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“Ocupação atual de leitos de UTI exige adoção de medidas mais rígidas em Campinas”, avalia infectologista da PUC-Campinas

Município tem 95% dos leitos ocupados, considerando também hospitais privados; número de mortes volta a subir, mostra nota do Observatório PUC-Campinas

O município de Campinas, que exibiu aumento de 3,2% no número de mortes entre os dias 22 e 29 de maio, durante a 21ª Semana Epidemiológica, está com 95% dos leitos de UTI ocupados no serviço privado e 100% no público, que já apresenta fila de espera. Os dados estão disponíveis em nota técnica do Observatório PUC-Campinas, divulgada nesta segunda-feira (31).

Essa situação, combinada com o aumento gradual das internações, exige, na análise do médico infectologista André Giglio Bueno, a adoção de medidas mais rígidas por parte do município, que tem um dos piores índices de mortalidade entre as cidades do Departamento Regional de Saúde de Campinas (DRS-Campinas). São 283 óbitos por 100 mil habitantes, atrás somente de Jundiaí (289).

Considerando o novo avanço da doença demonstrado nas últimas semanas, esperava-se que os governos municipal e estadual anunciassem novas restrições. No entanto, o Governo do Estado de São Paulo apenas adiou flexibilizações que estavam prestes a acontecer, o que possibilitaria a operação de certos estabelecimentos, como academias, shoppings, bares e restaurantes, em horário estendido.

Para o professor de Medicina da PUC-Campinas, manter o funcionamento da maneira como está não é suficiente, sobretudo diante da ineficácia no rastreamento, isolamento e monitoramento de pessoas cuja testagem foi positiva. “Além disso, essas ações dependem essencialmente de grande disciplina da população para seguir as recomendações das autoridades sanitárias, tendo em vista a dificuldade de controlar se as pessoas estão de fato isoladas. Há risco, portanto, de que tais estratégias sigam pouco efetivas no controle da pandemia e insuficientes para conter a circulação do vírus sem a ajuda de medidas mais restritivas”, avalia Giglio.

O docente lembra que, de acordo com o Plano São Paulo, as atuais taxas de ocupação de leitos intensivos em Campinas já demandariam a adoção de medidas mais rígidas. “Sem intervenções oportunas, poderemos observar pioras ainda maiores dos indicadores, nos levando a vivenciar momentos tão críticos como aqueles vividos no mês de março”, acrescenta o infectologista.

Embora os casos tenham caído na 21ª Semana Epidemiológica em relação ao período anterior, os dados consolidados mostraram aumento no número de mortes: +24,48% no DRS-Campinas, +11,76% na RMC e +3,23% em Campinas. Os números atualizados estão disponíveis na página do Observatório: https://observatorio.puc-campinas.edu.br/covid-19/.

Lentidão na aplicação das vacinas atrasa retomada econômica

Estudos recentes do Observatório PUC-Campinas ilustram sinais positivos da economia regional até o 2º bimestre. Em abril, a geração de empregos se manteve positiva, com saldo de 2.228 vagas. O aumento das exportações foi de 57,18%. Porém, segundo o economista Paulo Oliveira, a sustentabilidade da recuperação pode ser comprometida pela lentidão da vacinação na RMC.

“As expectativas estão apoiadas ao avanço e eficácia da vacinação. Até agora, no DRS-Campinas, aproximadamente 21,8% da população recebeu a primeira dose, enquanto apenas 11,2% tomou a segunda dose. Sem a aceleração do processo de imunização, a retomada da atividade regional no aspecto econômico deve ser desnecessariamente lenta”, diz o professor extensionista.



Vinícius Purgato
30 de maio de 2021