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Queda nas transações comerciais indica baixa atividade econômica na RMC

Volume de exportações e importações em agosto foi pior em relação ao mesmo período do ano passado, aponta Observatório PUC-Campinas

A desaceleração da economia global, sobretudo a crise na Argentina, e a baixa demanda interna estão produzindo efeitos negativos às empresas situadas na Região Metropolitana de Campinas (RMC). De acordo com os dados do Ministério da Economia, analisados pelo Observatório PUC-Campinas, as exportações e importações de agosto apresentaram quedas em relação ao mesmo período do ano passado.

As vendas ao exterior, que totalizaram US$ 425,45 milhões, foram inferiores devido, sobretudo, às reduções nas exportações de medicamentos e acessórios para veículos motorizados. Porém, vale destacar que a comercialização de automóveis de passageiros, que compõem o quadro das principais mercadorias exportadas na região, continuam em queda, principalmente pela crise no maior mercado de destino, a Argentina.

Outro aspecto importante se refere à característica dos produtos exportados no mês de agosto. Segundo a análise, houve queda nas vendas de mercadorias de maior complexidade econômica, como agroquímicos, pneus novos e equipamentos para análises físicas. Para o economista Paulo Oliveira, que coordenou o estudo, esse panorama não é desejável por afetar a economia local.

“Produtos considerados complexos demandam mais conhecimento e mão-de-obra qualificada. Com a redução na venda de mercadorias desta natureza, temos como consequência a perda de produtividade e renda, uma vez que sua fabricação está associada à oferta de maiores salários”, destaca.

Em relação às importações, que somaram US$ 1,18 bilhão – queda de 8,5% na comparação com agosto de 2018 –, destacam-se as diminuições das transações comerciais de circuitos integrados eletrônicos e aparelhos para telefonia. O resultado não foi pior graças ao crescimento na compra externa de inseticidas, fungicidas, herbicidas e similares. Os dados apontam para um progresso das atividades nas indústrias química e farmoquímica, enquanto reforçam desaquecimento nos segmentos dos setores de eletrônica, de telefonia e automobilístico.

No acumulado do ano, a região apresenta déficit comercial de quase 6 bilhões de dólares, tendo importado US$ 8,9 bilhões e exportado US$ 2,9 bilhões no período. Entre os 20 Municípios que integram a RMC, Campinas é o que acumula maior participação nas transações realizadas, seja importando ou exportando.

As cidades de Sumaré e Indaiatuba, onde estão localizados grandes produtores de materiais de transporte, são as que causam menores impactos ao agravamento da balança comercial, dado o alto volume nas exportações. Por outro lado, Jaguariúna e Hortolândia, além de exportarem menos, são sedes de multinacionais que importam enormes quantidades de componentes para suas respectivas produções.

“Em suma, o déficit comercial da RMC continua crescendo. Para o desenvolvimento econômico sustentado, seria desejável a redução da dependência externa e o aumento da competitividade externa, sobretudo exportando produtos de maior complexidade econômica”, frisa o docente.

Observatório PUC-Campinas

O Observatório PUC-Campinas é responsável pelo monitoramento de dados socioeconômicos da Região Metropolitana de Campinas (RMC) e está, atualmente, amparado em quatro eixos temáticos: Atividade Econômica/Comércio Internacional; Emprego/Renda; Sustentabilidade/ Desafios do Milênio; e Indicadores Sociais. Os estudos se estruturam na seleção de indicadores e análise sistêmica de dados que podem ser usados em diversos setores da sociedade.

Saiba mais em: https://observatorio.puc-campinas.edu.br/

 



Vinícius Purgato
1 de setembro de 2019