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Três duplas de estudantes da Faculdade de Publicidade e Propaganda são finalistas da quinta edição do PerifaLions

O projeto social sem fins lucrativos existe para dar visibilidade, criar oportunidades e construir pontes entre jovens talentos das periferias e o mercado publicitário

Três duplas de estudantes do sétimo semestre da Faculdade de Publicidade e Propaganda são finalistas da quinta edição do PerifaLions, projeto social sem fins lucrativos que existe para dar visibilidade, criar oportunidades e construir pontes entre jovens talentos das periferias e o mercado da publicidade. Beatriz Cristina de Amorim e Karen Bianca Castro Conceição; Sarah Ananias Fernandes da Silva e Letícia Vieira Maciel; e João Elias de Jesus Roberto e Julia Bueno dos Reis foram os escolhidos.

Da esquerda para a direita, as alunas Letícia Vieira Maciel, Sarah Ananias Fernandes da Silva, Karen Bianca Castro Conceição e Beatriz Cristina de Amorim; o diretor da Faculdade de Publicidade e Propaganda, Prof. Me. Hugo Gimenes de Lima; e os também alunos Julia Bueno dos Reis e João Elias de Jesus Roberto.

Todos os seis estudantes são bolsistas da PUC-Campinas, por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni) e do Vestibular Social, e souberam da existência do concurso através do diretor da Faculdade de Publicidade e Propaganda, Prof. Me. Hugo Gimenes de Lima.

Neste ano, o foco dos desafios foi a Eletromidia, patrocinadora master da edição. No total, o concurso contabilizou 120 duplas inscritas de todo o país, que se dedicaram a criar soluções voltadas a transformar o trajeto do cidadão em uma experiência mais útil e inteligente, resolvendo problemas reais para quem vive nas cidades.

A edição também contou com patrocínio das empresas Artplan, Creative Punch, Duiu, Live, Lola\TBWA, Drum, R/GA e W3Haus, além de ter obtido apoio oficial do Cannes Lions e da produtora Desert Flowers, que produziu o filme do concurso.

Os vencedores, que serão anunciados nesta quarta-feira, dia 13 de maio, poderão participar do Cannes Lions deste ano, que ocorrerá entre os dias 22 e 26 de junho. Todas as despesas da viagem à França serão pagas e os alunos e alunas ganharão cursos da Creative Punch, vagas de estágio em agências parceiras e suporte intensivo de inglês antes da ida à Europa.

Trabalhos finalistas
As alunas Beatriz Cristina de Amorim e Karen Bianca Castro Conceição desenvolveram um projeto que transforma os mobiliários urbanos da Eletromidia em uma espécie de scanner emocional da cidade. A proposta parte do estresse vivido por trabalhadores periféricos nos deslocamentos diários e usa as telas para identificar sinais de cansaço e exibir notícias boas de pessoas próximas, criando uma pausa afetiva no meio da rotina.

Sarah Ananias Fernandes da Silva e Letícia Vieira Maciel, por sua vez, criaram o projeto “Tela em Descanso”, que propõe usar as pausas entre anúncios da Eletromidia para revelar as pausas reais na cidade. A ideia mostra paisagens e espaços de descanso próximos ao ponto onde a pessoa está, usando geolocalização para indicar onde estas ficam, quanto tempo leva pra se chegar até elas e como fazê-lo, além de ampliar a experiência por meio do chamado “Mapa do Descanso”.

De acordo com a finalista Letícia Vieira Maciel, o seu projeto foi inscrito no PerifaLions porque a sua dupla enxergou no concurso “uma oportunidade de colocar uma ideia nossa em diálogo com o mercado, com uma marca real e com um briefing que falava diretamente sobre transformar a cidade a partir de uma jornada humana”.

Por fim, João Elias de Jesus Roberto e Julia Bueno dos Reis desenvolveram o “GabaritOOH”, uma proposta voltada para estudantes que estão se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O projeto transforma o tempo de deslocamento em oportunidade de estudo, levando conteúdos, revisões, apoio em tempo real, informações sobre o local de prova e momentos de bem-estar para as telas da Eletromidia espalhadas pela cidade.

