
Moda Campinas: 1ª edição do evento reúne estudantes de Design e marcas autorais no MACC
Desfile promovido pela PUC-Campinas apresentou TCCs e coleções de marcas locais, aliando a produção acadêmica à prática de mercado
O Museu de Arte Contemporânea de Campinas (MACC) sediou, nesta quinta-feira (11), o evento “Moda Campinas”, uma iniciativa promovida pelo Curso de Design de Moda da PUC-Campinas que conectou a produção acadêmica ao mercado profissional da região. A programação apresentou ao público as coleções “Ainda Me Lembro” e “Ruptura”, desenvolvidas pelos formandos como Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC). Além dos projetos estudantis, o desfile contou com a participação de marcas autorais convidadas da cidade, todas com mulheres à frente de suas direções criativas.
A passarela recebeu peças da Casa Mutá, voltada a criações inclusivas; da Eme Elle, direcionada ao público feminino maduro; da Djumbo, com referências da cultura afro-brasileira; da Santa Costura de Todos os Panos, baseada no slow fashion; e da Matos Brexó, com foco na moda circular. Para a coordenadora do curso, profa. me. Roseana Sathler Portes Pereira, a atividade teve um papel estratégico. “É muito importante a gente estabelecer uma cultura de moda em Campinas e valorizar as marcas que são autorais, criativas e que tenham a direção de mulheres. Isso foi muito especial e a gente finaliza com os TCCs também, o que agrega muito para nós esse diálogo”, avaliou.
A escolha do MACC para a realização dos desfiles teve o objetivo de integrar o vestuário ao circuito cultural da cidade. A passarela foi montada no mesmo ambiente da mostra “Corrosão”, da artista Laura Mallozzi, que investiga o valor simbólico dos artifícios e ornamentos no corpo. A professora Roseana ressaltou a relevância do local. “O museu é um espaço vivo de cultura, importante para a cidade e para o Brasil. É um dos primeiros museus de arte contemporânea do país e é um cenário propício para estabelecer esse diálogo com a criação, com a moda e com a arte”, explicou.
As criações dos formandos dialogaram diretamente com essas propostas conceituais. A estudante Thais Luisa Donnaruma assinou a coleção “Ruptura” em parceria com a colega Laís Aguiar. Ela explicou que o trabalho buscou “demonstrar o contraste da contenção do corpo feminino e da libertação”. Para materializar a ideia, as universitárias garimparam peças em brechós. “Escolhemos objetos da vestimenta que, historicamente, são atrelados a símbolos de poder masculino, como a gravata e o blazer, e ressignificamos esses materiais. Transformamos uma roupa que foi destinada para um uso comercial masculino em uma roupa de coleção conceitual feminina”, detalhou Thais.
A conexão entre as peças desfiladas e o espaço físico do museu também orientou o trabalho nos bastidores. A aluna Ariadne Brito Zanardi detalhou a construção da narrativa visual elaborada pelos estudantes para a apresentação da grife Santa Costura. “Quisemos mostrar a coleção dela conectando com a história do museu. Então, trouxemos roupas off-white e vermelhas. Os looks começavam no off-white e iam ficando mais vermelhos, até o look que fechou o desfile ser inteiro vermelho”, explicou. Ariadne também destacou a intensidade da organização técnica. “O backstage é intenso, vemos muita coisa, resolvemos muitos problemas, mas estávamos bem organizados. É muito legal ver tudo tomando vida: as modelos maquiadas, vestindo as roupas. Quando se forma a fila, é muito legal ver todo o trabalho concluído”, relatou.
A estruturação geral do evento foi executada integralmente pelos estudantes. A formanda Giovanna Sartorato listou as atribuições assumidas pela turma: “A gente montou o styling, todos os modelos, os press kits, colocou as cadeiras no lugar, fez toda a ordem do desfile, recebeu os convidados e indicou os lugares certinhos”. De acordo com ela, o contato prático foi fundamental. “É muito interessante ter esse contato com todas as partes da nossa área. Precisamos desenvolver todas elas para conseguir ter uma noção maior do que queremos seguir”, afirmou.
O aluno do penúltimo ano, Miguel Holanda Utrabo, apontou que as atividades exigiram dedicação desde as primeiras horas do dia e definiu o funcionamento dos bastidores como um esforço conjunto. “Foi uma experiência muito intensa, chegamos muito cedo para organizar tudo. É gratificante na hora que você entra com o pessoal no final do desfile e vê que deu tudo certo”, concluiu o estudante, resumindo o sentimento de dever cumprido.









