Acessibilidade  
Central de Atendimento ao Aluno Área do aluno
Vestibular 2021

Incentivando empreendedores

Espaço Mescla da PUC-Campinas ajuda alunos da PUC e seus pais a formatar novos negócios

Por Patricia Mariuzzo

E-commerce, maior cuidado com a saúde por meio de uma alimentação mais saudável e a valorização do comércio local são algumas das tendências de consumo reforçadas pela pandemia da covid-19. Foi pensando nelas que a aluna do segundo ano do Curso de Turismo da PUC-Campinas, Raquel Agner, idealizou o Hortifruti Agner, um serviço de entrega de produtos hortifrúti em domicílio para atender a população idosa do lugar onde ela mora, o Distrito de Ouro Verde, em Campinas. “Quando fomos desafiados a pensar em um projeto para empreender, veio-me à cabeça a situação das pessoas da terceira idade do lugar onde moro, pelo risco de saírem de casa, pensei em levar a feira até eles”, contou Raquel.

O desafio que ela mencionou foi dado no curso on-line gratuito “Negócio de filho para pais”, que foi oferecido entre maio e junho deste ano por meio de uma parceria entre o espaço Mescla da PUC-Campinas e a aceleradora de negócios Venture Hub. Voltado para alunos da PUC-Campinas e seus familiares, o curso abordou a criação de novos negócios e aceleração de startups. O objetivo foi ajudar pessoas afetadas economicamente pela quarentena ocasionada pela covid-19, tanto para buscar alternativas de trabalho por meio do empreendedorismo quanto para adaptar seus negócios ao cenário da pandemia. “Na PUC, o empreendedorismo é um conceito muito importante em qualquer fase de sua evolução do estudante. Incentivamos o pensamento inovador e visionário de todos os nossos alunos”, disse o professor Maurício Pinheiro, um dos coordenadores do espaço Mescla.

O projeto da aluna Raquel Agner foi um dos cases apresentados ao final do programa “De filhos para pais”. Sua família tem uma barbearia que teve as atividades paralisadas por conta das medidas de distanciamento social. “Isso me motivou a pensar em outros caminhos para empreender”, afirmou.

Criado por plebiscito em 2015, o Distrito de Ouro Verde está a 14 km do centro de Campinas e é o mais populoso da cidade, com cerca de 240 mil habitantes em 140 bairros. Os idosos são cerca de 26 mil pessoas. A despeito das muitas dúvidas sobre o coronavírus e a evolução da covid-19, sabe-se que a população idosa é mais vulnerável. A proposta de uma loja de hortifruti on-line, com entregas em domicílio, teve como público-alvo essa população que precisa ficar em casa. “Aqui na minha região, eu percebi a dificuldade dessas pessoas de saírem para comprar alimentos, muitas vezes tendo que contar com a ajuda de filhos e vizinhos”, afirmou Raquel.

Imagem 1: Imagem que ilustrou o “pitch” de Raquel Agner, lembra a importância de ficar em casa na pandemia

Imagem 2: Raquel Agner criou uma página no Facebook para ilustrar as possibilidades de divulgar sua proposta de negócio

No modelo de negócio desenvolvido ao longo do curso, a loja vai entregar produtos higienizados e fracionados, em embalagens reutilizáveis, sem cobrança de taxa de entrega a um raio de cinco quilômetros da loja física. Além disso, há opção de adquirir alimentos orgânicos. A proposta ainda não é uma realidade, mas, segundo Raquel, foi uma experiência fundamental para conhecer os passos para criar um novo negócio. “O curso contribuiu para o meu crescimento profissional, foi um aprendizado que levarei para a vida”, disse ela. “Queremos ajudar o aluno a atingir objetivos que transcendam a graduação, gerando valor para a sociedade em forma de novos negócios muitas vezes disruptivos”, pontuou Pinheiro.