Tela em Descanso
De acordo com a finalista Letícia Vieira Maciel, a ideia da realização de seu trabalho surgiu a partir “de uma inquietação muito presente em nossa rotina, que é a sensação de que estamos sempre cansados, sempre atravessando a cidade no automático e buscando algum tipo de pausa nas telas. Ao mesmo tempo, percebemos que, muitas vezes, o descanso que aparece para nós no celular é distante, caro ou inalcançável, como viagens, paisagens perfeitas e lugares que não cabem na rotina de quem vive no ‘corre’ e, a partir disso, chegamos ao insight de que a gente não descansa mais e, sim, assiste ao descanso alheio. Com o briefing da Eletromidia, nós entendemos que as telas da cidade poderiam ter um outro papel. Não o de apenas disputar a atenção das pessoas, mas de devolver o olhar delas para a própria cidade. Assim nasceu o ‘Tela em Descanso’, uma proposta que usa os intervalos entre anúncios para revelar pausas reais, próximas e possíveis dentro da rota de cada pessoa”.

Dialogando com o mercado
Ela explica que o projeto foi inscrito no PerifaLions porque “nós enxergamos no concurso uma oportunidade de colocar uma ideia nossa em diálogo com o mercado, com uma marca real e com um briefing que falava diretamente sobre transformar a cidade a partir de uma jornada humana”.

Basicamente, o “Tela em Descanso” propõe que, depois de um anúncio, a tela da Eletromidia entre em um modo de descanso. Nesse momento, em vez de exibir uma imagem genérica, ela mostra uma paisagem real próxima daquele ponto, como uma praça, um parque, uma vista, um banco na sombra ou um espaço de contemplação. Com a geolocalização, o painel indica onde fica esse lugar, quanto tempo leva para se chegar até ele e como fazê-lo. Para quem quiser continuar a experiência, o projeto também propõe o “Mapa do Descanso”, uma camada digital dentro do site da Eletromidia, acessada por um QR code físico nos mobiliários, que revela outras pausas possíveis perto da rota de cada pessoa.

Segundo a também finalista Julia Bueno dos Reis, a ideia de seu trabalho foi “transformar pontos de ônibus e painéis da Eletromidia em pontos de apoio para os estudantes” que irão prestar o vestibular.

Letícia lembra que o processo todo começou pela análise do briefing e pela busca de uma jornada humana real. “Queríamos fugir de uma solução muito óbvia ou puramente tecnológica. Por isso, investigamos o cansaço urbano, o excesso de telas, a falta de tempo de qualidade e a forma como muitas pessoas acabam buscando descanso apenas pelo olhar. A partir daí, conectamos esse comportamento com a ideia de redirecionar esse olhar para os espaços de respiro que já existem na cidade, mas que, muitas vezes, passam despercebidos”, esclarece.

Conhecendo o PerifaLions
“Nós conhecemos o PerifaLions através do diretor do curso de Publicidade e Propaganda, Professor Hugo, e passamos a acompanhar o projeto por sua importância em abrir portas para jovens criativos periféricos e de diferentes trajetórias dentro do mercado publicitário. Participamos do concurso no ano passado e, neste ano, decidimos tentar novamente com mais repertório, mais maturidade e mais atenção ao processo de construção da ideia e, quando vimos que o desafio seria em parceria com a Eletromidia, nos interessamos muito porque o briefing trazia uma provocação forte, que era a de pensar como os painéis de rua poderiam transformar o trajeto do cidadão em uma experiência mais útil e inteligente. Isso nos motivou a pensar em uma proposta que fosse além de uma campanha e tivesse potencial de funcionar como uma solução urbana”, comenta a aluna.

Sensação muito especial
Sobre o sentimento de estar os trinta finalistas, ela ressalta que esta é “uma sensação muito especial. Para nós, isso já representa uma grande conquista, porque valida o nosso processo, a nossa evolução e a força de uma ideia construída com muito cuidado. Também é um sentimento de orgulho por representar a PUC-Campinas, por ver um trabalho acadêmico/criativo chegando em uma etapa tão importante e por perceber que a nossa visão sobre a cidade, a comunicação e o impacto pôde ser reconhecida pelo mercado. Mais do que o resultado, estar entre os finalistas mostra que estamos no caminho certo e que projetos sociais são mais que necessários para a sociedade”, encerra Letícia.

