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A violência estrutural, que se espalha pelos 19 municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC), entrelaçando suas populações em um mesmo drama, e sua distribuição socioeconômica nos espaços metropolitanos, será o tema abordado por Lucas de Melo Melgaço, professor dos cursos de Geografia e Engenharia Ambiental da PUC-Campinas, durante o I Encontro Internacional da Extensão e da Pesquisa. O evento ocorrerá de 10 a 13 de setembro, no Campus I da PUC-Campinas (Rodovia D. Pedro I, km 136, Parque das Universidades, em Campinas).

O encontro, um dos mais importantes sediados pela Universidade neste ano, conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC). Tem o objetivo de promover um debate acadêmico e científico entre estudantes, professores, pesquisadores e cientistas das áreas envolvidas, e com a sociedade em geral, sobre a dinâmica da metropolização. É aberto ao público e gratuito. O programa e a ficha de inscrição estão disponíveis no portal www.puc-campinas.edu.br.

A apresentação de Lucas Melgaço integrará a mesa-redonda sobre o tema “Desafios urgentes: segurança pública e violência”, no dia 12/09, das 14h às 16h. A mesa será coordenada pelo advogado e professor colombiano Pablo Angaritas Cañas, da Universidade de Antióquia, de Medellin. Cañas intrega programas sociais e de direitos humanos que vêm reduzindo o quadro de violência em Medellin, uma das cidades cuja população mais sofreu com a ação do narcotráfico.

Além de Melgaço, estarão entre os debatedores da mesa os geógrafos e pesquisadores James Humberto Zomighani Júnior (USP) e Alcindo José de Sá (UFPE). Após a mesa-redonda, haverá a conferência sobre o tema “Segurança pública e violência”, com a socióloga Vera Melaguti de Souza Weglinski Batista (Ucam/RJ).

Professor de Geografia e Engenharia Ambiental da PUC-Campinas, Melgaço realiza pesquisas em geoprocessamento sobre a violência em Campinas e região desde 2002. Com elas concluiu sua monografia, o mestrado e, agora, prepara-se para a defesa do doutorado. Seu trabalho é baseado nas teorias do geógrafo e pensador Milton Santos (1926-2001).

Melgaço realiza estudos cartográficos com base em indicadores públicos, a partir dos quais faz análises críticas sobre os fatores que levam à violência, procurando explicitar suas relações e causas. “Acho que o geoprocessamento, hoje utilizado em alguns segmentos como a agricultura, é de fundamental importância também para a segurança e outras áreas de gestão pública. Mas, para isso, deverão se instrumentar com equipamentos e softwares especiais, e também precisarão do apoio de geógrafos para gerar mapas e interpretar os dados”, diz ele.

Suas pesquisas centram-se nos seguintes indicadores: distribuição dos homicídios, seqüestros relâmpagos, localização dos distritos policiais e panorama socioeconômico. Uma das constatações já feitas é de que o crescimento da violência na região se deu a partir de 1970, coincidindo com a grande expansão imobiliária e ocupações de novas áreas.

Seus estudos desfazem alguns mitos, entre os quais o de que a violência está associada à pobreza. Explica que de fato em algumas áreas dos municípios da RMC os altos índices têm esse perfil. Porém, há cidades como Pedreira, onde o PIB é baixo, e há pouca violência. Por outro lado, Paulínia, com alto PIB, tem índices altos. “É importante ressaltar, no entanto, que em qualquer contexto são os pobres as maiores vítimas”, observa.

Em Campinas, o pesquisador destaca os bairros ao longo da Rodovia Santos Dumont, a região dos Distritos Industriais (DIC) e a região do Jardim São Marcos como as mais violentas da cidade. As menos violentas são os distritos de Sousas, Joaquim Egídeo e Barão Geraldo, e os bairros Guanabara e Cambuí. Sobre as tendências para o futuro, acha que a ampliação dos condomínios fechados tendem a colaborar com a ampliação da violência. “A segregação torna mais evid



Portal Puc-Campinas
29 de agosto de 2006