Acessibilidade  
Central de Atendimento ao Aluno Contatos oficiais Área do aluno

Setembro Amarelo: vínculo com animais pode ajudar no enfrentamento da depressão

Especialista da Clínica Veterinária da PUC-Campinas destaca como a presença dos animais pode oferecer companhia, afeto, rotina e conexão em momentos de sofrimento emocional

Não é novidade que os animais de estimação ocupam um lugar especial na vida de muitas pessoas. Para além do carinho e da companhia, cães, gatos e outros animais podem ter um papel importante em momentos de fragilidade emocional, ajudando a reduzir a sensação de solidão, estimular a manutenção de uma rotina e criar vínculos que fazem diferença no cotidiano. No “Setembro Amarelo”, mês dedicado à conscientização e à promoção da saúde mental, a relação entre pessoas e animais ganha destaque justamente por seu potencial de oferecer acolhimento e apoio em períodos de sofrimento.

A convivência com um animal pode ser especialmente significativa para pessoas que enfrentam situações como tristeza, depressão, ansiedade, estresse ou isolamento social. Segundo a diretora da Clínica Veterinária da PUC-Campinas, Akemi Roberta Xavier Ikeda Bertim, os animais são capazes de perceber alterações no comportamento e na rotina de seus tutores e, muitas vezes, respondem a essas mudanças buscando maior proximidade.

“Os animais são muito sensíveis às mudanças de comportamento e de rotina das pessoas. Muitas vezes, percebem que algo está diferente e respondem buscando proximidade, contato e companhia. É uma forma de interação que pode ser muito acolhedora”, explica.

Esse comportamento pode ganhar importância justamente quando a pessoa está mais vulnerável emocionalmente. Em períodos de depressão, por exemplo, atividades simples do dia a dia podem se tornar difíceis. O cuidado com um animal cria compromissos e momentos de interação que podem ajudar a preservar uma estrutura mínima de rotina e proporcionar uma razão para levantar, sair de casa, se movimentar e estabelecer contato.

O vínculo também pode funcionar como uma forma de conexão em momentos em que a pessoa tende ao isolamento. O animal não exige explicações, não faz julgamentos e permanece presente. O contato físico, a companhia e a interação podem proporcionar conforto e contribuir para que a pessoa se sinta menos sozinha.

Às vezes, um animal adulto, inclusive sem raça definida, pode ter um temperamento muito mais adequado para aquela pessoa do que um filhote de determinada raça

Dr. Leandro Elias Biazzomédico veterinário

Um vínculo que pode fazer diferença

A relação entre humanos e animais também pode contribuir para o bem-estar emocional em situações que vão além da depressão. Ansiedade, nervosismo, estresse, solidão e isolamento social estão entre os contextos nos quais a convivência pode ser positiva.

Para alguém que passa grande parte do dia sozinho, por exemplo, a presença de um animal pode representar uma oportunidade diária de interação. Para quem enfrenta uma rotina marcada por estresse, brincar ou passear com o animal pode criar momentos de pausa e desconexão. Já para uma pessoa que atravessa um período de tristeza, o vínculo pode oferecer uma presença constante e afetiva.

A responsabilidade também faz parte do vínculo

Apesar dos benefícios que a convivência pode proporcionar, a decisão de ter um animal precisa ser consciente. Um pet não deve ser adquirido ou adotado exclusivamente como uma forma de tratar depressão ou outro transtorno. A relação precisa ser positiva para os dois lados e considerar as condições da pessoa para oferecer alimentação, cuidados veterinários, atenção, higiene, atividade física e segurança.

O especialista explica que não existe uma raça específica indicada para pessoas com depressão ou ansiedade. Algumas, como Cavalier King Charles Spaniel, Golden Retriever, Labrador, Poodle e Shih-tzu, possuem características que podem favorecer uma convivência próxima, mas o temperamento individual do animal é determinante.

“O mais importante é avaliar o temperamento daquele animal, a rotina da pessoa e se ela realmente tem condições de assumir essa responsabilidade”, afirma o Dr. Leandro Elias Biazzo.

A escolha responsável é fundamental porque o vínculo entre pessoa e animal deve ser construído sobre cuidado mútuo. Quando essa relação é saudável, a presença do animal pode representar muito mais do que companhia: pode significar afeto, rotina, contato e uma conexão diária que ajuda a pessoa a atravessar momentos difíceis.

Importância de buscar ajuda especializada

Apesar da importância do animal, a especialista reforça que ele não substitui psicólogo, psiquiatra, médico ou qualquer outro profissional de saúde. “O vínculo com os pets pode integrar uma rede de apoio, mas não deve ser apresentado como tratamento ou como solução única para o sofrimento psíquico”, Dr. Leandro Elias Biazzo.



Carlos Giacomeli
2 de setembro de 2026

/* CONTEUDO PROGRAMATICO*/