Julia explica que “o ‘GabaritOOH’ nasceu como uma forma de democratizar o acesso à educação e às oportunidades no Enem, levando conteúdos relevantes para quem vive o ‘corre’ diário e passa grande parte do tempo em deslocamento pela cidade”.

Um cursinho a céu aberto
A também finalista Julia Bueno dos Reis explica que João, a sua dupla, e ela, começaram o seu trabalho com um brainstorming (em tradução livre para o português, “tempestade de ideias”, uma técnica colaborativa focada em estimular a criatividade e gerar um grande volume de soluções em pouco tempo), colocando várias ideias à mesa, “mas, nenhuma colava. Tudo parecia óbvio demais. Aí, tivemos uma call com o chefe de Marketing e Inovação da Eletromidia e ficou claro que a gente precisava pensar maior. E o clique veio do nada. Num Uber. Olhei para um abrigo de ônibus da empresa e pensei nos vestibulares e cheguei à conclusão de que a tela poderia estar transmitindo um conteúdo relativo ao Enem. Eu lembrei de como o vestibular pode ser sufocante e em quanta coisa nós precisamos decorar em pouco tempo e como telas desse tipo já fazem parte do caminho que os estudantes realizam todo dia. Por isso mesmo, essas informações nesses lugares os ajudariam a fixar aquilo que foi estudado na noite anterior. É a cidade virando um cursinho a céu aberto”.

Processo de criação e chegando à final
Após isso, Julia levou a ideia para João e, a partir daí, começaram a desenvolver melhor o conceito, debatendo possibilidades e refinando a proposta até que ela ganhasse vida. “O ‘GabaritOOH’ nasceu como uma forma de democratizar o acesso à educação e às oportunidades no Enem, levando conteúdos relevantes para quem vive o ‘corre’ diário e passa grande parte do tempo em deslocamento pela cidade. A ideia era transformar pontos de ônibus e painéis da Eletromidia em pontos de apoio para os estudantes. Nós desenvolvemos um planejamento de um mês de conteúdos e uma landing page (em tradução livre para o português, “página de aterrissagem”, uma página da web criada para focar em uma única ação de marketing ou vendas, com o intuito de capturar contatos, vender um produto ou promover um evento, maximizando as suas taxas de conversão) com materiais mais aprofundados. O processo foi muito colaborativo, pois enquanto eu ficava mais focada nas copies e na estratégia da ideia, o João desenvolvia as peças e o design da apresentação, e o tempo todo íamos trocando ideias e refinando o projeto juntos”.

Para o diretor da Faculdade de Publicidade e Propaganda, Prof. Me. Hugo Gimenes de Lima, “é preciso ressaltar ainda que todas as duplas já são vencedoras, pois… chegar até essa etapa… tem um significado enorme, não só pra eles, mas pra nós, enquanto Universidade, também”.

Sobre estar entre os finalistas, a estudante explica que “a sensação é muito boa. No ano passado, nós havíamos ficado na 38ª posição, então o objetivo desse ano era chegarmos no top 30, o que que já é bem difícil, se considerarmos os mais de 120 trabalhos inscritos, e isso só mostra que as nossas ideias estão amadurecendo de verdade”, finaliza Julia.

Trabalho junto à comunidade
Para o diretor da Faculdade de Publicidade e Propaganda, Prof. Me. Hugo Gimenes de Lima, a PUC-Campinas contar com três duplas formadas por seus estudantes sendo escolhidas entre as trinta melhores do PerifaLions só evidencia o trabalho que a Universidade tem feito junto à comunidade, com formação sólida, o que a qualifica, cada vez mais, para participar desse nível de seleção.

Hugo encerra mencionando que “pensar na participação de inúmeras universidades do Brasil e saber que seis alunos e alunas da nossa Instituição foram selecionados para a final é uma honra, porque a gente percebe que não se trata apenas da parte humana da formação, mas também da técnica e da própria estrutura oferecida pela PUC-Campinas. É preciso ressaltar ainda que todas as duplas já são vencedoras, pois já vêm ganhado prêmios há algum tempo e chegar até essa etapa, com certeza, tem um significado enorme, não só pra eles, mas pra nós, enquanto Universidade, também”.



Daniel Bertagnoli
11 de maio de 2026

/* CONTEUDO PROGRAMATICO*/