desenvolvimento da linguagem (TDL), a análise acústica forense, casos clínicos relacionados ao câncer de cabeça e pescoço, fissura labiopalatina, avaliação instrumental da voz, implante coclear, cirurgia ortognática, audiologia e intervenção na gagueira.
Entre os assuntos abordados durante a semana esteve a palestra “Apraxia de Fala na Infância: diagnóstico diferencial e intervenção a partir de casos clínicos”, ministrada pela fonoaudióloga Layres Severo. A profissional apresentou aos estudantes aspectos relacionados ao diagnóstico e à intervenção, além de discutir a importância de uma abordagem ampla para compreender as necessidades de cada paciente.
“A apraxia de fala é um tema que vem ganhando cada vez mais espaço. Minha principal ideia foi trazer o assunto de uma forma dinâmica, para que os alunos pudessem ter um olhar diferenciado sobre o que envolve fazer um diagnóstico e quais cuidados precisamos ter na intervenção. O importante é olhar para o paciente como um todo, e não apenas para um fragmento”, afirmou.
- Layres Severo
- Thaís Grigol
Outro momento da programação foi a oficina “Hands-on em reabilitação vestibular: estratégias aplicáveis na clínica”, conduzida pela fonoaudióloga Thaís Grigol, mestre e especialista na área de autoneurologia, com atuação em audição e equilíbrio. Com uma abordagem prática, a atividade trouxe casos clínicos e situações relacionadas à reabilitação vestibular, permitindo aos estudantes conhecer mais de perto uma área de atuação da Fonoaudiologia.
“Procurei compartilhar um pouco da minha experiência sobre a reabilitação vestibular. Trouxe casos clínicos e uma abordagem mais prática para eles terem essa vivência, além da teoria. É uma área em que eles podem se especializar depois de formados e sou muito feliz com o que faço”, disse.
A programação também contou com uma mesa-redonda sobre casos clínicos em câncer de cabeça e pescoço, reunindo profissionais de diferentes áreas para uma discussão multiprofissional, além de oficinas e palestras voltadas a situações encontradas na prática clínica.
Para Maria Gabriela Calisto Rezende da Silva, estudante do oitavo período de Fonoaudiologia, a experiência amplia não apenas o conhecimento técnico, mas também a preparação para o contato com os pacientes.
“A Jornada é enriquecedora para o nosso currículo e também como ser humano e profissional. Nós, da área da saúde, não tratamos apenas a doença ou a comorbidade; precisamos enxergar o lado humano. Ela traz uma bagagem científica para podermos tratar essas enfermidades, mas também traz muito o lado pessoal, para tratarmos os pacientes com qualidade”, afirmou.






