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Professora da PUC-Campinas fortalece pesquisa e cooperação internacional durante pós-doutorado em Cabo Verde

Pesquisa teve financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio da Chamada Pública MCTI/CNPq

A professora Fernanda da Silva Lima, do Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD) da PUC-Campinas, participou, entre fevereiro e julho de 2026, de uma experiência acadêmica que ajudou a ampliar as fronteiras de sua pesquisa e estabelecer novas conexões entre Brasil, África e Europa. Durante seis meses, a docente realizou estágio de pós-doutorado junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), com vinculação ao Centro de Investigação e Formação em Género e Família (CIGEF), sob supervisão da professora Dra. Eufémia Vicente Rocha.

Financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio da Chamada Pública MCTI/CNPq nº 16/2024, a pesquisa “Trauma racial e cuidado colonial nas relações de gênero: análises interseccionais no enfrentamento de desigualdades e opressões contra mulheres racializadas no Brasil e Cabo Verde” possibilitou não apenas o aprofundamento da investigação acadêmica, mas também a criação e o fortalecimento de redes de pesquisa e cooperação internacional.

A experiência aproximou pesquisadores, instituições acadêmicas, profissionais da educação, movimentos sociais e organizações de Cabo Verde, ampliando o diálogo sobre temas como raça, gênero, colonialidade, direitos humanos, educação e estratégias de cuidado.

Pesquisa aproximou experiências brasileiras e cabo-verdianas

Durante o período em Cabo Verde, a professora Fernanda desenvolveu estudos sobre as experiências de mulheres negras brasileiras e cabo-verdianas, considerando as relações entre raça, gênero e colonialidade. A investigação buscou compreender processos de desigualdade e opressão, mas também as formas de resistência e a construção de estratégias de cuidado.

A permanência no país permitiu à docente realizar interlocuções e entrevistas com lideranças, em sua maioria mulheres, envolvidas em iniciativas relacionadas à violência de gênero, direitos e cidadania, educação, trabalho, cuidado e empreendedorismo.

O período também contribuiu para aproximar o Grupo de Pesquisa Direitos Humanos e Descolonização, da PUC-Campinas, e o CIGEF, fortalecendo uma rede de colaboração que permanece ativa mesmo após o encerramento da etapa presencial do pós-doutorado.

Conhecimento produzido em diferentes espaços

A agenda da professora durante a mobilidade internacional foi além das atividades de pesquisa. Ao longo dos seis meses, ela participou de ações acadêmicas, científicas, formativas e extensionistas na Universidade de Cabo Verde.

Entre elas esteve a participação em formações em gênero promovidas pelo CIGEF, destinadas a estudantes universitários e profissionais da educação básica. A atividade possibilitou a troca de metodologias e experiências relacionadas à igualdade de gênero e aos direitos humanos em um contexto social e educacional diferente do brasileiro.

Outro destaque foi a realização da Aula Aberta “Direitos Humanos e Litigância Estratégica Internacional”, ministrada pela professora Fernanda em 17 de abril, na Universidade de Cabo Verde. Voltada a estudantes de graduação e pós-graduação, a atividade ampliou a circulação internacional de conhecimentos produzidos pela área de direitos humanos.

A docente também participou de uma reunião na Embaixada do Brasil em Cabo Verde com estudantes brasileiros em mobilidade acadêmica no país, ampliando as possibilidades de articulação entre pesquisadores e estudantes brasileiros no exterior.

Da África à Europa

A experiência também proporcionou a participação em atividades científicas em Portugal, ampliando a inserção internacional da pesquisa.

Em junho, Fernanda participou do Encontro Internacional Saberes em Mutação: reflexões críticas sobre as derivas da História e das Ciências Sociais em África, realizado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. No evento, apresentou o trabalho “Dizer o silêncio: raça e colonialidade em Cabo Verde”.

Já em julho, participou do V CIMDAB e II EDUMIGRA – Mobilidades lusófonas em perspectiva: redes, fluxos e dinâmicas migratórias, realizado na Universidade do Minho, em Braga. Além de atuar como avaliadora e apresentadora de trabalhos, apresentou a pesquisa “O Atlântico entre nós: experiência de mobilidade acadêmica e a produção de sentidos sobre racialização e subjetividades entre Brasil e Cabo Verde”.

A circulação por instituições de diferentes países fortaleceu a inserção da pesquisa em redes internacionais e possibilitou o diálogo com pesquisadores de distintas áreas do conhecimento.

Extensão aproxima universidade e sociedade

Outro aspecto da experiência foi a participação em ações de pesquisa-ação e extensão. A professora passou a integrar o projeto “Konbersu Merkadu: ou quando o mercado fala – epistemologias populares, liberdade académica e pesquisa-ação em Cabo Verde”.

A iniciativa utiliza mercados e feiras como espaços de produção e circulação de conhecimento, valorizando saberes construídos fora dos ambientes acadêmicos tradicionais. A primeira roda de conversa ocorreu no Mercado do Plateau, em abril, reunindo diferentes integrantes da comunidade.

A proposta estabelece uma relação horizontal entre pesquisadores e os diferentes sujeitos que fazem parte desses espaços, como comerciantes, feirantes, clientes e frequentadores, contribuindo para uma perspectiva de democratização do conhecimento.

Parcerias continuam após o retorno ao Brasil

Embora o período presencial do pós-doutorado tenha terminado em julho, os resultados da experiência seguem em desenvolvimento. Três artigos científicos estão em fase de revisão para publicação, produzidos em parceria com pesquisadoras da Universidade de Cabo Verde.

Entre eles estão “Dizer o silêncio: raça e colonialidade em Cabo Verde”, em coautoria com Eufémia Vicente Rocha; “Pensando género e sexualidade na ilha de Santiago, Cabo Verde: dos rumores aos ditados populares”, com Eufémia Vicente Rocha e Miriam Steffen Vieira; e “A institucionalização do género em Cabo Verde: uma análise das formações do CIGEF por meio da observação participante”, produzido com Eufémia Vicente Rocha e Carmelita Silva.

A cooperação também contribuiu para a participação na organização do II Seminário Internacional “Repensar o Género a partir de África: tecendo redes, reparando histórias”, previsto para novembro de 2026. O evento reunirá pesquisadores e pesquisadoras interessados nas relações entre gênero, raça, direitos humanos, colonialidade e perspectivas africanas e afro-diaspóricas.

Internacionalização que permanece

Para além dos resultados acadêmicos, a experiência representa um movimento de internacionalização que se estende para além do período de mobilidade. A vivência em Cabo Verde possibilitou a construção de novas redes, produção científica em parceria, intercâmbio de conhecimentos e aproximação com instituições e organizações sociais.

No âmbito do PPGD da PUC-Campinas, a experiência contribui para o fortalecimento da inserção internacional do Programa e dialoga com a área de Direitos Humanos e Grupos Vulnerabilizados e com a linha de pesquisa Cooperação Internacional e Direitos Humanos.



Carlos Giacomeli
1 de setembro de 2026

/* CONTEUDO PROGRAMATICO*/