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Projeto Vitalità colabora com década do envelhecimento saudável

Declarada pela Assembleia Geral da ONU, ocasião tem como objetivo dar visibilidade à questão do idoso

Por Camila de Paula

O Vitalità – Centro de Longevidade da PUC-Campinas está contribuindo com a década do envelhecimento saudável, declarada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do desenvolvimento de ações que atendam às necessidades do público sênior. Segundo o gestor do Vitalità, Vanderlei Palandrani Junior, a PUC-Campinas busca articular parcerias para propostas de inovação, criação de tecnologias e ações de promoção do envelhecimento ativo.

Segundo ele, a temática do envelhecimento e longevidade sempre esteve presente nas pautas de discussão da Universidade. “Com o Vitalità, esperamos contribuir com o desenvolvimento de propostas e ações que envolvam o público universitário”, explica.

István Dobránszky “O Vitalità vai entrar como um ponto de centralização no estudo, ensino e pesquisa relacionados ao envelhecimento”. (Foto: Camila de Paula).

A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o período de 2021 a 2030 como a Década do Envelhecimento Saudável. Foram propostas iniciativas para mudar a forma como as pessoas pensam e veem o envelhecimento, facilitando, dessa maneira, a participação dos idosos nas suas comunidades e na sociedade. Também faz parte das propostas da ONU oferecer atenção integrada e serviços de saúde primários aos idosos, além do acesso a cuidados de longa duração a idosos que necessitarem. De acordo com a Organização, envelhecimento saudável é “o processo de desenvolver e manter a capacidade funcional que possibilita o bem-estar na velhice”.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 142 milhões de idosos em todo o mundo não têm acesso às suas necessidades básicas, por isso as ações voltadas a esse público devem ser aceleradas para ter um impacto até 2030, com os idosos envolvidos em todas as fases.

A OMS incluiu, para a preparação de uma década saudável para os idosos, os atributos de capacidade para atender às necessidades básicas; capacidade de

aprender, crescer e tomar decisões; mobilidade; capacidade de construir e manter relacionamentos e capacidade de contribuir.

Segundo Palandrani, o Vitalità está estruturado para atender às propostas da ONU e da OMS. “Podemos pautar a importância da compreensão do envelhecimento como uma etapa da vida, e não como algo pejorativo”, avalia. “É na velhice que podemos de fato nos redescobrir”, completa.

O Brasil está se tornando um país de velhos, segundo os últimos dados da pesquisa do IBGE, divulgada em 2019. Essa realidade está forçando vários setores da sociedade a repensarem questões relacionadas aos processos de envelhecimento e longevidade, na opinião de Palandrani, que vê no projeto Vitalità a oportunidade de atender e capacitar a comunidade idosa com base em três eixos de atuação.

Um deles é a Pesquisa & Inovação, que estimula o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas para uso do público 60+. Outro eixo é a Qualidade de Vida, em que são desenvolvidas ações de capacitação profissional para profissionais da saúde. Há ainda o Empreende Sênior, que articula a elaboração de microempresas e outras iniciativas de negócios do público 60+. “O Vitalità é o espaço onde a população idosa pode ser estimulada a reconhecer suas habilidades”, afirma Palandrani.

O professor e diretor da Faculdade de Educação Física da PUC-Campinas, István Dobránszky, diz que a Década do Envelhecimento Saudável, promulgada pela ONU, dá respaldo a ações que precisam ser colocadas em prática. “Temos um aumento muito grande no número de idosos e para conseguir que haja uma manutenção da qualidade de vida e das estruturas políticas, econômicas e sociais, será necessário que esses idosos sejam preparados para as mudanças que irão ocorrer”, avalia Dobránszky.

O professor afirma que é importante lembrar que existem dois tipos de idosos: aqueles que hoje já têm mais 60 anos e o adulto que está envelhecendo. “O idoso não é uma condição fixa, ou seja, uma geração que é sempre a mesma. Ela passa por mudanças, assim como os jovens”, diz.

Ele explica que os processos de longevidade e envelhecimento caminham juntos, mas cada um tem um olhar diferente. Enquanto a longevidade foca o tempo de duração de vida de uma pessoa e os métodos para prolongar esse percurso, o processo de envelhecimento começa no nascimento. “O Vitalità vai entrar como um ponto de centralização no estudo, ensino e pesquisa relacionados ao envelhecimento”, afirma. “Ele é um projeto agregador nessa esfera complexa, porque trabalha tanto com quem já é idoso, como com aquele que um dia terá mais de 60 anos. Ele está capacitado para resolver os problemas de hoje e os que virão”, explica.

O gestor do Vitalità, Vanderlei Palandrani Junior, conta que o projeto já teve alguns eventos desde que foi lançado, em setembro de 2020, como cursos, rodas de conversa e uma oficina. O Centro possui várias iniciativas na construção de cursos de extensão e rodas de conversas, em diferentes temas que envolvem o envelhecimento e a longevidade. Participam do processo alunos voluntários de diferentes faculdades, sempre com supervisão dos profissionais do Vitalità. “Nosso foco é o público externo”, conta Palandrani. “Queremos articular o conhecimento que é produzido dentro da Universidade e colocá-lo à disposição da população externa, tanto a idosa quanto os diferentes setores das comunidades e sociedades”, finaliza.



Marcelo Andriotti
16 de abril de 2021