
Documentário sobre a economia brasileira marca Aula Inaugural da Escola de Economia e Negócios
Filme revisita diferentes períodos da economia do País, de 1983 a 2022, e abriu espaço para reflexões entre estudantes, docentes e o professor Carlos Pinkusfeld, idealizador da produção
A Escola de Economia e Negócios (ECON) da PUC-Campinas realizou, no dia 17 de setembro, a Aula Inaugural de 2026 com a estreia do documentário “Economia e Democracia: Uma História Econômica da Nova República”. A atividade contou com a participação do Prof. Dr. Carlos Pinkusfeld, professor associado do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretor-presidente do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (CICEF), que participou da produção do filme.
Realizado no Campus I, o encontro reuniu estudantes e docentes para acompanhar a produção e discutir diferentes momentos da economia brasileira desde o processo de redemocratização. O documentário percorre o período entre 1983 e 2022 e aborda quatro momentos: a crise da dívida e a hiperinflação (1983-1992), a estabilização monetária (1993-2002), a expansão social e econômica dos anos 2000 (2003-2012) e a crise iniciada em 2013.
Com direção de Belisário Franca e produção da Giros Filmes, o documentário reúne depoimentos de especialistas, trabalhadores, empreendedores e sindicalistas, relacionando as transformações econômicas do período às experiências vivenciadas pela população. A produção foi desenvolvida em dois formatos: um média-metragem de uma hora, destinado a exibições institucionais, e uma série de quatro episódios de 15 minutos para plataformas digitais.
O filme integra um circuito de exibições em universidades de Minas Gerais, Paraíba, Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Para Pinkusfeld, um dos idealizadores da produção, a principal contribuição do documentário para os estudantes de Economia está justamente na possibilidade de apresentar, de forma condensada, um longo período da história econômica brasileira. “O filme oferece uma espécie de panorama muito rápido de um longo período da economia brasileira, 40 anos. É uma visão geral que ajuda o estudante a entrar nesse universo”, afirma.
O professor destaca que a linguagem audiovisual possibilita uma aproximação diferente daquela proporcionada pelos materiais tradicionalmente utilizados na formação acadêmica. “O documentário reúne muitos depoimentos e imagens, o que dá uma concretude, uma visão da realidade muito maior do que aquela proporcionada, obviamente, pelos livros e pelas aulas”, opina.
Segundo Pinkusfeld, essa característica permite aos estudantes o contato com aspectos históricos que não foram necessariamente vivenciados pelas novas gerações. “É uma experiência até sensorial de um longo período da economia brasileira, que ajuda o estudante a entrar nesse material de uma forma mais vivida, mais afetiva, mais próxima da realidade”, explica.
Aprendizado a partir da história econômica
Para o Prof. Dr. Paulo Ricardo da Silva Oliveira, diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da PUC-Campinas, a exibição do documentário proporcionou aos estudantes a oportunidade de relacionar conteúdos trabalhados na graduação com processos econômicos, sociais e políticos da história recente do Brasil.
“O filme tem grande capacidade de síntese ao percorrer cerca de quatro décadas da história econômica brasileira, recuperando acontecimentos, transformações e debates fundamentais para compreender o Brasil contemporâneo”, conta. O diretor também destacou a participação dos estudantes no debate realizado após a sessão. “O interesse dos alunos ficou evidente na participação no debate após a exibição, com muitas perguntas e uma interlocução muito rica”, afirma.
A Profa. Maria Vitória Fabbio Carrocini, docente da Faculdade de Ciências Econômicas, também ressaltou a oportunidade de apresentar aos estudantes acontecimentos anteriores à sua própria experiência. “A discussão da economia brasileira, por meio do filme, foi uma ótima escolha. Isso fez com que os alunos tivessem uma experiência fora da sala de aula”, explica.
Segundo a docente, a atividade também contribuiu para aproximar os estudantes da compreensão histórica dos processos econômicos. “O entendimento do que aconteceu no passado é de suma importância para a compreensão das medidas macroeconômicas praticadas”, afirma.
A relação entre as políticas macroeconômicas e seus resultados foi um dos aspectos que mais chamou a atenção de Raphael Santiago Pereira, de 21 anos, estudante do sexto semestre da Faculdade de Ciências Econômicas.
“O que mais me chamou a atenção foi a relação entre as políticas macroeconômicas e os resultados apresentados. Entender por que determinada política foi adotada e, depois, observar numericamente os efeitos que ela produziu ao longo de cada governo despertou meu interesse”, revela.
O estudante também destacou a construção cronológica da narrativa. Para ele, a organização dos acontecimentos ajudou a acompanhar as diferentes medidas adotadas ao longo do período abordado pelo documentário.
A experiência também levou Gabriela Diamante Silva, de 20 anos, estudante do sexto semestre da Faculdade de Ciências Econômicas, a rever a forma como compreendia alguns dos períodos retratados no documentário. Entre eles, está o contexto de hiperinflação e as diferentes tentativas de estabilização da economia brasileira.
“Antes eu enxergava esse trecho da história como basicamente uma sequência de planos econômicos que fracassaram. Depois de assistir ao documentário, passei a entender esse período de outra forma, percebendo como a inflação estava relacionada também ao contexto institucional da democracia que estava sendo reconstruída”, explica.
Para Gabriela, a abordagem apresentada pelo filme também contribuiu para compreender a estabilização econômica como parte de um processo histórico mais amplo. “Passei a enxergar o sucesso do Plano Real como resultado de um amadurecimento institucional que vinha sendo construído desde a Constituição de 1988. Foi um processo lento de aprendizado democrático que tornou possível, anos depois, um acordo econômico”, afirma.
Experiência como ponto de partida
Após a exibição do documentário, o professor Pinkusfeld participou de um debate com os estudantes. Para quem saiu da sessão interessado em compreender melhor a economia brasileira, o docente recomenda que o filme seja utilizado como ponto de partida para novas leituras.
Entre as obras que cita estão “A Economia Brasileira de Getúlio a Dilma: Novas Interpretações”, organizado por Vitor Leonardo Araújo e Fernando Mansur de Matos; “A Ordem do Progresso: Dois Séculos de Política Econômica no Brasil”, organizado por Marcelo de Paiva Abreu; e “Economia Brasileira Contemporânea (1945-2010)”, organizado por Fabio Giambiagi, Lavínia Barros de Castro e Jennifer Hermann.
“São três livros bastante utilizados, bastante difundidos, e você vai encontrar capítulos sobre todos os períodos históricos que são tratados, inclusive sobre esses 40 anos do filme. É uma boa porta de entrada”, recomenda.







