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Isolada sim, sozinha nunca

Alunos do Curso de Publicidade e Propaganda criam cartazes para alertar sobre violência contra a mulher

Um dos efeitos colaterais da quarentena foi o aumento dos casos de violência doméstica. No Brasil, que ocupa o quinto lugar no ranking mundial de violência contra a mulher, segundo relatório do Fórum Brasil de Segurança Pública, publicado no mês de abril, houve crescimento de 44% no número de atendimentos a vítimas em comparação com março de 2019 e março deste ano. O feminicídio também subiu de 13 para 19 casos no mesmo período. Criar cartazes com mensagens alertando sobre esse grave problema foi o desafio dos alunos do primeiro semestre do Curso de Publicidade e Propaganda da PUC-Campinas.
A atividade foi coordenada pelo professor Maurício Pinheiro, na disciplina Criação e Comunicação Publicitária. “Todo ano trabalhamos um assunto socialmente relevante e achamos oportuno, este ano, discutir temas relacionados ao isolamento social causado pela covid-19, um deles foi o combate à violência doméstica”, explicou Pinheiro. Segundo ele, nessa disciplina os alunos aprendem elementos básicos da criação publicitária como criatividade, cores, tipografia, composição e diagramação.
O trabalho consistia em criar e produzir um cartaz utilizando uma técnica criativa chamada All Type, que utiliza apenas letras, palavras e frases para compor um layout. “O objetivo primário foi exercitar a criatividade e o uso de cores e fontes, porém também foi uma maneira de sensibilizar os alunos sobre um assunto delicado que precisamos discutir”, contou Pinheiro. Ainda segundo ele, o exercício vai ao encontro da proposta da PUC-Campinas de ajudar a sociedade a superar os inúmeros desafios colocados pela pandemia. A violência doméstica é um deles.
Um dos obstáculos no combate à violência doméstica é a formalização da denúncia. No período da quarentena, por conta das medidas de distanciamento, esse problema tornou-se mais grave. Os cartazes elaborados pelos futuros publicitários trazem mensagens sobre a importância da denúncia e da solidariedade para conter a violência contra mulheres. “Em propaganda não existe o não conectado. Mesmo quando o produto ou um assunto é distante da vida do aluno, ele só consegue criar se estiver conectado às pessoas, ao consumidor e ao cotidiano”, pontuou o professor da PUC.
“Comunicar transcende os objetivos mercadológicos de marcas e produtos. Podemos, como publicitários, reverberar quaisquer assuntos, e o aluno deve entender a importância dessa habilidade como parte de sua formação. Queremos formar publicitários com uma visão ampla. Atividades assim fazem o aluno refletir sobre o seu papel como profissional da comunicação”, finalizou.
Por Patrícia Mariuzzo



Marcelo Andriotti
1 de junho de 2020