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A Região Metropolitana de Campinas (RMC) está mais desigual na distribuição de renda. Foi o que constatou uma pesquisa realizada pela Faculdade de Ciências Econômicas da PUC-Campinas. A partir da análise dos dados do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o trabalho concluiu que, entre 1991 e 2000, o aumento da desigualdade de distribuição de renda registrado na RMC superou o do Estado de São Paulo e a média brasileira.

O resultado foi obtido com base no cálculo do índice de Gini, instrumento criado pelo matemático italiano Conrado Gini, em 1912, para medir o grau de concentração de renda em determinado grupo. O índice aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos e, numericamente, varia de zero a um. O valor zero representa a situação de igualdade, ou seja, todos têm a mesma renda. O valor um está no extremo oposto, isto é, uma só pessoa detém toda a riqueza.

No caso da RMC, o índice sofreu uma variação de 8,33% no período estudado, passando de 0,48 em 2001 para 0,52. Enquanto isso, a média no Estado saltou de 0,56 para 0,59 (variação de 5,36%) e a média nacional aumentou de 0,63 para 0,65 (3,17%). O estudo foi desenvolvido por Alessandro Polonio, formado no ano passado, e orientado pela professora Nelly Maria Sansigolo de Figueiredo, coordenadora do Núcleo de Pesquisa e Extensão (Nupex) do Centro de Economia e Administração (CEA).

Eliane Rosandiski, professora da Faculdade de Economia da PUC-Campinas, ressaltou que a tendência é que haja uma diminuição dessa desigualdade de distribuição de renda. “Nos últimos anos, vemos um crescimento das vagas que exigem alta qualificação, mas com salários cada vez menores. Ao mesmo tempo, o salário mínimo aumentou”, explicou a professora.

Segundo uma pesquisa realizada pela professora Bruna Branchi, da Faculdade de Ciências Econômicas da PUC-Campinas, entre 1991 e 2000 houve uma precarização do mercado de trabalho na RMC. A porcentagem de desempregados passou de 19,9%, em 1999, para 22,3%, em 2000. Além disso, a proporção de trabalhadores com carteira assinada caiu de 63,9% para 55,5% no mesmo período.

Na análise dos pesquisadores, o estudo revelou que o crescimento da RMC na década de 90 apresentou um padrão concentrador de renda, apontando que houve piora relevante do bem-estar em mais da metade dos municípios da região. Essa piora, explica Polonio, deve-se à diminuição da renda média dos estrados mais pobres. “A queda da renda média nos estratos inferiores significa que o desenvolvimento está penalizando os mais pobres”, afirmou a professora Nelly.

Polonio defende que o país deve estimular o crescimento econômico que inclua as populações mais carentes. “O Brasil precisa realizar políticas públicas que estimulem a pequena produção voltada para o mercado interno, ampliar as linhas de financiamento de longo prazo para os pequenos empreendedores e rever o sistema tributário, entre outras medidas para criar emprego, renda e demanda interna”, declarou.



Portal Puc-Campinas
21 de maio de 2007