Também no ramo de alimentos, o restaurante Salu foi outro case estudado ao longo do curso oferecido pela PUC. Localizado no bairro Itaim Bibi, na cidade de São Paulo, o Salu é especializado em saladas e wraps, com um modelo que combina um cardápio fixo com a possibilidade de o cliente montar seu prato, se quiser. “Nós inauguramos a loja este ano, mas, em pouco tempo de funcionamento, tivemos que nos adaptar ao sistema exclusivo de delivery e de retirada, por conta da pandemia”, conta Mohsenn Hatia, que atualmente frequenta um dos programas de MBA da PUC-Campinas.

Segundo ele, o novo negócio estabeleceu um plano estratégico de marketing com foco nesse empreendimento-piloto, mas já visando à futura expansão no modelo de rede devido à sua fácil escalabilidade, alta lucratividade, tendência de mercado e custo inicial atraente. “Minha expectativa era aprender na prática o processo de criação de um novo negócio. Como a ideia do restaurante já estava concebida de uma forma, digamos, tradicional, a metodologia me trouxe novos insights para aprimorar o modelo, o que está sendo muito útil, pois tivemos que literalmente nos reinventar devido à covid-19”, disse Hatia.

Imagem 3: Página na internet do restaurante Salu que teve que adaptar seu modelo de negócio por causa da pandemia

Segundo Pinheiro, uma das metas do curso foi exatamente esta, “que o aluno aprenda a avaliar riscos, encontrar oportunidades e, principalmente, possa modelar novos negócios”, disse.

Sistema de gestão para indústria – Com 55 anos e mais de 30 anos de experiência na indústria de bens de consumo, com passagens na Pirelli, P&G e Nestlé, Mackmilay Rabelo, aluno do Curso de Especialização em Indústria e Serviços 4.0, da PUC-Campinas, quer criar uma startup de serviços de controle de custos durante os processos de manufatura. Em qualquer indústria, é fundamental medir o custo real de cada produto, porque isso permite determinar o preço mais adequado para a venda e, ainda, em uma comparação com o custo esperado, encontrar desvios na produção. Esses desvios podem acontecer em diversas etapas, por defeitos na matéria-prima, quebras de maquinário, erros de um operador ou mesmo por ineficiências no processo.

Para controlar todo esse processo, as empresas utilizam um software de gestão empresarial chamado SAP (sigla para Sistemas, Aplicativos e Produtos para Processamento de Dados). “A questão é que esse aplicativo não foi desenhado para um operador de uma máquina usar. Ele não é acessível àquela mão de obra de nível mais operacional. Em geral, são os supervisores que fazem os apontamentos, e isso pode gerar distorções no fluxo de informações”, explica Rabelo. “Daí, quando surgem variações de custo, tem que ser feito um grande esforço para identificar onde ocorreu o problema e, pela minha experiência, na maioria das vezes, o que ocorre são erros de apontamento, porque a pessoa que lança o dado no SAP não é a mesma que trabalha na máquina ou faz a movimentação do material na linha de produção”, detalha. “O que eu quero fazer é justamente dar acesso a essas pessoas, não dentro do SAP, mas em uma ferramenta simples e prática que “converse” com o software. Com isso, espero oferecer um serviço mais preciso de avaliação do custo para as indústrias”, diz.

Segundo ele, a principal qualidade do curso oferecido pelo espaço Mescla da PUC-Campinas é enfatizar a prática no processo de empreender. “No meu caso, eu já tinha uma noção do que queria fazer e, por conta da minha experiência nas empresas, eu já conheço relativamente bem as dores dos meus possíveis clientes (empresas que usam SAP), de modo que foi muito útil aplicar os templates que os professores nos apresentaram à minha proposta, por exemplo a ferramenta Canvas para criação de um modelo de negócio”, apontou. “Foi muito rica também a interação com os mentores e os demais participantes”, finalizou.



Vinícius Purgato
13 de julho de 2020