
PUC-Campinas apresenta pesquisa sobre diversidade racial no COBENGE 2026
Trabalho desenvolvido pela Escola Politécnica em parceria com o CEAAB analisa a presença de estudantes negros nos cursos de Engenharia e amplia a discussão sobre acolhimento e diversidade no ensino superior
A presença de estudantes negros nos cursos de Engenharia foi tema de pesquisa apresentada pela PUC-Campinas no Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia (COBENGE) 2026, realizado na PUC-Minas. Intitulado “Acolhimento, Diversidade e Presença Negra nos Cursos de Engenharia”, o trabalho foi desenvolvido pela Escola Politécnica, em parceria com o Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros em Educação, Cultura e Memória (CEAAB), e apresentado na área temática de Inclusão, Diversidade, Pluralidade e Cidadania.
O estudo parte de um recorte específico da realidade da PUC-Campinas, utilizando dados de estudantes ingressantes para observar a presença negra nos cursos de Engenharia. A proposta, no entanto, é ampliar a investigação a partir das discussões e dos diferentes contextos encontrados no País.
Os dados revelam que as barreiras de acesso para a população negra permanecem desafiadoras: entre os estudantes da Universidade que autodeclararam sua cor/raça, 74% identificam-se como brancos, enquanto pardos somam 17% e pretos apenas 7%. O estudo chamou a atenção ainda pelo baixo índice de declaração, no qual cerca de 86,4% dos ingressantes optaram por não informar sua raça ou cor durante a matrícula.
A iniciativa busca ir além dos números, identificando as trajetórias e os principais desafios enfrentados por estudantes negros na Engenharia, campo historicamente marcado por pouca diversidade racial e de gênero. Em resposta a esse cenário, a Escola Politécnica e o CEAAB, em colaboração com a Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD), vêm promovendo agendas integradas focadas na adaptação acadêmica, no sentimento de pertencimento e na mitigação da evasão escolar, reforçando o compromisso institucional da PUC-Campinas com a construção de um ambiente universitário mais plural e inclusivo.
Segundo o Prof. Me. Sérgio Roberto Pereira, docente da Escola Politécnica da PUC-Campinas, o trabalho ainda está em desenvolvimento e ganhou novos caminhos a partir dos debates realizados durante o congresso. “Uma das coisas que a gente viu no Congresso, nas discussões sobre o tema, é que a ideia de acolhimento na Engenharia, com os alunos negros, é muito diferente para cada região do País”, explica.
O levantamento considera, inicialmente, dados de estudantes ingressantes da PUC-Campinas e informações já disponíveis em estudos sobre o tema. A partir desse material, os pesquisadores buscam compreender como a diversidade racial se apresenta nos cursos e quais questões podem ser observadas em relação ao acolhimento desses estudantes no ambiente universitário.
Para o docente, o trabalho representa uma primeira etapa de uma investigação que ainda deve ser aprofundada. Pereira também destaca que a apresentação no COBENGE também permitiu confrontar o recorte inicial da pesquisa com experiências de outras regiões brasileiras.
Realidades regionais
As discussões realizadas durante o congresso mostraram aos pesquisadores que a presença de estudantes negros na Engenharia não pode ser analisada de maneira uniforme em todo o País. O docente cita como exemplo a realidade observada na Bahia, onde estudantes negros representam a maioria nos cursos de Engenharia, e a do Pará, que também apresenta uma composição diferente daquela observada em outras regiões.
“Vimos, por exemplo, que na Bahia os alunos negros são maioria na Engenharia. No Pará, a maioria dos alunos não são brancos também. Então, essa diversidade é muito grande”, afirma.
A constatação levou o grupo a considerar novos recortes para a continuidade do estudo. A intenção é ampliar a análise e observar como aspectos relacionados à diversidade e ao acolhimento se manifestam em diferentes regiões do Brasil.
Para Pereira, o trabalho foi muito bem aceito e a discussão com participantes de diferentes regiões contribuiu para ampliar a própria perspectiva dos pesquisadores sobre o tema, além de ajudar a definir os próximos passos da investigação. A proposta é dar continuidade ao estudo, aprofundando inicialmente a análise relacionada à realidade da região Sul.
“Para o ano que vem, vamos colocar o desafio de continuar o estudo, a nossa visão da região Sul”, revela. A nova etapa da pesquisa poderá incorporar outros contextos regionais e ampliar a compreensão sobre a presença e o acolhimento de estudantes negros nos cursos de Engenharia.
Participação no COBENGE
A pesquisa integrou a programação do COBENGE 2026, realizado na PUC-Minas, e foi apresentada na área de trabalho dedicada a Inclusão, Diversidade, Pluralidade e Cidadania.
A participação deu continuidade à presença da PUC-Campinas no congresso, que teve sua edição anterior sediada pela Universidade. Em 2025, a PUC-Campinas recebeu o COBENGE, reunindo pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais envolvidos com a educação em Engenharia.
O Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia (COBENGE) é promovido anualmente pela Associação Brasileira de Educação em Engenharia (ABENGE) e constitui um espaço nacional de discussão sobre formação, ensino e exercício profissional em Engenharia. Em 2026, o congresso chegou à sua 54ª edição, realizada de 14 a 17 de setembro, em Belo Horizonte, na PUC-Minas, simultaneamente ao IX Simpósio Internacional de Educação em Engenharia.
A programação reúne professores, pesquisadores, estudantes, gestores acadêmicos e profissionais da área para a apresentação de pesquisas e experiências, além do debate sobre práticas pedagógicas e os desafios contemporâneos da formação em Engenharia.
