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Imprensa assume protagonismo na cobertura da covid-19 e freia efeitos negativos das Fake News no combate à pandemia

 Professores de Jornalismo orientam população a procurar fontes de informação confiáveis para evitar impactos mais profundos da doença

A circulação de notícias falsas, popularmente conhecidas como fake news, tem atingido milhões de brasileiros durante a pandemia do coronavírus, sobretudo nas redes sociais. Para os docentes Carlos Alberto Zanotti e Marcel Cheida, da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas, é preciso que a população busque informações de qualidade, veiculadas nos meios de comunicação mais influentes e também por autoridades sanitárias e profissionais de relevância no meio científico, para contribuir no enfrentamento da doença e impedir maiores impactos na sociedade.

“Acredito que a competência dos que produzem informação de qualidade para o grande público tem contribuído muito para que estejamos vivendo relativa normalidade. Precisamos considerar que somos todos aprendizes: a atual geração de profissionais da mídia, governantes, formadores de opinião e pesquisadores nunca havia passado por uma experiência desta magnitude”, afirma Zanotti.

“Entendo que o vírus impõe às redações rever políticas editoriais e assumir novos compromissos com a sociedade, com o público, em favor de um jornalismo de qualidade, frente à complexidade dos fatos do mundo. O jornalismo se transforma e se reajusta diante de uma sociedade diversa, complexa e plural”, avalia Cheida.

Devido ao compromisso de informar e de fomentar reflexões, a imprensa, cuja credibilidade tem sido questionada nos últimos anos, vem desempenhando papel relevante como fonte segura de informação durante a pandemia, juntando-se a outros órgãos e instituições como universidades, organismos internacionais da área da saúde e, ainda, a autoridades sanitárias. A cobertura feita rendeu elogios públicos, realçando a importância dos meios de comunicação na conscientização da sociedade.

Além de notícias relacionadas diretamente à covid-19, como estatísticas atualizadas de contágio e letalidade, meios de transmissão e métodos de prevenção, os veículos têm sido interlocutores na divulgação dos serviços assistenciais destinados à população, seja das medidas adotadas pelo governo, seja das ações promovidas por organizações sociais voltadas à fatia populacional mais impactada pelo coronavírus. A imprensa também tem se debruçado na identificação e checagem de fake news, freando a disseminação de notícias que comprometam as estratégias de controle contra a doença.

Para Cheida, a irresponsabilidade da propagação de informações falsas decorre do alto potencial em conquistar adeptos, especialmente quando são pronunciadas por autoridades públicas. Ele lembra, por exemplo, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citou a possibilidade de um paciente se curar da covid-19 com a injeção de detergente.

“Quando proferidas por uma pessoa de tamanha influência, as palavras se tornam verdade para muitos, podendo resultar no agravamento da crise. É nesse contexto que o jornalismo se move, empenhando-se na apuração, na checagem, na interpretação e no rigor editorial, oferecendo à sociedade uma contribuição decisiva no combate à pandemia”, diz o professor.

“Creio que a circulação de mentiras só tem feito acentuar a importância da imprensa tradicional como fonte legítima de informação. A sociedade está aprendendo a lidar com isso. A pandemia está sendo um ótimo laboratório neste sentido, do qual sairemos maiores enquanto sociedade e mais escolados em relação a manipulações da informação”, acrescenta Zanotti.

Para os leitores, ouvintes e telespectadores que discordam do posicionamento de determinados meios de comunicação, os docentes consideram ser adequado o acesso a conteúdo diversificado como estratégia para se manter bem informado. O professor Marcel Cheida orienta a população a questionar as informações disseminadas pelas redes sociais, buscando selecionar os veículos, os conteúdos e as fontes mais críveis. “Diversificar as fontes é sempre saudável. Mas recomendo procurar fontes originárias, tais quais portais das Secretarias Municipais de Saúde, instituições científicas, como a Organização Mundial da Saúde, e também jornais de qualidade. Combinar as fontes de informação ajuda a ampliar o senso crítico”, destaca.

“E não basta consultar o veículo de informação. É também preciso saber quem aparece no veículo para passar tal informação, a quem esta fonte está ligada, qual o seu currículo, que relevância tem no meio científico etc.”, finaliza Zanotti.

Para confirmar a veracidade das informações sobre o novo coronavírus, o cidadão também pode acessar o site do Ministério da Saúde ou entrar em contato via WhatsApp pelo telefone (61) 99289-4640 O órgão criou esses espaços para evitar o espalhamento das fake news, como notícias que apresentam fórmulas para impedir o contágio, supostas vacinas contra a doença, entre outras. Embora cientistas do mundo todo trabalhem no desenvolvimento de uma vacina para imunização, ainda não há cura oficial para a covid-19.



Avelino Souza
27 de abril de 2020