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A manifestação popular está de cara nova. Longe das ruas, ela encontrou espaço na internet e vem conquistando uma legião de cidadãos que preferem dar sua opinião e participar de movimentos sociais por meio do teclado do computador

Você costuma participar de manifestações populares pela internet? Se sua resposta for positiva, sinta-se confortável. Você faz parte de uma parcela da população que cada vez mais está aderindo às manifestações virtuais. Prova desse novo comportamento social é o projeto de emenda popular Ficha Limpa, aprovado, em maio passado, na Câmara dos Deputados e Senado Federal. O Projeto de Lei sobre a vida pregressa dos candidatos políticos arrecadou cerca de 1,4 mil assinaturas; boa parte delas com a ajuda da internet.

Virtualmente, a população gritou até ser ouvida pelo governo. Deu certo! Por seis votos a um, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, no último dia 10, que o projeto terá validade já nas eleições de outubro deste ano. Pelas ruas ou na internet, os movimentos sociais são importantes manifestações para a legitimidade da democracia do país, independentemente do governo vigente. Segundo a professora da Faculdade de Ciências Sociais, Doraci Alves Lopes, é no espaço público que a população pode negociar conflitos de interesses políticos. “Qualquer impedimento ou repressão dessas ações políticas afeta diretamente o processo de construção permanente da cidadania e dos direitos sociais”, explicou.

Caras-pintadas

No lugar dos caras-pintadas – nome dado aos estudantes que foram às ruas em passeatas, em agosto e setembro de 1992, para pedir pelo impeachment do presidente Fernando Collor de Mello -, entram em cena silenciosos internautas. Mas por que trocar a rua e outros espaços públicos pela internet? Para a diretora da Faculdade de Publicidade e Propaganda, Teresinha Cristiane de Morais, a resposta é simples: a sociedade mudou socioeconômico e culturalmente. “Não vivemos mais sob pressão como antigamente e os movimentos populares estão organizados, utilizando-se de canais mais sofisticados para se comunicar, como a internet”, comentou.

Estudiosa do comportamento da juventude, a professora Teresinha acredita que as mudanças nas formas das manifestações populares, particularmente entre os jovens, não os leva necessariamente à acomodação. “No passado, quando o país viveu um momento de transição entre a ditadura e a democracia, a sociedade pedia um jovem mais engajado e contestador. Hoje, com as novas tecnologias e as transformações sociais, as manifestações são mais silenciosas”, disse. Ela vê um comportamento um pouco mais apático e desinteressado dos jovens pelos movimentos sociais. “Com uma sociedade mais organizada, a ideia é negociar mais e gritar menos, mas em uma situação de pressão, a tendência é a aglomeração na rua”, avaliou. Se a internet funciona como uma arena, é ali que todo mundo pode se manifestar. São abaixo-assinados, postagens de mensagens, vídeo, áudio, comércio, propaganda e espaços para dar opinião, criticar, elogiar e até ‘vender seu peixe’. Que o digam os partidos políticos, que procuram acompanhar e se aproximar das novas formas de participação política. “Eles temem perder o bonde da história em suas campanhas, especialmente entre os jovens”, analisou a professora Doraci.

O maior problema nesse contexto, segundo a professora, é que nem todo mundo tem acesso ao mundo virtual. E essa situação pode interferir em uma maior ou menor participação da sociedade nos movimentos populares.

O que pensam os estudantes ligados aos Diretórios Acadêmicos

“Acho válida a manifestação pela internet, mas ainda prefiro a mobilização de rua. O que me incomoda na manifestação virtual é o anonimato, que não ocorre quando vamos para a rua. É diferente encaminharmos uma lista de assinaturas para um vereador e participarmos, em massa, de uma reunião na Câmara Municipal. Acho que as manifestações nas ruas esvaziaram, porque, hoje, não temos mais um inimigo comum, que era a ditadura militar. Também temos um movimento estudantil apático e o sindical, de modo geral, está muito vinculado ao governo.” Guilherme Abraão, um dos coordenadores do Diretório Acadêmico XVI de Abril, da Faculdade de Direito da PUC-Campinas.

“É sempre bom se manifestar, mas virtualmente não há espaço para a discussão, que é fundamental para o crescimento político. Em geral, as pessoas acham mais fácil criticar sem dar a cara a tapa e a internet possibilita isso. No Campus II, não somos engajados. Nós tentamos nos engajar e para isso criamos alguns espaços de discussões, como o Coletivo Construção. O importante é mantermos essa prática coletiva para tentarmos fazer com que mais pessoas expressem suas posições políticas.” Sofia Buriola, membro do Diretório Acadêmico de Enfermagem da PUC-Campinas.

“Não acredito que voltaremos a ter manifestações populares nas ruas, apesar de termos vários motivos para nos mobilizarmos. Além de não vivermos mais sob os efeitos da repressão, temos a força da internet, que atinge milhares de pessoas. A web é uma grande aliada da sociedade neste ano eleitoral: por meio dela podemos acessar a ficha dos candidatos, por exemplo. Participei de várias manifestações de rua, como a defesa pelo diploma, em Brasília, no ano passado, e também assinei a campanha, pela internet, do Projeto Ficha Limpa.” Luiz Roberto Silva, coordenador do Diretório Acadêmico V de Maio, dos cursos de Comunicação Social (DACOM) da PUC-Campinas.

Atendimento à Imprensa:
Adriana Furtado
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Portal Puc-Campinas
16 de junho de 2010