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Estudo do Observatório PUC-Campinas indica retração de atividade econômica no Brasil

Exportações em queda e importações estagnadas expõem cenário desfavorável

O estudo do Observatório PUC-Campinas sobre a balança comercial brasileira no segundo trimestre de 2019 mostra que o país continua em processo de estagnação econômica e sentindo reflexos da desaceleração comercial mundial. O Brasil teve uma pequena variação positiva na importação, de 0,6%, enquanto as exportações caíram 7%. Um ponto importante do estudo é a avaliação de que, além da queda nas exportações, o país está vendendo aos seus parceiros comerciais mais produtos básicos, com menor valor agregado.

“Os dados reforçam sinais de retração da atividade econômica nacional. A categoria de média-alta complexidade é importante, tanto pelo peso reativo que tem na pauta, quanto pelo maior valor agregado dos produtos desta categoria em relação às demais categorias”, diz o professor Paulo Oliveira, coordenador dos estudos sobre balança comercial do Observatório.

Exportando menos, com produtos de menor valor agregado e que não fomentam o desenvolvimento de tecnologias, fica mais difícil a retomada econômica. Isso ajuda a explicar a redução da perspectiva de crescimento do Brasil em 2019 de 2% para 0,8% na avaliação do Banco Central.

Houve aumento nos valores exportados de petróleo (bruto e refinado), minério de ferro e seus concentrados, carne bovina e carne de frango. As quedas foram nos valores exportados de soja, açúcar e veículos de passageiros.

Os dados de importação também indicam queda nas compras de insumos de média-alta complexidade, um sinal que a indústria de transformação também se mantém estagnada ou em retração. “Tanto na exportação como na importação, houve aumento das categorias de baixa e média-média complexidade e queda na categoria de média-alta complexidade”, diz o professor Paulo.

Foi registrada queda nos valores importados de partes e acessórios de veículos, circuitos eletrônicos integrados, medicamentos, automóveis de passageiros e carvão mineral.

Parceiros

Os principais parceiros comerciais brasileiros continuam sendo China (17%), Estados Unidos (8,2%) e Argentina (2,8%). Houve aumento das exportações para os Estados Unidos (+21,4%) e queda para a China (-6,5%) e, principalmente, Argentina (-37%). Houve aumento das importações da China (+7,7%) e dos Estados Unidos (+9,2%), e redução da Argentina (-6,0%).

Outro dado importante que reforça os indicativos de baixa atividade econômica industrial é a queda das importações de países fornecedores de insumos industriais e bens de capital, como Alemanha (-8,6%), Coreia do Sul (-7,8%), Japão (-14,5%), Itália (-15,7%), entre outros.

Observatório PUC-Campinas

O Observatório PUC-Campinas é responsável pelo monitoramento de dados socioeconômicos da Região Metropolitana de Campinas (RMC) e está, atualmente, amparado em quatro eixos temáticos: Atividade Econômica/Comércio Internacional; Emprego/Renda; Sustentabilidade/ Desafios do Milênio; e Indicadores Sociais. Os estudos se estruturam na seleção de indicadores e análise sistêmica de dados que podem ser usados em diversos setores da sociedade.



Marcelo Andriotti
25 de julho de 2019